A Tarde de Salvador -  19/02/2006

<http://www.atarde.com.br/politica/geral/index.php?dt_exibicao=2006-02-19>*Irregularidade
País começa a exportar urnas eletrônicas

*Um dos grandes argumentos dos críticos do modelo da urna eletrônica brasileira é o de que ela não serviu para mais nenhum dos 47 países democráticos do mundo, embora o TSE tenha oferecido a vários deles. Ou melhor, só o Paraguai resolveu testá-la, no ano passado. Mas o Brasil está em vias de começar a exportar a experiência para o planeta, a começar pela República Dominicana, contrato já fechado.

“A máquina não é a mesma, porque o TSE afirma que o projeto da urna eletrônica é dele e só aceita passar para outros países de graça. Não poderíamos vender. Como não temos essa vocação filantrópica, desenvolvemos outro projeto”, afirma o engenheiro Carlos Rocha, diretor da Samurai, a empresa que fabrica a urna, ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Computadores e Periféricos e coordenador do projeto da urna eletrônica brasileira que o TSE usa.

Segundo ele, após dez anos desde que a urna foi inaugurada, a tecnologia avançou. A nova urna tem inovações como tela colorida e faz a leitura de impressão digital. “Implantar isso no Brasil agora ficaria caro porque o TSE já comprou mais de 485 mil urnas”, diz Carlos Rocha, que enfrenta concorrentes internacionais norte-americanos, franceses, espanhóis e até uma estatal indiana, e está disputando mercado na África e Leste Europeu.

Pergunta-se a ele: é possível fraudar a urna eletrônica brasileira?

“Com a participação de pessoas da justiça, sim”.

E o Sr. acha que as possibilidades de fraude citadas pelo grupo do “Voto Seguro” são verossímeis? “Pode ter havido durante esse tempo fraudes marginais, mas, do ponto de vista estatístico, não creio que elas tenham apresentado mudanças relevantes nos resultados”.

Cláudio Rocha afirma que seria um bom avanço se o TSE permitisse a realização de auditorias independentes. Aí, sim. O modelo ficaria completo.

*Os críticos do modelo Brasil

*O engenheiro Amilcar Brunazo Filho, de Santos, que foi perito no escândalo da violação do painel do Senado, é um dos mais ácidos críticos da urna eletrônica brasileira. Ele, que coordena o grupo de debate “Voto Seguro”, na internet (www.brunazo.eng.br <http://www.brunazo.eng.br/>), que defende mudanças no projeto e ataca o TSE por não aceitar auditorias externas, cita o caso de Santo Estêvão como uma das mais claras evidências de que a urna eletrônica não é infalível como a Justiça quer.

Para Brunazo, que deu um parecer técnico sobre o laudo feito por Cláudio Rêgo no caso de Santo Estêvão, do pouco que se apurou, um fato é inconteste: na urna 67 das eleições de 2000 no município baiano houve fraude. O ponto maior em questionamento é a resistência do TSE em não permitir auditorias externas.

“A Justiça parte do pressuposto de que as máquinas são infalíveis e isso não existe. Ainda mais em situações como a de Santo Estêvão, onde constatamos que nas urnas utilizadas era possível tirar o flash card (a memória, peça que contém os programas com os números dos candidatos e as fotos) apenas tirando quatro parafusos, o que era possível ser feito sem romper o lacre”, diz Cláudio Rêgo.

O best-seller dos adversários do atual modelo da urna é o livro “Burla Eletrônica”, de O. Maneschy & Jacobiskind (ed), editado em 2002 pelo Instituto Alberto Pasqualini. Quem o lê passa a ter a sensação de que eleições, da forma que são no Brasil, podem ser um grande engodo.
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