Eduardo:
Noel Rosa era de classe média, mas não era "a" classe média. Até meados dos anos 70 - e eu já freqüentava rodas de samba nesse tempo -, o samba era muito discriminado pela classe média, brancos não sabiam sambar no pé - hoje qualquer "patricinha" manda bem - e não havia sequer rodas de samba na Zona Sul do Rio de Janeiro, por exemplo. O único lugar da Zona Sul que tinha samba era em Botafogo, era o ensaio da Portela no Mourisco, muito voltado para o turismo, com um monte de gringo com o dedinho levantado. Pra você ter uma idéia, os brancos de classe média ou média alta que desfilavam em escolas de samba eram motivo para matérias em revistas como a Gigi da Mangueira, por exemplo. Samba era coisa de preto, pobre e favelado, alguns da classe média "faziam o favor" de se "misturar" a essa gente. Sonia Palhares (BsB-DF) Date: Mon, 13 Sep 2010 11:06:47 -0300 Subject: Re: [S-C] Assistam este video From: [email protected] To: [email protected] CC: [email protected]; [email protected]; [email protected] "Pra mim, pra mim, o samba é bom quando é tocado assim" Em 13 de setembro de 2010 11:05, Eduardo S. Martins <[email protected]> escreveu: Sonia, a classe média assimilou o samba como sua cultura a partir de 1932 com a chegada do Getúlio Vargas ao poder. E o Noel Rosa, que era da classe média, deixou claro ao Wilson Batista que o samba tinha chegado a um novo público, que não aceitava mais aquela temática da malandragem tão usual nos sambas da turma do Estácio e que o Wilson retratou em "Lenço no Pescoço". Noel respondeu que malandro é palavra derrotista que só serve para tirar todo o valor do sambista, por isso o Noel propunha AO POVO CIVILIZADO não chamar o Wilson de malandro, mas sim de "rapaz folgado". E o Eugênio vem repetir, 70 anos depois, o mesmo preconceito..rsrsrs...Chupa Eugênio !!!!!!!!!!!! bjs. Eduardo Martins ----- Original Message ----- From: Sonia Palhares Marinho Eugênio: Era exatamente assim que o samba era visto naquela época - final dos anos 70 -, a coisa começou a mudar um pouquinho depois que a classe média assumiu o samba também como sua cultura e isso começou em meados dos anos 80 e se intensificou na década de 90, embora o preconceito ainda continue. Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF) Date: Mon, 13 Sep 2010 10:48:06 -0300 From: [email protected] To: [email protected] CC: [email protected]; [email protected] Subject: Re: [S-C] Assistam este video Sem querer polemizar, mas... O video, em si, é histórico. Página belíssima da nossa cultura popular. O formato, em si, é um pote de preconceitos. Mostrar no Fantástico dos anos 70 (talvez a revista semanal mais assistida pelo público formador de opinião na época) uma roda de sambistas, com referências ao samba como um gênero de botequim, repercutido entre uma avalanche de garrafas, o close no sorriso desdentado de um sambista, o exagero nas caraterizações da malandragem (terno branco, chapéu, sapatos) tudo isso é um referencial do pitoresco, do bizarro. No meu modo de ver, contribui para que os leigos formem a respeito do samba uma imagem de distanciamento, de rusticidade, de folclorismo. Em que pesem os traços maravilhosos de Lan, se essconde por trás do formato o conteúdo da segregação, de que o samba é um patrimônio guetificado, sectário e restrito a um determinado grupo étnico-social. Não quero apenas criticar, mas espero ser convencido do contrário. Opino aqui apenas para contribuir com o debate. Sinceros abraços, Eugenio
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