Mas note que, mesmo programas em GTK2, podem ser inacessíveis sob dado ponto de vista. A infraestrutura de acessibilidade utilizada pelo Orca ainda necessita de aprimoramentos. Um dos problemas mais famosos do orca é o das grandes listas. O Nautilus é acessível, mas se eu tentar navegar no diretório /usr/bin, com o meu processador i5, um trio de 3,26 GHZ e 4 de RAM, certamente será melhor fazê-lo por meio da linha de comando. É inacessível? Não. O problema é que há uma gravíssima degradação de desempenho quando se depara com listas muito grandes. Quando me movo para selecionar o próximo item, o tempo que ele demora para processá-lo é tão extraordinariamente grande que o uso é praticamente impossível. Então, o Nautilus é inteiramente acessível, mas em diretórios com volume exagerado de arquivos, o desempenho é tão ruim que, embora acessível, é contraproducente. Este também é o caso do leitor de RSS, Liferea. Há uma grande lista que, mesmo sendo a interface acessível, ainda assim não pode ser utilizado. Do mesmo modo, em Administração, temos a opção Conexões de Rede. Também é feita em GTK. consigo navegar entre botões e caixas de texto. Não há grandes listas que degradem o desempenho, mas ainda assim, sinto alguma dificuldade em revisar as configurações que lá estão dispostas. Enfim, há problemas e há um bocadinho de trabalho a ser feito. Mas já é um sistema bastante bom e não apenas para usos mais limitados. Estou muito satisfeito com o meu Linux. Considerava a Microsoft empresa preocupada com acessibilidade. Então, chegou o Office 2007 e o Windows 7. Ao invés dos menus tradicionais, utiliza um sistema de abas terrível. Tudo é acessível, não há dúvidas, mas o tempo de busca pelos controles que se quer, bem, o tempo aumentou muito muito. Visualmente, pode ser espetacular, magnífico... não sei... mas para quem utiliza leitor de telas, é medonho. O menu iniciar do Windows 7 também ficou confuso. A interface do Gnome e o sistema de abas tradicional utilizado nos programas com que me deparei são, além de acessíveis, muito confortáveis. Em suma, se não for GTK, não é acessível, se for, há grande possibilidade de que o seja. O meu primeiro leitor de telas foi em 1995. São 16 anos contornando questões de acessibilidade. Então, digo que o Linux caminha muito bem. Bom mesmo é conhecer os caminhos disponíveis sejam eles por meio da interface gráfica ou da linha de comandos. Depois de conhecidos, escolhe-se o melhor.
Em 21/02/11, xisberto<[email protected]> escreveu: > Leandro, realmente é importante lembramos quando colegas da lista usam > leitores de tela. Eu lembrava que o Luciano usa, mas tinha consciência de > que o uso da interface gráfica no caso seria mais fácil do que pela linha de > comando. > > Em 20 de fevereiro de 2011 19:33, Luciano de Souza > <[email protected]>escreveu: > >> >> Fazer tarefas por meio da linha de comando é, por vezes, desnecessário, >> mas como nem sempre consigo avaliá-lo, acabo por optar pela linha de >> comando >> por saber que é um caminho certo e que não terei de formular a pergunta >> novamente. Mas testei o presente caso. A criação de usuários pela >> interface >> gráfica é mais simples do que pela linha de comando. >> >> > É uma coisa somada. O orca trabalha com a acessibilidade dos programas que > usam a biblioteca GTK (como o Luciano explicou no e-mail dele). Todas as > interfaces de configuração do Ubuntu são em GTK, pois fazem parte do GNOME. > Logo eu já sabia que o orca as leria corretamente. Adicionalmente, criar um > usuário pela linha de comando envolve muitos detalhes, que a interface > gráfica já automatiza. Isso para definição dos grupos, principalmente. > > A interface gráfica oferece três "perfis" de usuários, isso nada mais é do > que 3 conjuntos diferentes de grupos a que esses usuários vão pertencer. Dá > pra fazer o mesmo pela linha de comando, mas isso tornaria a operação mais > complexa, talvez demasiadamente complexa. > > >> O Orca já faz muita coisa. Basta dizer que são acessíveis: Gedit, Writer, >> Calc, Firefox, Nautilus, Thunderbird, Rythmbox, Audacious, Audacity, >> Planer, >> Tomboy, Zim, CHMSee, GNU Cash, Gnome Baker, Pidgin, Ekiga, Gwget, >> SoundConverter, Eclipse, etc. Já não é uma lista tão pequena. Ser >> acessível >> não quer dizer que dá para fazer tudo, mas que todos eles são utilizáveis >> com maior ou menor conforto. >> >> > Você listou aplicativos que usam a biblioteca GTK. É simplesmente isso, o > orca lê os controles da GTK. Se você fizer um programinha em python que usa > GTK, e seguir certos parâmetros, ele já será lido pelo orca. De forma > semelhante ao que você citou do Window Forms. > > >> No Linux, há uma convivência entre muitas interfaces gráficas. Leitores de >> telas terão de interagir de modo diferente com cada uma delas. Para mim, >> esta é uma desvantagem. Mas é claro que há também vantagens. O fato de o >> código fonte das aplicações ser aberto, provavelmente facilita ao >> desenvolvedor do leitor de telas entender como funciona o aplicativo com o >> qual o leitor de telas tem de interagir. Além disso, no Windows, há a >> obsolescência programada. Quantas foram as vezes em que me considerei >> feliz >> em ter encontrado um programa e, ao atualizar o Windows, ele deixou de ser >> compatível? Não creio que o Linux está inteiramente preservado deste >> problema, mas sem dúvida, o efeito é muito menor. Então, se um novo >> aplicativo torna-se acessível, creio que se soma aos aplicativos >> acessíveis >> que já existem. Embora a oferta de programas acessíveis seja menor, penso >> que o fato de a obsolescência fazer menos vítimas, no médio a longo prazo, >> tornará o Linux o melhor sistema para usuários de leitor de telas. >> > > Acho que no mundo livre existe a obsolescência planejada (estou inventando o > termo agora). Algo se torna obsoleto quando precisa se tornar obsoleto, > quando não faz mais sentido manter o suporte (mouse usando porta serial, por > exemplo) e não quando deixa de ser lucrativo para alguma empresa (que é o > caso da obsolescência programada). É mais uma questão de acompanhar a > evolução do mercado versus ditar unilateralmente uma mudança de rumos. > > Mesmo assim, sempre haverá quem use a tecnologia obsoleta, e quem a > mantenha, mesmo que apenas um número reduzido de pessoas. > > -- > Humberto Fraga > http://lixaonerd.wordpress.com > http://ostelematicos.blogspot.com > > "Sur la tuta tero estis unu lingvo kaj unu parlomaniero." - Gn 11,1 > -- > Mais sobre o Ubuntu em português: http://www.ubuntu-br.org/comece > > Lista de discussão Ubuntu Brasil > Histórico, descadastramento e outras opções: > https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br > -- Luciano de Souza -- Mais sobre o Ubuntu em português: http://www.ubuntu-br.org/comece Lista de discussão Ubuntu Brasil Histórico, descadastramento e outras opções: https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

