Olá,

Saiu hoje no jornal O Estado de São Paulo, reportagem sobre a coleta das 
imnpressões digitais dos eleitores para votar a partir de 2008.

A reportagem pode ser vista em:
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=6588
e está reproduzida abaixo.

O TSE, convidado a se manifestar, preferiu se omitir (pra que discutir o 
problema com o sociedade se eles tem poder de mandar fazer sem precisar dar 
explicações?).

[ ]s
 Amilcar Brunazo Filho
 www.votoseguro.org

 EU SEI EM QUEM VOTEI.
 ELES TAMBÉM.
 MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU O MEU VOTO.
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http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=6588

Tribunal Superior Eleitoral vai comprar equipamentos capazes de liberar o voto 
após a identificação biométrica do eleitor; decisão causa polêmica

Maurício Moraes e Silva

Você está pronto para tocar piano na seção eleitoral? O Tribunal Superior 
Eleitoral (TSE) quer obrigar todo mundo a fazer isso, o que não quer dizer que 
os brasileiros terão de se tornar músicos de uma hora para outra. Para quem não 
conhece a expressão “tocar piano” significa fornecer as impressões digitais a 
autoridades. Em breve, quem quiser votar terá de pôr o dedão em um terminal 
ligado às urnas eletrônicas.

A mudança não entrará em vigor na disputa deste ano, mas talvez comece a valer 
já em 2008 em uma parte do País. O TSE abriu uma licitação que prevê a compra 
de 22,7 mil urnas com leitura de digitais – o chamado sistema biométrico –, 
equivalentes a 5,6% das 406 mil máquinas usadas no Brasil. Os equipamentos vão 
substituir parte dos aparelhos de oito Estados – Acre, Amapá, Maranhão, Mato 
Grosso, Minas Gerais, Pará, Roraima, Tocantins – e do Distrito Federal.

O processo, no entanto, tem causado polêmica e pode acabar paralisado. Até 
agora, pelo menos um partido, o PDT, promete tentar suspendê-lo. A legenda 
entrará com uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) e com uma 
ação popular na Justiça Federal de Brasília tão logo seja escolhido o vencedor 
da concorrência. As empresas interessadas em vender as máquinas devem entregar 
suas propostas até sexta-feira, às 10 horas.

O que haveria de mal em colocar o polegar na urna? De acordo com a advogada do 
PDT, Maria Aparecida Cortiz, o problema está na ilegalidade de reunir as 
informações biométricas dos eleitores. “O TSE não pode obrigar ninguém a dar 
esses dados”, afirma. Para que as urnas possam ser utilizadas, existe a 
necessidade de criar um banco de dados com as digitais de todo mundo. Isso 
dependeria da aprovação de uma lei que exigisse o recadastramento dos 
eleitores, mas, segundo Maria Aparecida, o TSE usou uma lei de 1985 para 
amparar o processo.

A medida começaria pelo Distrito Federal e por quatro Estados: Maranhão, Mato 
Grosso, Minas Gerais e Tocantins. Além das digitais, seriam registrados o tipo 
sanguíneo e uma foto. O PDT entrou com representação no TCU e no Ministério 
Público Federal Eleitoral e o TSE, por enquanto, desistiu da idéia. Mas não 
totalmente, uma vez que a decisão de comprar as urnas continua de pé.

FRAUDE DO MESÁRIO
Ao adquirir os aparelhos, um dos principais objetivos do TSE estaria em evitar 
a ocorrência da fraude do mesário, explica o engenheiro Amilcar Brunazo Filho, 
moderador do fórum Voto Eletrônico (www.votoseguro.org) que fornece assessoria 
técnica para partidos políticos. Funciona assim: quando está para terminar a 
eleição, o mesário de uma seção começa a digitar o número de títulos de 
eleitores no terminal, permitindo que alguém na cabine vote pelas pessoas que 
não apareceram.

A prática surgiu na era da cédula de papel. Apesar de, até hoje, nenhuma urna 
eletrônica ter sido impugnada por causa dessa suspeita, Brunazo afirma que o 
TSE admitiu a existência do problema no ano passado. De acordo com ele, 
dificilmente a biometria evitará a fraude. “O que vão fazer se a pessoa não 
tiver dedo ou estiver com a mão engessada?”, observa. “Fiz uma consulta e eles 
disseram que, nesses casos, o mesário colocará sua impressão digital no lugar 
da do eleitor e, assim, ele poderá votar.” Isso também permitiria uma 
transgressão.

Para Brunazo, não há justificativa técnica convincente para adotar esse tipo de 
controle no País. “É a ‘Seita do Santo Byte’, que acha que a tecnologia resolve 
tudo. O Brasil vai gastar R$ 1 bilhão para recadastrar os eleitores e trocar as 
urnas”, diz. “Problemas como esse só são resolvidos com mais fiscalização nas 
seções.”

Na visão de especialistas, outra alternativa poderia tornar o processo mais 
transparente. O advogado Augusto Tavares Marcacini, presidente da Comissão de 
Informática Jurídica da seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil 
(OAB-SP), defende o uso de máquinas capazes de imprimir os votos. “Democracias 
mais sólidas não estão aceitando usar nosso modelo de urna”, ressalta. 
Procurado pelo Link, o TSE não se manifestou.
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