Caro Paulo Gustavo,
Paulo Gustavo Sampaio Andrade escreveu:
Definitivamente, de contar voto o Jobim não entende mesmo nada!
Olha só a confusão que o cara (por confusão e/ou má-intenção) aprontou na
votação do STF sobre o caso Zé Dirceu, nesta semana.
Serve também de explicação pra quem não entendeu nada da contagem dos votos
na tal votação.
Devo confessar que eu e o prof. Walter Del Picchia TALVEZ tenhamos parte da
culpa naquela confusão que o Min. Nelson Jobim aprontou quanto tentou
quantificar os votos do Caso Zé Dirceu, para tentar descobrir quem tinha ganho
a causa.
Ele começou aquele papo de resolver a questão apelando à matemática e que o
voto do Carlos Brito valia ZERO (porque negava a concessão da liminar) e foi
criando a confusão metodológica que foi rechaçada pelo Sepúlveda Pertence.
E porque eu e o Del Picchia talvez tenhamos parte da culpa nesta lambança do
Jobim?
É que o Del Picchia é autor de um livro chamado "Métodos Numéricos para a Solução de
Problemas Lógicos", escrito em 1990 e do qual eu fui um colaborador. Neste livro são
apresentados técnicas desenvolvidas pelo nosso grupo (de dentro do LSI da Poli) para
resolver questões lógicas (qualitativas) recorrendo-se a técnicas numéricas. Mas
entenda-se que são técnicas NUMÉRICAS mas não técnicas QUANTITATIVAS.
Como usar números como valores qualitativos e não quantitativos faz parte da tecnologia
que não cabe discorrer aqui. Mas o fato é que esta técnica usa números de forma que é
adequada à computação na solução de problemas lógicos, sem porém "quantificar"
as proposições. Usamos o Zero e o Um para significar alguma proposição lógica e sua
negação, mas não se pode, por exemplo, somar estes números como se fossem quantidades.
Nas eleições de 2002, quando o Jobim era presidente do TSE, eu ouvi uma
entrevista dele em que dizia estar estudando Lógica Clássica e em como
utilizá-la nas decisões jurídicas. Não hesitei. Numa das minhas ida ao TSE para
acompanhar a apresentação dos sistemas aos partidos, levei um livro do Del
Picchia para dar de presente ao Jobim.
Aproveitando uma oportunidade, acompanhei a Adv. Maria Aparecida Cortiz quando
ela foi entregar uma petição ao Min. Jobim em seu gabinete e lhe presentei o
livro com a devida dedicatória. Discorri rapidamente sobre seu conteúdo,
dizendo que usávamos algorítmos com números para resolver dúvidas lógicas.
Não sei se o Jobim leu o livro. Se leu, não deve ter entendido direito. Cá
entre nós (que o Del Picchia não me ouça), o livro é bastante denso e de
difícil compreensão e, além de mim, do próprio Del Picchia e mais uns quatro ou
cinco de nosso grupo, não deve ter muita gente que entende nossa técnica.
E o que o Jobim tentou fazer, usar "matemática" para resolver a questão lógica,
revela que ele não captou bem a diferença entre métodos numéricos e métodos quantitativos.
A quantificação que ele tentou fazer leva a equivocos grosseiros como o
seguinte raciocínio que meu filho me lembrou:
"Num queijo suiço, quantos mais queijo se tem, mais buracos há. Mas quanto mais
buracos se tem, menos queijo há. LOGO, quanto mais queijo se tem, menos queijo há
!?!?!"
Assim, talvez eu e o Del Picchia tenhamos parte da culpa na lambança do
Jobim... :))
[ ]s
Amilcar Brunazo Filho
www.votoseguro.org
EU SEI EM QUEM VOTEI.
ELES TAMBÉM.
MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU O MEU VOTO.
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