Olá Luciano, que iniciou a discussão, e a todos os outros... Também sou Professor, mas de Engenharia Elétrica em uma Universidade Pública. Olha só, isso que você falou é que me deixa um tanto preocupado.
Entendo claramente que a "função" atual da Universidade Particular, dadas as conversas que tive desde o último COBENGE e dado que as faculdades particulares já somam quase 80% do público alvo no Brasil para o curso superior, seja de preparar o aluno (odeio esse termo, simplesmente porque ninguém é tão "sem luz" assim, principalmente em um curso superior, mas ...) para o mercado de trabalho. Mas o que me deixa preocupado é o fato de que isso muitas vezes é justificativa para não se olhar para frente! O objetivo primário de qualquer "Universidade" seja ela pública ou privada é dar um "conhecimento universal" às pessoas que a procuram em sua respectiva área e atuação. E mais, que este conhecimento não seja vinculado ou, ao menos, não esteja preso à técnica então estabelecida, porque, no futuro, a técnica ou e estado da arte irá mudar, enquanto que o conhecimento básico dos princípios daquela ciência, o funcionamento de determinado fenômeno etc. estes deveriam ser "perenes" ou, ao menos duradouros... Vou dar uns exemplos bem dentro da minha área: no início eram PCBs camada simples ou duplas que eram fabricadas com máscaras produzidas com técnicas de serigrafia (normalmente manual mesmo) e corrosão química. Depois vieram as camadas múltiplas e o uso de componentes SMD; agora as PCBs são fabricadas como se fossem chips: múltiplas camadas e cada camada com técnicas de serigrafia e tratamento químico com metalização à vácuo, totalmente automatizadas, para dispositivos com tecnologia ball grid array. Essas tecnologias tem uma vida média de 10 anos. Se eu tivesse ensinado a primeira técnica aos meus alunos a uns 8 anos atrás eles estariam completamente fora do mercado. Para completar o exemplo, vejamos o caso das ferramentas de software para produção de PCBs: antes eram CADs normais, tipo autocad, no DOS mesmo. Agora os programas mais comuns são no windows e já estão bem longe do autocad, pois são CADs específicos para PCBs, mas os sistemas mais avançados estão em plataformas de trabalho bem porrudas, tipo workstation solaris e unix like (linux inclusive), como se pode ver no Mentor (que tem versão windows, mas apenas o front-end). Imagina se a gente só utilizar ferramentas para Windows em nossos cursos (e infelizmente é isso que tá acontecendo)! O aluno ficará simplesmente fora do mercado mais valorizado, que o de PCBs de alto nível/avançadas, tecnologias estas que estão no mercado médio, onde a maioria irá atuar, daqui uns 10 anos. Bem, acho que com o exemplo o MEU ponto de vista ficou claro (e como é meu então vale tanto quanto qualquer outro, não quero fazer disso um cavalo de batalhas!) . Vou fazer algumas considerações, igualmente pessoais sobre o e-mail do Fabiano, pelo simples fato de que ambos somos professores e o assunto, acredito, interessa a ambos (mais uma vez, não penso em flames, mas em uma discussão saudável). 2009/4/7 Gerson Barreiros <[email protected]>: > 2009/4/7 Fabiano Caçador <[email protected]> > >> Olá Luciano, >> >> Sou professor, administrador da rede e co-administrador do parque >> tecnológico de uma faculdade particular, portanto vou emitir minha opinião >> embasada nos anos que tenho de trabalho e vivência. >> >> Bom, temos aqui 11 laboratórios de ensino com micros com os 2 sistemas, >> tanto o Windows (XP, adquirido com licença MSDNAA, uma aliança acadêmica >> com >> a Microsoft, licenças saem a preço reduzido, por um prazo finito por >> contrato que pode ser de 1 a 3 anos, renovável ) quanto o Linux, no caso >> Ubuntu 8.10 Em nossos laboratório, o Windows domina. Há um pragmatismo em termos de uso de ferramentas, como expus acima. E acaba, em meu ponto de vista, que o curso se torna um curso da ferramenta e não da tecnologia e/ou da ciência. >> >> Acho válido e interessantíssimo o uso do Linux como sistema de determinadas >> disciplinas, tais como redes, arquitetura de computadores entre outras. >> Porém, não se pode restringir o campo de atuação de um aluno, um futuro >> profissional, a plataforma de software livre. Deve-se buscar as >> alternativas >> "em alta no mercado". Preparar este aluno para o ambiente competitivo e >> dinâmico que virá. E em determinadas áreas, o Windows domina ! >> >> Exemplo: Em termos de mercado, Dreamweaver domina o Desenvolvimento Web. >> Então, mesmo que queiramos adotar outro software, estaríamos indo de >> encontro a uma realidade, e consequentemente enfraquecendo o curso, até no >> seu próprio marketing interno. É aqui que vejo que às vezes estamos no caminho errado. Não deveríamos preparar o aluno para "usar" o dreamweaver, apesar de poder ser ele (já que é dominante no mercado) a ferramenta de escolha, mas deveríamos ensinar Web para os alunos no sentido mais amplo possível, para que ele pudesse sim usar dream, mas também qualquer outra ferramenta. Centrar na ferramenta é que considero um erro. >> >> É verdade que existem esforços para adaptar o conteúdo programático das >> disciplinas às opções de software livre na Instituição, mas isto depende do >> mercado. Existem casos que é o contrário, sem ferramentas open source seria impossível se dar o curso, exemplo: sistemas operacionais de tempo real! >> >> Caso se interesse, há uma pós-graduação em Lavras (UFLA), toda baseada no >> Software Livre. >> >> Entendo sua preocupação quanto ao perfil do alunado em geral, e acho que >> este será o seu diferencial para com os outros, porém, sendo franco, é >> preciso uma reforma no modelo pedagógico para que estes alunos se motivem a >> estudar mais. Não só no modelo pedagógico mas em todo o sistema educacional de nosso país, tanto na educação básica quanto nos demais níveis (superior então nem se fala: pegar neguinho que vem do segundo grau e não sabe o que uma função quadrática é dose! como querer que ele aprenda derivação e integração?!) >> Um bom início seria a imediata criação de grupos de estudo focados no >> linux, >> projetos de pesquisa e etc... >> >> Bom, é isso :) >> >> > penso que deveria ser usado Linux pelo menos nos computadores dos >> > laboratórios. O professor que cuida dos laboratórios veio explicar para a >> > turma que estes estiveram fechados por um tempo maior que o esperado >> devido >> > a carência de tempo para reinstalar o Windows, que estava bem arruinado >> nos >> > computadores (vírus, etc). Se estivesse sendo usado Linux, não estaria >> > acontecendo esse problema toda, e provavelmente não seria preciso >> > reinstalar >> > o sistema todo semestre. Bem, esse problema não é só das Universidades, se bem que elas sentem mais, porque os computadores devem ser mais livres para os alunos experimentarem, e um único computador acaba sendo usado por muitas pessoas, mas as empresas também passam por esse tipo de dificuldade. Olhe só, para o gerente de TI mais esperto um pouco, se ele levar em consideração também essas questões de TCO, sempre há espaço para o Linux. Já vi um caso em que um Unix rodou em uma empresa por 4 anos seguidos e nunca foi feito um reboot. Claro, quando foi desligado foi para aposentar a máquina! Os caras do CPD que ficaram responsáveis por fazer essa tarefa, nem ao menos sabiam o que fazer para desligar o sistema (todos, sem exceção, foram contratados depois do servidor em pé e ele simplesmente não dava pau: custo de manutenção = 0, e todos eram especialistas Windows, inclusive eu na época). >> > Até mais. >> > Luciano Santos >> > -- > > Tenho nada contra a instalação de Windows ORIGINAL nos laboratórios das > faculdades. > > O triste na verdade não é linux/windows é ter gente com mente fechada, hoje > nota-se a evolução crescente do Linux em vários setores, desktop, mobile, > servidores e tal, mas ao mesmo tempo, não podemos nos limitar a isso, temos > iphones no mercado rodando OSX por exemplo, N97 rodando Symbian, s.o é > apenas um s.o e não deve ser nada além disso... Uma interface do usuário com > o hardware, e para um aluno de computação, se travar apenas num S.O, é muito > ruim. Agora só pra provocar (olha aí felipe, masi lenha pros trolls): me digam o nome de uma tecnologia que a microsoft tenha inventado e que ainda não existia no mundo o open source? Não vale aquelas tecnologias que na verdade são só nome diferente porque é política da MS não usar nada aberto. Exemplo: CHM - uma web de páginas HTML compactadas, com um mecanismo de busca implícita e que é usada para criação de ajudas on-line - nada que uma Web pura (zip, tar, dar)eada não resolvesse. -- André Cavalcante Porto Alegre, RS. Ubuntu User number # 24370 -- Mais sobre o Ubuntu em português: http://www.ubuntu-br.org/comece Lista de discussão Ubuntu Brasil Histórico, descadastramento e outras opções: https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

