Uma máquina coletora de votos, quem é o pai da idéia?
Resposta: Thomas Alva Edison, foi uma de suas primeiras invenções, mas não
pegou por motivos políticos.


----- Original Message ----- 
From: "Amilcar Brunazo Filho" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Anne Caroline Prudêncio" <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: "Fórum do Voto Eletrônico" <[email protected]>;
"Fórum do Voto Seguro" <[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Thursday, November 24, 2005 4:30 PM
Subject: [VotoEletronico] Unrna Eletrônica - primeiras experiências


> Cara Anne Caroline,
>
> Anne Caroline Prudêncio escreveu:
> >   Gostaria de fazer uma observação no site votoseguro.org.
> >   Na página "Quem somos", vocês escrevem que a primeira vez que foi
utlizada a Urna Eletrônica no Brasil, foi no ano de 1996.Bom, esse dado está
totalmente incorreto, pois a urna eletrônica foi utilizada pela primeira vez
em 1989, na cidade de Brusque, SC sob a supervisão do meu pai , Carlos
Prudêncio,que foi o idealizador do voto eletrônico e da urna eletrônica,
juntamente com meu tio Roberto Prudêncio, técnico em informática.Na época
meu pai era Diretor do foro da Comarca de Brusque, e juiz eleitoral.Em 2004
foi presidente do TRE de SC, e dando continuidade aos seus experimentos,
utlilizou, pela primeira vez seu  mais novo invento, o  Titulo Eleitoral
Magnetizado.
> >   Qualquer dúvida, estarei a disposição, inclusive para o envio de
material.
> >   Meus agradecimento
> >   Anne Caroline
>
> Eu tenho conhecimento da experiência pioneira do seu pai, Des. Carlos
Prudêncio, com máquinas de votar em Brusque em 1989. Recebi dele um grosso
compêndio de recortes de jornais sobre o evento.
>
> Mas como a página "Quem Somos" do Fórum do Voto-e se refere ao surgimento
do nosso fórum de debates nela citamos o uso das urnas eletrônicas nas
eleições de 1996 porque foi este fato que disparou o processo de nosso
surgimento.
>
> Para contornar a omissão neste caso, já alterei o texto daquela nossa
página, incluindo a expressão "em eleições oficiais".
>
> Relativo à história das urnas-e no Brasil, na nossa página de "Ligações
Afins" já existe atalhos para as páginas da Samurai (detentor do pedido de
patente das urnas-e brasileiras) e da CERTI. Se a experiência com máquinas
de votar em Brusque tiver uma página na Internet, é só me informar o
endereço que tenho todo o interesse em incluir um atalho para lá.
>
> Eu me preocupo em apontar as páginas que falem da história da
informatização do voto no Brasil porque a página oficial da Justiça
Eleitoral (TSE) prima pela omissão. Lá não consta absolutamente nada sobre a
informatização da totalização em 1982 no Rio de Janeiro (Caso Proconsult) e
nada sobre as máquinas eletrônicas de votar em Brusque em 1989.
>
> Segundo eles a informatização da totalização só teria começado em 1985 e a
informatização da votação (urnas-e) em 1996.
>
> Estas distorções propositais da história do voto no Brasil, por causa de
interesses pessoais por vezes mesquinhos, aos poucos vão minando a
credibilidade do TSE.
>
> Quanto a questão do Cartão Magnetizado do Eleitor, não vislumbro nele
muitas vantagens. Não contem foto do eleitor, tem custo maior que título em
papel plastificado e pode ser falsificado da mesma forma que aquele.
>
> Assim, cara Anne, eu reconheço o valor da experiência de Brusque e o
pioneirismo de seu pai como você pode ver em mensagem que enviei ao Fórum do
Voto-E em março de 2005 e que transcrevo abaixo para seu conhecimento, mas
gostaria de colocar que o título de "idealizador do voto eletrônico e das
urnas eletrônicas" deve ser considerado com um pouco mais de moderação.
>
> Com o surgimento dos micro-computadores na década de 1980, imaginar o seu
uso em eleições foi consequência imediata e trivial. Experiências com
"máquinas eletrônicas de votar" surgiram nos EUA, onde eram chamadas de
Direct Recording Electronic Voting Machines (DRE), muito antes de 1989.
>
> Segue cópia de minha mensagem em março de 2005:
>
> ---------------------------------
> título: O Pai das Urnas-E
> de Amilcar Frunazo Filho
>
> Olá Eduardo,
> Respondo a questão sobre quem é o "pai da Urna-E" abaixo
>
> Eduardo Souza Machado da Silva escreveu:
>
> > Olá Amilcar,
> > Onde eu conseguiria um documento que fale sobre o 'histórico da urna
brasileira'. Isto é, que conte de maneira fidedigna quais os caminhos que
ela seguiu para chegar onde está hoje? A fundação CERTI adora dizer que o
projeto "é deles". Em Brusque (SC) também comenta-se que a Urna teria
surgido por lá. Onde você considera a melhor fonte de informações históricas
confiáveis?
>
> Não existe um documento só que aborde de forma completa a questão de quem
é o Pai da Urna-e.
>
> O texto que mais se aproxima disso é o livro do do Secretário de
Informática do TSE, de 1997:
>
> O Voto Informatizado
> de Paulo César Camarão
> Editora das Artes, 1997
>
> Neste livro são citadas as experiências do TSE:
> - em 1985 - implantação do cadastro eleitoral informatizado
> - em 1995 - desenvolvimento da urna eletrônica
>
> Porém, nada é dito sobre as experiências anteriores e fora do TSE, como:
>
> - em 1982 - o Caso Proconsult, Rio de Janeiro - experiência de automação
da apuração
> - 1989 - Juiz Carlos Prudêncio, em Brusque, SC - experiência de votação
com micro-computadores
>
> Outra questão é se entender o que significa o título "Pai da Urna-E".
>
> Primeiro, na mente popular existe muita mistura entre o conceito de voto
eletrônico e de urna eletrônica. Esta é apenas uma parte daquele. O Voto
Eletrônico envolve desde o cadastro eleitoral, identificação do eleitor, a
votação (só aqui atua a urna-e) até chegar a totalização dos votos. Mas de
uma maneira geral todos estes processos são confundidos e se fala muito em
urna eletrônica se referindo a todo o conjunto.
>
> Segundo, o título "Pai da urna" deveria ir para quem primeiro pensou nela,
ou para quem elaborou seu projeto inicial, ou, ainda, para quem elaborou o
projeto final?
>
> Existe gente que pode ser incluida em qualquer destes grupos e a qual
deles chamaremos por pai da urna?
>
> Imaginar se fazer votação com computadores é uma idéia meio óbvia a partir
do momento em que o computador se tornou viável economicamente. Milhares
devem ter sidos as pessoas que tiveram esta idéia de forma independente.
>
> O mérito do Juiz Carlos Prudêncio, de Brusque, foi ter levado a idéia
adiante, se aproveitando da posição que ocupava, e feito uma
experiência-piloto de coleta de votos com computadores pessoais. Mas era sua
proposta integralmente viável? O programa era transparente e confiável (a
prova de fraudes)? E a expansão de dois pontos de votação para milhares, nos
moldes propostos, era tecnicamente realizável?
>
> Tenho uma coletânea de notícias da época, juntada pelo próprio Juiz
Prudêncio,  intitulada "Brusque - o berço do voto eletrônico".
>
> É justo este título auto-atribuido?
>
> A votação em computadores ficaria meio perdida no ar se não houvesse um
cadastro informatizado, para lhe servir de base, e sem uma totalização
informatizada, para lhe servir de destino.
>
> Por isto, entendo que o voto eletrônico, como um todo, tem "muitos pais"
parciais e a nenhum deles dever-se-ia atribuir a exclusividade do produto
final.
>
> Quanto a urna eletrônica em sí, em 1995, o TSE abriu uma consulta aos TREs
e à universidades pedindo sugestões sobre uma "maquina coletora de votos".
>
> Dentre as propostas apresentadas, uma se sobressaiu devido a simplicidade
de construção, praticidade de uso, baixo custo, baixo consumo e segurança
física e lógica. Foi a proposta do TRE-MG desenvolvida pelo Eng. Márcio
Teixeira para a IBM. Pode-se chamar a este prótótipo do Márcio de
"pré-concepção inicial".
>
> A seguir o Eng. Carlos Rocha, também de Minas Gerais, acrescentou alguns
detalhes a esta pré-concepção do Márcio, como uma tela de vídeo no lugar do
display de cristal líquido que permitia apresentar a foto do candidato ao
eleitor e um desenho industrial bastante ergonônico, criando o que se pode
chamar de "concepção final" da atual urna-e. Infelizmente, algumas das
concepções de segurança no software do Márcio, como a criptografia
automática dos dados, não foram implementadas no projeto Rocha. Esta
concepção final do Eng. Carlos Rocha foi a adotada pela Unisys no primeiro
fornecimento de urnas-e em 1996.
>
> Elaborada a concepção final, passou-se ao desenvolvimento tecnológico da
proposta. Com a troca do visor de LCD para vídeo, o consumo de energia
aumentou consideravelmente e o tamanho, custo e duração da bateria tornou-se
um problema. Qualquer ecomomia no consumo de energia era desejável. É aqui
que entra a Fundação Certi da UFSC. Ela foi contrata pela Unisys para
estudar e melhorar o problema de consumo de energia pela impressora. Não sei
de todos os detalhes da participação da CERTI, talvez ela tenha participado
de mais alguma parte do projeto tecnológico, mas seria exagerado dar a ela o
título de "pai da urna', não seria?
>
> Depois de 1996, a concepção final do Eng. Carlos Rocha se manteve nos
novos fornecimento de urnas-e ao TSE. Melhoria foram acrescidas como a volta
do visor de cristal líquido (que havia na concepção inicial do Eng. Márcio
Teixeira) e o uso de impressoras técnicas. Estas melhorias diminuiram
bastante o consumo de energia e resultaram que a duração da bateria dobrou
nos modelos novos.
>
> Com tudo isto, a quem dar o título de Pai das urnas?
>
> - ao Juiz Carlos Prudêncio, pela experiência piloto de coleta de votos em
microcomputadores em 1989?
> - ao Ministro Carlos Veloso, presidente do TSE em 1995 (e agora em 2005 de
novo), por arranjar financiamento e peitar o desenvolvimento da "máquina
coletora de votos"?
> - ao PC. Camarão, Secretário de Informática do TSE, por ter convencido o
presidente do TSE sobre a viabilidade do projeto e por te-lo coordenado
desde o início?
> - ao Eng. Márcio Teixeira, pela concepção inicial das urnas-e como um
módulo compacto de mesa com visor, teclado, memória interna, impressora e
bateria?
> - ao Eng. Carlos Rocha, pela concepção final e desenho industrial adotado
até hoje?
> - à Fundação Certi por ter sido subcontratada para desenvolver testes?
>
> Com todo o respeito que agora tenho pela CERTI, por ter sido a única
entidade tecnológica a enfrentar com espírito acadêmico o meu desafio de se
apresentar alternativas ao voto impresso conferido pelo eleitor, acho que
fora a CERTI, todos os demais mereceriam o título de pai da urna-e.
>
> Por afinidade, eu gostaria de dar este título ao Eng. Márcio Teixeira, mas
meu voto é muito suspeito pois sou seu amigo e admirador pessoal.
>
> [ ]s
>   Amilcar Brunazo Filho
>   www.votoseguro.org
>
>   EU SEI EM QUEM VOTEI.
>   ELES TAMBÉM.
>   MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU O MEU VOTO.
> ______________________________________________________________
> O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
> autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
> representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E
>
> O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
> eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
> sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
> __________________________________________________
> Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico
>         http://www.votoseguro.org
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