*Pessoal quero pedir desculpas a todos pela minha ausência nas nossas conversas. Acontece que ando meio pra baixo e só iria trazer mau humor e pessimismo ao grupo. Um abraço do Fumaça Genro de Diamantino-MT.*
Em 5 de abril de 2011 16:23, Jose Waldemar M. Genro <[email protected]>escreveu: > *Pessoal q* > > Em 5 de abril de 2011 11:13, Caio Pontual <[email protected]> escreveu: > > Essa é a verdadeira visão do *valorizar o que nem sempre tem valor*, é >> mais um elemento da cadeia produtiva de "cultura". É nivelar por baixo a >> qualidade desse produto cultural. Ainda não vi um baiano criticar outro >> baiano. >> Não é preciso elitizar a produção cultural, mas é preciso sim, filtrar as >> produção de má qualidade, a produção em série, a produção do HIT da vez, do >> consumo ditado pelos pseudo intelectuais que querem se travestir de povo >> para se tornar simpático, apenas. É lastimável. >> >> Um abraço. >> Caio Pontual >> >> >> ----- Original Message ----- >> *From:* Marcelo Neder <[email protected]> >> *To:* [email protected] ; JL Vivas <[email protected]> >> *Sent:* Monday, March 28, 2011 11:19 PM >> *Subject:* Re: [S-C] Samba da Bahia >> >> Excelente texto JL, vou jogar um pouco de lenha na fogueira com um >> texto do ex-secretário de cultura que acabou de sair do cargo em 2010, >> Márcio Meirelles, em que entre outra coisas ele alerta: "...é preciso >> diferenciar cultura, de produto cultural..." >> >> Abs >> >> Marcelo Neder >> >> Meu gosto pessoal é inclusivo: gosto tanto de ouvir *Rebolation* quanto >> Bach ou Cage ou Beatles ou Lucas Santana. Assim como monto Goethe ou Brecht >> e leio histórias em quadrinhos e me comovo com novela das seis ou afoxés. >> Não tem que ser isso ou aquilo. Pode ser tudo. Porque tudo tem sua poética. >> >> Cada coisa é cada coisa. Por exemplo: letra de música não é poema, apesar >> de usarem ambos a mesma matéria prima: palavras. Nas letras de música, as >> palavras precisam ser associadas a rítmos, melodias e harmonias para criar >> imagens, reflexões, deleite, diversão... Nos poemas, as palavras sozinhas >> criam ritmos, harmonias, melodias e imagens, dependendo do talento do poeta. >> Isolar a letra da música, às vezes, é como tirar um peixe da água. Mas >> musicar um poema pode resultar numa superposição desastrosa. Mesmo que as >> duas experiências, eventualmente, possam resultar em sucesso. >> >> Para adentrar no debate, precisamos diferenciar cultura, produto cultural, >> arte e indústria cultural. São coisas distintas que se complementam. Não se >> desmerecem nem há hirarquia. Há, sim um “ecosistema” cultural. Redes >> produtivas que tornam tudo isso rico, diverso, viável e sustentável. >> >> A cultura – nossos comportamentos, saberes e fazeres – nos alimenta de >> modos e símbolos que nos identificam e permitem dialogar com o outro. E >> quanto mais consigamos tocar outros, melhor. Podemos ter duas sensações >> distintas: a de que podemos melhorar o mundo, partilhando valores comuns; ou >> a de que podemos dominar o mundo. >> >> E esse universo simbólico, vocábulos e repertórios identitários, traduz-se >> e se condensa em produtos culturais: objetos materiais ou imateriais, frutos >> dos relacionamentos do indivíduo com a natureza, do cidadão com a sociedade >> e da preservação dessas relações pela memória coletiva. >> >> A arte – ato de fazer com esmero – ressignificando os mesmos processos, >> muitas vezes com lógicas subvertidas, constroi objetos artísticos que viram >> referências, ícones, acervos, a patir de um consenso que envolve academia, >> mídia, mercado. >> >> A indústria cultural possibilita a sustentabilidade da arte e o acesso a >> ela, gerando, a partir da apropriação das linguagens e produções artísticas, >> novos ícones e produtos artístico-culturais. Produzidos ou reproduzidos em >> série e, cada vez mais, oferecidos ao público por engenhosos sistemas de >> marketing, são transformados em objetos de desejo e de consumo coletivo, >> democratizando/massificando o acesso ao que era exclusivo domínio de um >> grupo. >> >> Por mais que nos choquemos, a arte é objeto de consumo e produto de troca >> desde sempre. A renascença começou a descentralizar isso, deslocando o eixo >> de produção e patrocínio da esfera do público, determinados pelo Estado e >> pela Igreja, para a do privado, com o surgimento da burguesia e dos mecenas. >> E também deu início a popularização de alguns setores, como o da literatura >> e das artes visuais, com as tecnologias de reprodução em série. Hoje, >> ingressos no teatro ou cinema, livros, cds, dvds, quadros, gravuras e todos >> os conteúdos veiculados pelas indústrias da comunicação e da informação são >> comprados – ou seja, o acesso à produção artística se dá através de troca, >> ainda que essa troca possa ser subsidiada ou totalmente financiada pelo >> Estado ou por patrocinio da iniciativa privada. O que gera recursos e >> valores. >> >> Para uma elite manter sua posição não basta apenas o domínio e acúmulo de >> recursos econômicos. É preciso também um domínio e acúmulo de bens >> simbólicos. E, sendo a linguagem também poder, essa elite constroi códigos >> restritos para a comunicação entre alguns, seus pares. A intimidade com >> esses códigos cria um grupo “culto” ou seja cultivado que se pretende >> cultuado sempre. As elites excluem evidentemente de seu círculo aquilo que é >> popular. Ou seja com o qual todo o povo – de qualquer classe – se >> identifica, entende, gosta e tem acesso. Podemos só lembrar a reação da >> elite branca brasileira ao lundu, ao candomblé, ao samba, à capoeira: >> expressões simbólicas dos pretos, das “classes inferiores”. Poderia citar >> outros exemplos de rejeição. Mas fiquemos por aí. >> >> Isso acontece nas sociedades até um Picasso reconhecer e se apropriar dos >> valores estéticos das máscaras africanas, por exemplo. Até a indústria >> transformar o lamento do blues em discos, vendáveis. Até o cinema perceber o >> potêncial dramático e catártico das vidas nos guetos sociais. Aí a coisa >> muda. >> >> Acontece que as periferias cansaram de cultuar a produção simbólica da >> classe média e seus artífices. Cansou de ver sua própria produção simbólica >> retrabalhada em nova embalagem e seus artístas ascenderem e decaírem por >> força de um mercado consumidor. Cansou de ver os seus objetos – música, >> literatura, etc – serem considerados sub cultura... >> >> As periferias resolveram tomar atitude e cultivar seu próprio discurso, >> comunicar-se com seu igual através de seus próprios códigos estéticos. Virar >> as costas para uma sociedade que sistematicamente se recusa a encarar de >> frente a situação. >> >> A criação desse novo discurso inclui novos agentes culturais, novo >> vocabulário, novas mídias, novo mercado. Uma nova cadeia produtiva que não >> faz questão de dialogar com o centro. Que vive independente da vontade ou >> interferência dos veículos ou agentes da indústria cultural central. Isso é >> possível agora, graças às novas tecnologias digitais. >> >> E as elites, através de sua juventude, que – questionando valores >> geracionais, acabam batendo de frente com valores de classe – passam a >> consumir essa nova produção cultural, a vestir, falar, andar como os jovens >> das periferias. A cultuar esses novos valores. Integrando esteticamente, de >> alguma forma, a periferia ao centro. >> >> Evidentemente, parte dessa elite, com uma intuitição ou consciência >> coletiva, de classe, percebe o perigo que suas posições correm, quando os >> pretos e pobres saem das páginas policiais e ocupam o caderno de cultura. >> Sabe também o perigo que corre quando seus jovens começam a frequentar as >> páginas policiais, atraídos pela mítica da periferia (“seja marginal, seja >> herói”) e buscar aventura no lado B da cidade, que inclui também, como bônus >> track, as drogas e seu discurso completo, sua nova sintaxe vernacular e >> comportamental. Essa elite passa então a execrar a estética produzida na >> periferia, suas expressões e produtos. >> >> Mas não tem jeito, a indústria cultural e a mídia abrem espaço para os >> novos produtos extremamente vendáveis que, pelo seu apelo popular, já >> construiram um mercado paralelo. É o que está acontecendo. A juventude se >> veste, fala, se comporta como garotos de favela. As gírias vem do mundo das >> drogas e as músicas, danças e meios de curtí-las são também modos vindos da >> periferia. O exótico, o erótico, vêm com carga transgressora poderosa e >> promessas de vivências culturais inéditas. >> >> É o que está acontecendo. O repertório é direto, tem novos códigos. A >> qualidade não se mede por letras de músicas que podem sobreviver sozinhas >> como poesia apaziguadora. A beleza é outra beleza. A desistência da >> aspiração pelo eterno vem da consciência da finitude e fragilidade da vida, >> que acaba com uma bala perdida, uma batida policial. Tudo é fugaz e >> reciclável. Tudo é reposto com muita velocidade, como os grafittes. Os novos >> ídolos que surgem como revelação e se extinguem como fogos de artifício, não >> são ídolos, são objetos de desejo que, consumado, os devora. Não é preciso >> sofisticação para o fast food, apenas uma boa campanha de marketing e um >> sabor impactante. >> >> Quando as barreiras políticas e sociais são detonadas pela cultura. Quando >> estética e repertório da periferia invadem o centro. Tanto faz onde vamos >> enfiar o que está *todo enfiado*. Precisamos repensar valores. Incluir. >> Porque é a exclusão que gera a violência. Os parametros estéticos, os >> paradigmas formais, os conceitos dos contemporâneos antenados, a cultura e a >> civilização, eles que se danem. Ou não. >> >> Viva o *Rebolation* e a alegria de mexer os quadris. >> >> >> >> >> >> Salvador, abril de 2010 >> >> marcio meirelles >> --- Em *qui, 24/3/11, JL Vivas <[email protected]>* escreveu: >> >> >> De: JL Vivas <[email protected]> >> Assunto: [S-C] Samba da Bahia >> Para: [email protected] >> Data: Quinta-feira, 24 de Março de 2011, 10:20 >> >> Extraido de http://ojuobaproducaoturismo.blogspot.com/ >> =========================== >> >> O samba está em alta? >> >> Essa é uma pergunta que exige uma reflexão. Em 2003, pouco se falava de >> samba na Bahia, a idéia de se cantar samba era vista com preconceito e havia >> pouquíssimos artistas (dentre eles Gal do Beco, Barlavento, Neto Bala, >> Batifun , Clécia Queiroz) e casas onde se tocasse esse gênero musical. Hoje, >> assistimos pipocarem grupos e muitos são os espaços criados especialmente ou >> utilizados para abrigar o samba, que aliás ganhou espaço dentro do carnaval >> e no Festival de Verão. Então voltamos para a pergunta: O samba da Bahia >> está em alta? Qual é o samba produzido na Bahia nos dias atuais? O que é >> mesmo esse samba da Bahia? >> >> Em 2004, o samba de roda do Recôncavo Baiano foi reconhecido >> como Obra-Prima do Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO e algumas >> medidas foram tomadas para a sua salvaguarda, como oficina da viola machete >> - viola característica do samba-chula do Recôncavo - e produção de CD, em >> realidade um registro maravilhoso de sambas da região. No entanto, será >> mesmo o samba de roda o que tem vigorado na produção dos artistas locais >> e desfilado na avenida no carnaval? Sabemos que a Associação dos >> Sambadores e Sambadeiras da Bahia - Asseba, criada em função do Plano de >> Salvaguarda para o reconhecimento do samba de roda da Unesco, - reúne hoje >> mais de noventa grupos e competentemente tem promovido encontros entre >> mestres, pesquisadores, rodas de samba e shows no Recôncavo, >> cidades brasileiras e até mesmo no exterior. No entanto, esses grupos >> visitam pouco Salvador e não são eles que freqüentam as páginas dos jornais >> no final de semana. Quantos são os grupos e artistas das mais novas gerações >> que se dedicam ao samba de Roda na capital? É o samba de roda mesmo o que >> está se chamando de samba da Bahia? Ele está nas escolas, nas rádios? O >> samba da Bahia tem uma outra identidade? Ou será o modismo, oportunismo >> ou vislumbramento de retorno financeiros de muitos grupos, que apenas >> repetem a fórmula do samba urbano carioca (ou brasileiro), sem nem ao menos >> estudar um pouco mais sobre o samba, o que tem pintado nas rodas da Bahia? >> Questões a serem refletidas... >> >> -----Anexo incorporado----- >> >> _______________________________________________ >> Tribuna Livre, uma lista de discussão de Samba & Choro >> Para cancelar: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela >> Assine: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina >> Estatutos da Gafieira: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/estatutos >> >> ------------------------------ >> >> _______________________________________________ >> Tribuna Livre, uma lista de discussão de Samba & Choro >> Para cancelar: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela >> Assine: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina >> Estatutos da Gafieira: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/estatutos >> >> >> _______________________________________________ >> Tribuna Livre, uma lista de discussão de Samba & Choro >> Para cancelar: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela >> Assine: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina >> Estatutos da Gafieira: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/estatutos >> >> >
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