Olá Paulino,

Poxa, queria aprender a escrever tão bem... hehehe

É isso q estava tentando dizer, usuário windows não é burro e preguiçoso,
mas uma coisa temos q admitir, a Microsoft e outras empresas entenderam q
muitos utilizam o pc como ferramenta e se esforçam para facilitar em muito a
vida do usuário final.

Esse tipo de discussão q me motiva ainda mais nessa comunidade, é isso... é
ver uma discussão sobre um problema q temos ser saudável e com sugestões de
idéias como essa dos tutoriais que ajudariam mtaaaa gente como eu por
exemplo.

Mais uma vez agradeço,

Abraços,
Saulo



On 9/23/06, Paulino Michelazzo <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
> >
> > Já fui mutas vezes enxovalhado em listas, não tive minhas perguntas
> > respondidas, etc. Mas uma coisa importante que vocês tocaram no
> > assunto é: o usuário que está saindo do windows e vindo para o Linux.
> > Este usuário não gosta de ler manuais, tutoriais, etc. Ele quer a
> > resposta pronta. E aí é que está o problema todo: quem aprendeu lendo,
> > mexendo, quer que o inicinate faça o mesmo! Pode ir tirando o cavalo
> > da chuva. Tenho experiência de amigos, aos quais apresentei o Linux, e
> > que não foram para frente por este motivo: eles não gostam de
> > aprender. Querem apenas usar.
>
>
> Renato,
>
> Tenho que discordar de você devido aos meus pelo menos 10 anos trabalhando
> com treinamento de usuários de todas as plataformas.
>
> Na verdade padecemos por dois problemas crônicos onde um se reflete no
> outro
> de uma forma muito intensa. A comunidade Linux, com raras excessões, é
> ruim
> demais para fazer um how-to, um tutorial ou até mesmo para escrever um
> e-mail, sendo muitas vezes vergonhoso as "pérolas" que escrevem. Isso
> acontece em nosso país por um motivo histórico. Carregamos conosco uma
> herança maldita desde nossos colonizadores no tocante a educação e mesmo
> com
> o teatro da abolição da escravatura, continuamos a usar correntes em
> nossos
> pés. Claro que isso é reflexo de outra área social mas não vem ao caso
> neste
> momento.
>
> Junto com o ingrediente da falta de educação, tem-se um outro muio grande:
> falta de competitividade. Ao contrário do mundo "fechado", o mundo aberto
> não precisou concorrer com ninguém. Isso resultou que fazemos ótimos
> sóftwares mas voltados a quem sabe usar e não a quem não sabe (o usuário
> final). Diante disso, treinamentos e documentação de alta qualidade foi
> deixada de lado pois "todos" sabiam ler um how-to com 120 comandos para a
> compilação do kernel, por exemplo.
>
> Diversas teorias muito bem embasadas contam que os seres vivos se adaptam
> aos meios. Plantas se tornam aquáticas por necessidade, animais mudam sua
> dieta por falta de alimento, seres humanos aprendem novos idiomas por
> estarem em outros países. A teoria é bonita e pode ser aplicada aqui, mas
> existe um problema. Leva-se anos, décadas para que um determinado ser vivo
> se adapte ao meio (quando se adapta) e, infelizmente, não temos estas
> décadas dentro de nossa sociedade.
>
> Usuários "windows" estão acostumados a não pensar? Não é verdade. Eles
> estão
> acostumados com as facilidades, mesmo que maquiadas e efêmeras, de um
> sistema operacional homonêgeo e que integra dezenas de coisas dentro dele
> acessados por leves toques. Além disso, aplicativos criados para esta
> plataforma tendem a seguir os mesmos conceitos e também os níveis de
> facilidade (reforço, maquiados) do sistema operacional.
>
> No tocante ao conteúdo de documentação, quando falamos na plataforma
> Windows, eles simplesmente dão uma surra de tacape no mundo livre. Por
> quê?
> Pelo simples fato que a competição do outro lado ser acirrada e assim,
> aquele que consegue abocanhar determinada fatia do mercado o faz
> principalmente porque seu suporte e documentação auxilia realmente para
> que
> o usuário aprenda sem ter muita necessidade de "convocar" a empresa
> fornecedora ou ainda a recorrer ao vizinho ou ao sobrinho.
>
> Vou lhe citar um exemplo simples disso: gosto de música em um nível mais
> alto que a maioria das pessoas. Trabalhei em emissora de rádio como
> técnico
> de gravação e em casas noturnas da região de Campinas/SP por longos cinco
> anos. Todos aqueles aparelhos cheio de botões existentes eu os conheço de
> trás para frente (incluindo ai os DSP's Alesis ou Yamaha). Aproximadamente
> em 97 descobri um aplicativo chamado SoundForge que, até hoje em minha
> humilde opinião, é um dos melhores editores de áudio já lançados. Lindo,
> maravilhoso, cheio de efeitos e outras coisas. E ele tinha uma vantagem:
> mesmo sendo aterrorizantemente complexo, contava com uns tutoriais
> multimídia que qualquer ser unicelular seria capaz de usá-lo (prova viva
> sou
> eu).
>
> Quando de minha "migração" para Linux, conheci o Audacity. Um aplicativo
> similar no conceito e funcionalidades mas anos-luz de distância no quesito
> documentação. Resultado? Até hoje procuro efeitos simplórios dentro dele e
> não os acho, mesmo sabendo que existem.
>
> Agora, a pergunta de um milhão: Sou eu um vagabudo que quero tudo a mão?
> Não
> mesmo, longe disso. Eu fuço e muito. Apelo, peço ajuda, converso. Mas não
> encontro; simplesmente não encontro o que me satisfaça. Eu sou exigente?
> Também. Mas a patota do Audacity é da turma do "quem vai usar é nerd". Aí
> meu caro, eu não sou nerd, sou um apreciador de música e um cara que adora
> brincar com pistas de áudio. Será mesmo que preciso ser nerd para usar um
> aplicativo destes?
>
> Outro deles eu mesmo forneci há alguns dias aqui na lista (a questão da
> conversão de formato de vídeo). Um dos colegas me deu uma linha de comando
> do fffmpeg que funcionou redondo mas... e se eu não sei abrir um console?
> E
> se eu quero mudar as propriedades?
>
> Vivo isso dentro da comunidade Mambo brasileira donde sou mantenedor.
> Enquanto o software não foi totalmente passado para português, seus
> downloads não chegavam a 100 por semana. A versão em PT-BR está com duas
> semanas no ar com quase 1500 downloads! Da mesma forma, fiz um teste no
> tocante a documentação. Criei um wiki onde toda a documentação está sendo
> colocada à disposição. Entretanto, percebi que pouco era usada,
> principalmente aquela que era somente texto. Criei alguns tutoriais com
> imagens (screenshots) dos procedimentos e percebi que aumentou em muito o
> uso, mas com um detalhe: o tempo de acesso à documentação não era o
> esperado.
>
> Isso resultou na seguinte conclusão: o usuário não lê; ele vê a
> documentação, ou seja, segue os passos mediante as telas apresentadas.
> Esta
> conclusão é fácil de ser tirada mediante ao tempo de visitação em uma
> página
> e uma leitura nela. Se o tempo é menor, está sendo usada desta forma.
>
> Para corroborar minha tese, criei com uma ferramenta da Adobe um tutorial
> multimídia para a execução de um determinado procedimento. Espanto! A
> página
> contou com mais de 600% de acessos e recebi 10x mais e-mails de
> agradecimento sobre o "filminho".
>
> Com isso, o que concluí (e também para concluir minha linha de
> pensamento):
> pecamos na hora de documentar. Escrevemos "wikipédias" de textos e não
> colocamos uma mísera figura. Fazemos milhares de how-tos cujo o público
> alvo
> são nossos pares e não aqueles que não sabem. Com isso, perdemos força
> pois
> quem fica não é aquele que sabe um pouco mais, mas sim aquele que tem mais
> "saco" para ler.
>
> (Quantos aqui tiveram saco para ler este e-mail?)
>
> Pense à respeito
> Abraços
>
> Paulino
>
> --
> Paulino Michelazzo
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