12/10/2005
Nos EUA, 25 Estados exigem voto impresso;
no Brasil, discussão sobre o tema sumiu
Quase ninguém nota, mas desapareceu no Brasil a discussão sobre a necessidade (ou não) de haver voto impresso além do eletrônico. O argumento do TSE é que as urnas eletrônicas são seguras o suficiente para evitar fraudes. Os defensores de tese oposta acham que só o voto impresso servirá para eventuais recontagens em caso de suspeita de cambalachos.
Nos EUA, país muito menos desenvolvido que o Brasil, como se sabe, a discussão
é outra. Já são 25 os Estados norte-americanos que aprovaram leis exigindo voto
impresso além do voto eletrônico. Há uma campanha nacional para que todos os 50
Estados façam tal exigência (www.verifiedvoting.org). Além dos 25 que já têm
lei, outros 14 Estados e mais o Distrito de Colúmbia (onde está a capital
federal, Washington) têm propostas em debate.
O mapa abaixo mostra (em verde) os Estados que já têm lei exigindo o voto em
papel (além do eletrônico). Os Estados em azul têm propostas em debate. Em
vermelho, sem previsão. Em roxo, lei mista:
http://www.verifiedvoting.org/
O assunto é polêmico, controverso. O primeiro impulso é achar um absurdo
regredir para o voto em papel no século 21. Já uma análise mais atenta provoca,
no mínimo, dúvidas.
É verdade que o sistema brasileiro, totalmente criptografado, apresenta um alto
grau de segurança. Aparentemente até agora ninguém conseguiu fraudar uma
eleição. O problema não é esse. O ponto de interrogação é que nada impede
-sobretudo com o avanço da tecnologia- algum tipo de quebra de sigilo mais
adiante. Sejamos francos, seria uma catástrofe. Numa eleição majoritária
apertada, tal fraude poderia colocar em risco a democracia.
Semana que vem os eleitores brasileiros vão votar no referendo sobre venda de
armas. Será novamente uma eleição eletrônica. Muito bom. Mas na hora de apertar
o botão, só restará ao eleitor confiar na segurança do sistema... até porque,
se houver fraude, nunca se saberá como identificá-la.
O debate sobre a necessidade do voto impresso ficou muito prejudicado no Brasil. Seu maior defensor público foi Leonel Brizola (1922-2004), uma pessoa que sempre foi associada (por seus adversários) a temas ligados ao passado. É pena, pois parece que muitos países desenvolvidos continuam interessados no tema.
Quando e se ocorrer um grande escândalo, as instituições brasileiras terão de correr para tirar o atraso.
Escrito por Fernando Rodrigues às 16h25
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