mas beber pode, né? 
Aí eu queria que alguém me explicasse a diferença. 
(Aaaaaantes que alguém diga que estou advogando em causa própria, ou alguma
coisa parecida, esclareço que não bebo, não fumo nenhum tipo de cigarro, não
uso nenhuma droga, etc, etc, etc...)

  _____  

De: [email protected]
[mailto:[email protected]] Em nome de Flávio Henrique
Teixeira de Souza
Enviada em: segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 18:06
Para: [email protected]
Assunto: [S-C] Um triste registro.



Prezados amigos da Tribuna,

 

Quero deixar aqui um triste registro do que assisti na última sexta-feira
(04/02) no samba da Pedra do Sal, lugar de samba legítimo e freqüentado por
amantes do samba como identidade nacional. Portanto, respeito ao samba e ao
local seriam obrigações a quem quer que lá esteja.

 

Sou admirador e extremamente fiel ao resgate do samba como movimento
cultural e artístico, porém como hoje o samba alcançou o ambiente dos
“moderninhos”, algumas coisas deixaram de ser passadas aos que se fantasiam
de sambistas (que não conhecem nada além de Diogo Nogueira – que adoro! – e
Maria Rita), usando All Star e chapéu panamenho, bolsa hippie e sandálias de
couro... Mas que não sabem ao menos se comportar em uma roda de samba e
próximo a ela.

 

O que eu e meu amigo Mauro Nazareth vimos foi uma turminha de “descolados”,
que bebiam sua cerveja e fumavam seus baseados tranqüilamente no meio de
todos como se isso fosse absolutamente normal e típico de roda de Samba (com
“S” maiúsculo mesmo!)... Fumavam como se fosse um simples Carlton, na frente
de todos, inclusive na frente de gente de cabeça branca que estava lá,
sambando, cantando velhos sambas e se divertindo. 

 

Não estou aqui levantando a bandeira antidrogas, ou coisa que o valha; muito
embora concorde que esse tipo de comportamento fomenta a violência que
assola nossa cidade e que está sendo combatida a exaustão pela sociedade.
Cada um fuma ou mete na narina o que bem entender, porém o local para tal
deve ser direcionado a isso... Sou de uma época em que respeito aos mais
velhos, as autoridades, as pessoas e a memória dos que já se foram; eram
aprendidas em casa e postas em prática quando assim se faziam necessárias...
Sempre se consumiu droga no Rio, nas boites, shows de rock e inclusive em
rodas de sambas, mas existia o respeito em chegar de “cabeça feita” no
samba, e não fazê-la ao vivo e a cores para quem quiser assistir. E pior!
Nesse episódio que narro, quem fumava normalmente o cigarro de maconha, não
parecia ser morador do Morro da Conceição, ou adjacências... E não eram!
Faziam parte daqueles que afirmam que curtem samba por que o samba está na
moda, porque o samba aparece na televisão e nas mídias em geral, porque o
samba é “cult”... Mas nunca se puseram a esmiuçar a trajetória do samba e
dos seus personagens notáveis... Nunca ouviram um samba de Cartola, nunca
ouviram o samba-lamento de Clementina de Jesus, entre outras coisas belas
que surgiram do samba... Não sabem nem que samba tem gênero e sub-gêneros..

 

Esse tipo de “tribo” não precisa se fazer presente nas rodas, não contribuem
em nada, não aprendem nada também... O samba é pra todos, mas certamente
esse tipo de freqüentador, destoa da proposta apresentada pelo samba da
Pedra do sal e suas raízes históricas. 
 
Querem fumar? Que fumem! Querem cheirar? Que cheirem! Mas por favor,
respeitem o samba, o local e as pessoas... A sociedade e os verdadeiros
admiradores do samba agradecem. 

 

 

Flávio Goy.          


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