Em Qua, 2006-11-29 às 11:11 -0200, Edgar Gabaldi escreveu: > Saudações Lista, > > Na empresa onde eu trabalho, temos o seguinte quadro: > > - 4 Servidores (Linux) > - 45 Estações de trabalho (Windows XP) > > Acredito que várias pessoas nessa lista tem uma realidade parecida com essa. > Estou pensando em migrar as estações de trabalho, gradativamente para Linux. > Só que tenho alguns problemas. Como aplicações for windows. > > Bom, eu sei que existe o Wine que faz a emulação da plataforma Win32, alguem > aqui já teve problema com o Wine? Recomendam? Funciona genericamente para > várias aplicações? > > Alguem na Lista já fez migração parecida? Alguma dificuldade (Alem da > aceitação dos usuários)?
Posso te passar um breve relato de uma das maiores experiências de migração para Linux de todo o mundo, que eu estou testemunhando: a do Banco do Brasil. Eles começaram instalando OpenOffice em todos os terminais e removendo o MS Office. Além disso orientaram todos os funcionários a migrarem seu trabalho do Lotus SmartSuite e do IBM Works (dois pacotes jurássicos que o banco ainda usava). Esta parte foi meia-boca pois os gerentes tinham permissão para habilitar algumas máquinas com Word e quem queria usar Word ia nessas máquinas e continuava usando --- mesmo sabendo que o Word só estaria disponível por mais alguns meses (sim, o ser humano médio é uma besta). Também teve muita gente que continuou usando SmartSuite e Works e perdeu todos os seus documentos no final da migração (prepare-se para algo do tipo). Depois migraram os servidores, silenciosamente. Depois que os servidores estavam migrados (e funcionando), realizaram uma primeira fase de migração, para testes, em máquinas de uso mais restrito (terminais de caixa). Há algumas semanas começaram a desativar o MS Office nas máquinas que ainda rodam Windows. Havia alguns aplicativos que eram customizados e feitos em REXX (uma interface do OS/2). Eles tiveram que ser praticamente reescritos para Linux, usando uma biblioteca REXX para Unix (que eu não sei o nome pois as restrições do sistema não nos deixam "fuçar" muito). Havia alguns aplicativos que eram feitos em uma versão pré-histórica de Java que rodava no OS/2 (Terminais de Uso de Caixa e Administrativo). Estes foram portados para Java 1.4 padrão da Sun. Nada foi feito por emulação. Tudo foi feito substituindo os aplicativos por outros disponíveis no Linux. No caso dos aplicativos cujos equivalentes são muito diferentes o Banco simplesmente desencorajou seu uso. Houve uma preocupação de tornar o ambiente o mais familiar possível: usam KDE com kicker simples, e poucos programas no Menu. Até o posicionamento dos ícones na área de trabalho é fixo. Foi aberto um canal interativo para críticas e sugestões (fórum). Esse fórum passou a ser monitorado e os comentários desestabilizadors foram moderados com rigor. As sugestões estão sendo, na medida do possível, implementadas e isso está sendo anunciado como uma vantagem do Linux: "Com o Linux você pode facilmente adaptar o ambiente de acordo com a necessidade". Durante a fase de transição o formato padrão dos documentos no Banco fica sendo ainda o MS Word 95 (para compatibilidade com o SmartSuite 97 e com o MS Word). Após o término da migração é provável que o Banco mude tudo para OpenDocument. Houve, é claro, resistência. Desde os que acharam o Linux "feio" até os que juraram que nunca vão conseguir aprender a usar outro "editor de texto" (sic) além do Word. Mas as reclamações são tratadas de modo muito simples: são ignoradas. A empresa tem uma política de redução de custos e de independência tecnológica que não será detida por alguns funcionários. Acredito que seja mais fácil remover os funcionários reclamões do que remover o Linux (dado o grau de compromentimento que está sendo demonstrado). Resumindo: se você quer migrar para Linux sem pisar no pé de ninguém, desista: o sonho maior da maioria dos seres humanos é viver até 100 anos sem ter que aprender nada. O novo assusta. E quanto mais as pessoas acham que sabem, mais defeitos elas põem no novo. Agora falemos do Wine. Ele está bastante estável (Versão 0.96). Tenho usado regularmente para rodar vários tipos de programas e de modo geral ele tem executado quase todos, menos aqueles que se baseiam em DLLS muito especificas (pois as DLLS que ele usa são as padrão do sistema, ele ignora por padrão as DLL em C:\Windows\System32). Não confie naquela AppDB do Wine pois há milhares de programas lá fora que funcionam e não estão na lista porque ninguém pôs ou porque ninguém testou (mas eles não têm porque não funcionar). Atualmente o Wine já tem até integração com o Linux. "Meus Documentos" do Windows, por ex, aponta para "~/". Recomendo que você instale em um computador para teste, de preferência longe das pessoas, em uma sala trancada ou até fora da empresa. Durante a fase de testes o Linux deve ficar oculto: só deixe ele ser visto quando estiver funcionando. Não deixe as pessoas terem desculpas para "bater" no Linux antes de ele estar pronto para impressionar. Principalemnte não deixe elas ficarem envenenando o seu chefe dizendo que "nada está funcionando" até ele mandar você desistir disso e comprar 40 licenças do Vista. Boa parte do sucesso de uma migração depende mais do "tato" na hora de administrar o processo do que da qualidade dos programas. Principalmente, comece a educar o usuário antes de começar a migrar. Deixe todos saberem dos problemas antes de apresentar o Linux como solução. E acabe com a dependência em programas que não podem ser substituídos ou rodar via Wine. Espero que meu relato tenha algum insight importante para você e para outros que o lerem. -- José Geraldo Gouvêa <[EMAIL PROTECTED]> -- ubuntu-br mailing list [email protected] www.ubuntubrasil.org https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

