Roteiro de uma traição. Paulo Brossard entrega carta a Calheiros
21.03, 15h44
por Vitor Vieira, do site Vide Versus
Paulo Brossard, ex-ministro da Justiça e também ex-ministro do
Supremo Tribunal Federal, 82 anos, pegou um avião, ontem, sozinho, e foi
a Brasília. Seu objetivo era protocolar no Senado Federal a entrega do
trabalho que lhe fora encomendado, fazer a defesa da Casa diante do
Supremo Tribunal Federal, na ação declaratória de inconstitucionalidade
(ADIN 3685) promovida pela OAB contra e emenda constitucional que
estabeleceu a desverticalização das coligações eleitorais. Paulo Brossard
fez questão de protocolar o que seria a prestação de informações do
Senado ao Supremo para provar que o fez de maneira tempestiva, ou seja,
dentro do prazo que o Senado Federal teria para prestar essas
informações, e que vencia ontem. E, também protocolou a entrega de uma
carta ao senador Renan Calheiros, presidente do Senado. Na carta, Paulo
Brossard de Souza Pinto lembra que foi convidado pelo Presidente do
Senado para defender a constitucionalidade da Emenda Constitucional nº 52
e sua aplicabilidade imediata, depois de sustentar publicamente a posição
contrária à verticalização . O trabalho seria como advogado do
Congresso, e como tal elaboraria as informações que o Congresso prestaria
na ADIN que a OAB então anunciava que ajuizaria no SFT.
Parte 2
O Congresso Nacional, após a intimação, tinha dez dias de prazo para
prestar informações ao STF. Após, o processo seria encaminhado à
Advocacia Geral da União, e depois à Procuradoria-Geral da República,
ambas com prazo de cinco dias para manifestação. A ADIN nº 3685 foi
ajuizada no dia 9, o Congresso foi intimado a prestar informações no dia
10, sexta-feira. O prazo iniciou na segunda, 13 de março, terminando em
22 de março. Até esta data o Congresso Nacional teria prazo para
apresentar suas informações ao STF, com as razões jurídicas na defesa da
constitucionalidade da Emenda. No primeiro dia do prazo, 13 de março, diz
Paulo Brossard em sua carta, ele recebeu telefonema pedindo para entregar
o trabalho no dia seguinte. Disse então que isso não era possível. No dia
seguinte, a pedido do presidente do Congresso, esteve no Senado,
explicando que recém estava tomando contato com a ação, e que tinha
recebido cópia de uma segunda ADIN, nº 3686, com cerca de 100 páginas,
ajuizada sobre a mesma matéria, por outra entidade (trata-se da
Associação Nacional dos Procuradores de Justiça).
Parte 3
Ponderou sobre a relevância da matéria, a responsabilidade
profissional e a importância institucional do Congresso, que determinavam
a necessidade de realização de um trabalho cuidadoso. E ainda que era seu
dever fazer o melhor na defesa do cliente em juízo, e que não poderia
apresentar um trabalho de forma apressada. Mas, na tarde de 14 de março,
quando estava na biblioteca do Supremo Tribunal Federal, foi chamado pelo
presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, em seu
gabinete, o qual também pediu que fossem apresentadas as informações do
Congresso Nacional, para que a ADIN da OAB fosse julgada na semana
seguinte. Ou seja, o pedido foi feito pelo presidente do Supremo, ao
advogado da parte (o Senado Federal), no segundo dia do prazo da parte.
Na carta, Paulo Brossard relembra a Renan Calheiros que deu a mesma
resposta. E ainda relata que o presidente do STF disse que tinha
compromisso com os partidos para julgar a ADIN nº 3685, e que precisava
que as informações do Congresso Nacional fossem apresentadas com
urgência. E ainda garantindo que tudo já estava pronto para o julgamento
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