Cara Anne Caroline,
Anne Caroline Prudêncio escreveu:
Gostaria de fazer uma observação no site votoseguro.org.
Na página "Quem somos", vocês escrevem que a primeira vez que foi utlizada a
Urna Eletrônica no Brasil, foi no ano de 1996.Bom, esse dado está totalmente incorreto,
pois a urna eletrônica foi utilizada pela primeira vez em 1989, na cidade de Brusque, SC
sob a supervisão do meu pai , Carlos Prudêncio,que foi o idealizador do voto eletrônico e
da urna eletrônica, juntamente com meu tio Roberto Prudêncio, técnico em informática.Na
época meu pai era Diretor do foro da Comarca de Brusque, e juiz eleitoral.Em 2004 foi
presidente do TRE de SC, e dando continuidade aos seus experimentos, utlilizou, pela
primeira vez seu mais novo invento, o Titulo Eleitoral Magnetizado.
Qualquer dúvida, estarei a disposição, inclusive para o envio de material.
Meus agradecimento
Anne Caroline
Eu tenho conhecimento da experiência pioneira do seu pai, Des. Carlos
Prudêncio, com máquinas de votar em Brusque em 1989. Recebi dele um grosso
compêndio de recortes de jornais sobre o evento.
Mas como a página "Quem Somos" do Fórum do Voto-e se refere ao surgimento do
nosso fórum de debates nela citamos o uso das urnas eletrônicas nas eleições de 1996
porque foi este fato que disparou o processo de nosso surgimento.
Para contornar a omissão neste caso, já alterei o texto daquela nossa página, incluindo a
expressão "em eleições oficiais".
Relativo à história das urnas-e no Brasil, na nossa página de "Ligações Afins"
já existe atalhos para as páginas da Samurai (detentor do pedido de patente das urnas-e
brasileiras) e da CERTI. Se a experiência com máquinas de votar em Brusque tiver uma
página na Internet, é só me informar o endereço que tenho todo o interesse em incluir um
atalho para lá.
Eu me preocupo em apontar as páginas que falem da história da informatização do
voto no Brasil porque a página oficial da Justiça Eleitoral (TSE) prima pela
omissão. Lá não consta absolutamente nada sobre a informatização da totalização
em 1982 no Rio de Janeiro (Caso Proconsult) e nada sobre as máquinas
eletrônicas de votar em Brusque em 1989.
Segundo eles a informatização da totalização só teria começado em 1985 e a
informatização da votação (urnas-e) em 1996.
Estas distorções propositais da história do voto no Brasil, por causa de
interesses pessoais por vezes mesquinhos, aos poucos vão minando a
credibilidade do TSE.
Quanto a questão do Cartão Magnetizado do Eleitor, não vislumbro nele muitas
vantagens. Não contem foto do eleitor, tem custo maior que título em papel
plastificado e pode ser falsificado da mesma forma que aquele.
Assim, cara Anne, eu reconheço o valor da experiência de Brusque e o pioneirismo de seu pai como você pode ver em mensagem que enviei ao Fórum do Voto-E em março de 2005 e que transcrevo abaixo para seu conhecimento, mas gostaria de colocar que o título de "idealizador do voto eletrônico e das urnas eletrônicas" deve ser considerado com um pouco mais de moderação.
Com o surgimento dos micro-computadores na década de 1980, imaginar o seu uso em eleições
foi consequência imediata e trivial. Experiências com "máquinas eletrônicas de
votar" surgiram nos EUA, onde eram chamadas de Direct Recording Electronic Voting
Machines (DRE), muito antes de 1989.
Segue cópia de minha mensagem em março de 2005:
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título: O Pai das Urnas-E
de Amilcar Frunazo Filho
Olá Eduardo,
Respondo a questão sobre quem é o "pai da Urna-E" abaixo
Eduardo Souza Machado da Silva escreveu:
Olá Amilcar,
Onde eu conseguiria um documento que fale sobre o 'histórico da urna brasileira'. Isto é,
que conte de maneira fidedigna quais os caminhos que ela seguiu para chegar onde está
hoje? A fundação CERTI adora dizer que o projeto "é deles". Em Brusque (SC)
também comenta-se que a Urna teria surgido por lá. Onde você considera a melhor fonte de
informações históricas confiáveis?
Não existe um documento só que aborde de forma completa a questão de quem é o
Pai da Urna-e.
O texto que mais se aproxima disso é o livro do do Secretário de Informática do
TSE, de 1997:
O Voto Informatizado
de Paulo César Camarão
Editora das Artes, 1997
Neste livro são citadas as experiências do TSE:
- em 1985 - implantação do cadastro eleitoral informatizado
- em 1995 - desenvolvimento da urna eletrônica
Porém, nada é dito sobre as experiências anteriores e fora do TSE, como:
- em 1982 - o Caso Proconsult, Rio de Janeiro - experiência de automação da
apuração
- 1989 - Juiz Carlos Prudêncio, em Brusque, SC - experiência de votação com
micro-computadores
Outra questão é se entender o que significa o título "Pai da Urna-E".
Primeiro, na mente popular existe muita mistura entre o conceito de voto
eletrônico e de urna eletrônica. Esta é apenas uma parte daquele. O Voto
Eletrônico envolve desde o cadastro eleitoral, identificação do eleitor, a
votação (só aqui atua a urna-e) até chegar a totalização dos votos. Mas de uma
maneira geral todos estes processos são confundidos e se fala muito em urna
eletrônica se referindo a todo o conjunto.
Segundo, o título "Pai da urna" deveria ir para quem primeiro pensou nela, ou
para quem elaborou seu projeto inicial, ou, ainda, para quem elaborou o projeto final?
Existe gente que pode ser incluida em qualquer destes grupos e a qual deles
chamaremos por pai da urna?
Imaginar se fazer votação com computadores é uma idéia meio óbvia a partir do
momento em que o computador se tornou viável economicamente. Milhares devem ter
sidos as pessoas que tiveram esta idéia de forma independente.
O mérito do Juiz Carlos Prudêncio, de Brusque, foi ter levado a idéia adiante,
se aproveitando da posição que ocupava, e feito uma experiência-piloto de
coleta de votos com computadores pessoais. Mas era sua proposta integralmente
viável? O programa era transparente e confiável (a prova de fraudes)? E a
expansão de dois pontos de votação para milhares, nos moldes propostos, era
tecnicamente realizável?
Tenho uma coletânea de notícias da época, juntada pelo próprio Juiz Prudêncio,
intitulada "Brusque - o berço do voto eletrônico".
É justo este título auto-atribuido?
A votação em computadores ficaria meio perdida no ar se não houvesse um
cadastro informatizado, para lhe servir de base, e sem uma totalização
informatizada, para lhe servir de destino.
Por isto, entendo que o voto eletrônico, como um todo, tem "muitos pais"
parciais e a nenhum deles dever-se-ia atribuir a exclusividade do produto final.
Quanto a urna eletrônica em sí, em 1995, o TSE abriu uma consulta aos TREs e à
universidades pedindo sugestões sobre uma "maquina coletora de votos".
Dentre as propostas apresentadas, uma se sobressaiu devido a simplicidade de construção,
praticidade de uso, baixo custo, baixo consumo e segurança física e lógica. Foi a
proposta do TRE-MG desenvolvida pelo Eng. Márcio Teixeira para a IBM. Pode-se chamar a
este prótótipo do Márcio de "pré-concepção inicial".
A seguir o Eng. Carlos Rocha, também de Minas Gerais, acrescentou alguns detalhes a esta
pré-concepção do Márcio, como uma tela de vídeo no lugar do display de cristal líquido
que permitia apresentar a foto do candidato ao eleitor e um desenho industrial bastante
ergonônico, criando o que se pode chamar de "concepção final" da atual urna-e.
Infelizmente, algumas das concepções de segurança no software do Márcio, como a
criptografia automática dos dados, não foram implementadas no projeto Rocha. Esta
concepção final do Eng. Carlos Rocha foi a adotada pela Unisys no primeiro fornecimento
de urnas-e em 1996.
Elaborada a concepção final, passou-se ao desenvolvimento tecnológico da proposta.
Com a troca do visor de LCD para vídeo, o consumo de energia aumentou
consideravelmente e o tamanho, custo e duração da bateria tornou-se um problema.
Qualquer ecomomia no consumo de energia era desejável. É aqui que entra a Fundação
Certi da UFSC. Ela foi contrata pela Unisys para estudar e melhorar o problema de
consumo de energia pela impressora. Não sei de todos os detalhes da participação da
CERTI, talvez ela tenha participado de mais alguma parte do projeto tecnológico, mas
seria exagerado dar a ela o título de "pai da urna', não seria?
Depois de 1996, a concepção final do Eng. Carlos Rocha se manteve nos novos
fornecimento de urnas-e ao TSE. Melhoria foram acrescidas como a volta do visor
de cristal líquido (que havia na concepção inicial do Eng. Márcio Teixeira) e o
uso de impressoras técnicas. Estas melhorias diminuiram bastante o consumo de
energia e resultaram que a duração da bateria dobrou nos modelos novos.
Com tudo isto, a quem dar o título de Pai das urnas?
- ao Juiz Carlos Prudêncio, pela experiência piloto de coleta de votos em
microcomputadores em 1989?
- ao Ministro Carlos Veloso, presidente do TSE em 1995 (e agora em 2005 de novo), por
arranjar financiamento e peitar o desenvolvimento da "máquina coletora de
votos"?
- ao PC. Camarão, Secretário de Informática do TSE, por ter convencido o
presidente do TSE sobre a viabilidade do projeto e por te-lo coordenado desde o
início?
- ao Eng. Márcio Teixeira, pela concepção inicial das urnas-e como um módulo
compacto de mesa com visor, teclado, memória interna, impressora e bateria?
- ao Eng. Carlos Rocha, pela concepção final e desenho industrial adotado até
hoje?
- à Fundação Certi por ter sido subcontratada para desenvolver testes?
Com todo o respeito que agora tenho pela CERTI, por ter sido a única entidade
tecnológica a enfrentar com espírito acadêmico o meu desafio de se apresentar
alternativas ao voto impresso conferido pelo eleitor, acho que fora a CERTI,
todos os demais mereceriam o título de pai da urna-e.
Por afinidade, eu gostaria de dar este título ao Eng. Márcio Teixeira, mas meu
voto é muito suspeito pois sou seu amigo e admirador pessoal.
[ ]s
Amilcar Brunazo Filho
www.votoseguro.org
EU SEI EM QUEM VOTEI.
ELES TAMBÉM.
MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU O MEU VOTO.
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