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Muito estranho o uso da lista para fins de pol�tica
contra. Soares Feitosa
----- Original Message -----
Sent: Sunday, January 20, 2002 11:36
AM
Subject: [Direito Tributario] Roseana
Sarney -- "Viva a _cachaca e circo_ do Maranhao"
Direito_Sa�de e Bio�tica
-- 20.01.2002 Saiba a verdade sobre morte encef�lica
e
transplantes
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Muitos podem
estar se perguntando, com certa perplexidade:
SE, de todos
os Estados brasileiros, o Maranh�o � o que apresenta a situa��o
social mais calamitosa, mantendo (desde 1985) o pior PIB per capita
do Pa�s;
SE o Maranh�o tem hoje a maior parcela da popula��o
(62,37%) vivendo abaixo da linha de mis�ria (menos de R$ 80 por
pessoa, por m�s), de acordo com oMapa da Fome da Funda��o Get�lio
Vargas (FGV);
SE, nas duas gest�es da governadora Roseana
Sarney, a pobreza s� cresceu no Maranh�o, pois, segundo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estat�stica (IBGE), o n�mero de fam�lias
que l� vivem com at� meio sal�rio m�nimo aumentou 37% - enquanto no
resto do Pa�s diminuiu 22%; se, nas duas gest�es da governadora Roseana
Sarney, cresceram tanto a mortalidade infantil quanto a evas�o
escolar - segundo dados da mesma respeitada institui��o, contidos
no Censo 2000; se, segundo a �ltima medi��o do �ndice de
Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, o Maranh�o est� no mesmo patamar
de mis�ria de na��es africanas como Gana e Congo - e basta lembrar que
39,8% das casas maranhenses n�o t�m sequer banheiro ou sanit�rio;
como se explica, ent�o, o fato de a governadora Roseana Sarney
alcan�ar um bom �ndice de aprova��o em seu
Estado?
E como se explica o fato de, nos �ltimos 36
anos - isto �, desde 1965, quando Jos� Sarney se elegeu
governador do Maranh�o -, o eleitorado maranhense ter
escolhido, para o governo do Estado, uma seq��ncia ininterrupta de
correligion�rios e amigos diletos de Jos� Sarney (Jo�o Castelo
Ribeiro Gon�alves, Oswaldo Nunes Freyre, Luiz Rocha, Epit�cio
Cafeteira, Jo�o Alberto, �dison Lob�o e a filha Roseana Sarney), se
nesse tempo todo o Maranh�o, que no passado fora um marco cultural e
hist�rico do Pa�s, entrou em franca decad�ncia econ�mica, social e
cultural ?
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Decifremos o
enigma. ___
Antes de mais nada, a fam�lia Sarney exerce
dom�nio absoluto sobre todo o sistema de comunica��o do
Maranh�o.
� dona do principal jornal - O Estado do Maranh�o
- e do principal sistema de r�dio e televis�o - o Sistema
Mirante e o Mirante Sat, que recebem o sinal da Rede
Globo.
Os outros dois sistemas de TV mais importantes do
Estado pertencem a correligion�rios e/ou dilet�ssimos aliados da
fam�lia, como � o caso do dono da Difusora (que recebe o sinal do
SBT), senador �dison Lob�o, e do dono da TV Praia Grande (que recebe o
sinal da Bandeirantes), deputado estadual Manuel Ribeiro, h� oito anos
presidente da Assembl�ia Legislativa do Maranh�o (onde a governadora
tem 36 dos 42 membros).
Interagindo com o governo, num
processo de publicidade institucional massificada, intensa e
constante, os sistemas de comunica��o social maranhense
exercem, com perfei��o, um duplo
papel.
Primeiro
� o de manter um clima permanentemente festivo,
com a divulga��o diuturna das promo��es governamentais, dentro da
estrat�gia de programa��o pol�tico-espetacular denominada
"Viva".
Trata-se do seguinte: o governo maranhense
organiza, permanentemente, festejos p�blicos em diferentes locais, com
ampla concentra��o popular, tendo como p�lo de atra��o artistas famosos,
dan�as, farta venda de bebidas, etc.
Batiza-se a grande festa
de acordo com o nome do bairro ou da regi�o escolhida: por
exemplo, "Viva Renascen�a!", ou "Viva Maiob�o!", ou "Viva
Liberdade", ou "Viva Bairro de F�tima", ou "Viva Madre Deus",
ou "Viva Anjo da Guarda".
Certamente � uma iniciativa
inspirada na velha pr�tica dos imperadores romanos, denominada
panem et circenses (embora sem panem, pelo que talvez mais
apropriado fosse denominar cacha�orum et circenses).
O
segundo papel fundamental do integrad�ssimo sistema de comunica��o
controlado pela fam�lia Sarney consiste em abafar tanto fracassos
administrativos quanto irregularidades apontadas ou investigadas -
seja pelos Tribunais de Contas, pela Pol�cia Federal ou pelo Minist�rio
P�blico -, que acabam deixando de se tornar, pela absoluta
desinforma��o popular, objeto de press�o por parte da opini�o
p�blica maranhense.
Dentre os in�meros exemplos de
atua��o dessa morda�a comunicol�gica, poderiamos mencionar o caso do
P�lo de Confec��es de Ros�rio, um ambicioso projeto de U$ 20
milh�es - a cerca de 100 km de S�o Lu�s -, inaugurado
pomposamente (com a presen�a de FHC), para gerar 4 mil
empregos.
Na verdade, tratava-se do conto-do-vig�rio de um
chin�s de Taiwan interessado em vender m�quinas de costura - e que
acabou preso em Manaus, por estelionato. E o que era para ser uma moderna
cooperativa, alardeada pela governadora, se tornou uma minguada produ��o
artesanal, que s� emprega cerca de 400 pessoas, ganhando em
torno de R$ 100 por m�s (por falta de
coisa melhor).
Ou o caso da Usimar, projeto or�ado em
R$ 1,3 bilh�o, que teve aprova��o recorde (com o empenho total da
governadora e de seu marido) na Sudam, levantou com rapidez
in�dita R$ 44 milh�es e evaporou (pelo que o Minist�rio P�blico
entrou com a��o civil contra Roseana e Jorge Murad).
Ou o
caso Salang�, projeto de irriga��o destinado � produ��o de arroz
e c�tricos, que recebeu cerca de R$ 60 milh�es h� anos, n�o produz
nada e est� eivado de graves irregularidades (inclusive superfaturamento),
segundo o TCU.
Ou o caso do projeto de despolui��o da Lagoa
de Jansen (centro de S�o Lu�s), que tamb�m gastou R$ 60
milh�es (federais) para n�o despoluir nada, al�m das graves
irregularidades (inclusive superfaturamento) apontadas pelo
TCU.
Ou o caso da estrada fantasma" Paulo
Ramos-Arame, onde foram gastos U$ 33 milh�es em obras inexistentes. Ou o
caso da duplica��o do Projeto Italuis - R$300 milh�es -, obra de
saneamento tamb�m com graves irregularidades ( inclusive
superfaturamento ) apontadas pelo TCU.
Nada disso � trazido �
discuss�o p�blica pelos ve�culos de comunica��o maranhenses. E,
convenhamos, uma popula��o em que 39,8% de seus integrantes n�o podem nem
dispor de chuveiros e privadas na pr�pria resid�ncia, e para a
qual n�o foram constru�das novas salas de aula nos �ltimos sete anos, que
tipo de espir�to cr�tico poder� ter desenvolvido - nas �ltimas
tr�s d�cadas e nos �ltimos sete anos - dentro da
anestesiante festividade com que tem sido embromada a sua sensa��o de
real ( mesmo que charmosa )
mis�ria?
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Mauro Chaves � jornalista,
advogado, escritor e produtor cultural E-mail: [EMAIL PROTECTED]========================== ENDERECOS SOBRE
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