Kika, salve.
Ingenuidade minha talvez, mas me parece que nada justifica apurar sem
segurança um voto sequer. Nos dias de eleição o teu, o meu, o voto do
índio no fundão da Amazônia ou do desdentado dali da esquina (a miséria
não mora tão longe...) valem exatamente a mesma coisa. Por essa razão me
parece estranho a adoção de procedimentos diferentes, como se houvessem
cidadãos de primeira e de segunda classe. A sociedade brasileira já é de
fato assim, com essa espécie de “Appartheid” social, mas formalizar isso
no papel me chocaria profundamente.
O que eu quis dizer apenas é que é fácil de se afirmar que basta
apurar a seção no final do dia na própria seção como se faz na Europa,
se esquecendo da realidade brasileira. Em nenhum instante eu quis
afirmar que a realidade brasileira justifica o voto-E como implantado no
Brasil. Isso já é outro chop, provavelmente parte de algum projeto
utópico palaciano, não o meu.
Abração, Paulo.
Amilcar Brunazo Filho wrote:
Querido Paulo,
Concordo com suas colocações mas acho que faltou ressaltar que o fato de
se ter que apurar com segurança os votos de uns poucos índios nos
fundões da Amazônia não justifica se apurar sem segurança (sem
possibilidade de se conferir a apuração) os votos dos milhões de
brasileiros nas grandes cidades.
Desde o início deste nosso fórum, eu defendo que não tem sentido haver
um só sistema de votação em todo o Brasil. Aliás, como também foi
defendido pelo representante do BID que veio avaliar as urnas-e
brasileiras em 1996 e cuja sugestão não foi acatada pelo TSE.
Amilcar
Paulo Mora de Freitas escreveu:
Luiz, só para esclarecer porque acho que você não entendeu: que eu
saiba nenhum sistema de voto eletrônico usado hoje na Europa imprime o
voto. Aqui na França isso faz parte da especificação inicial para
essas máquinas que são usadas literalmente para "desmaterializar a
cédula de voto". Por outro lado, que eu saiba nenhum país europeu hoje
implantou 100% de voto eletrônico. Houveram testes na Inglaterra e
Irlanda. Na Bélgica, na Franca e na Suiça essas "máquinas de votar"
foram introduzidas parcialmente. Na Bélgica parece que se conseguiu
pelo menos se bloquear a evolução do voto-E, principalmente pela ação
de um forum parecido com o nosso que se chama www.poureva.be. Aqui na
França a coisa avança sem muita resistência, salvo o trabalho de
formiga do Pierre Muller (www.recul-democratique.org). Na Suiça virou
coisa comum.
Por outro lado, no sistema em papel, de fato a apuração é sempre
realizada localmente na seção eleitoral no final do dia, em presença
de fiscais e cidadãos voluntários. Não dá para comparar com as
eleições brasileiras. Fica difícil imaginar que em todo o Brasil
(incluindo fim fundo da Amazonia) isso poderia ser possível com algum
grau de confiança. Imagine uma seção de voto aí na favela a mais perto
da sua casa apurando uma eleição sob o olhar atentivo da quadrilha que
controla o tráfico de droga local. Por isso penso que toda comparação
é perigosa porque simplista demais. Me parece fundamental sempre abrir
a janela de casa e não apenas olhar, mas VER o país em que vivemos
antes de nos lançarmos em soluções maravilhosas, mas utópicas. A
dimensão do Brasil, a sua História, as suas leis (voto obrigatório,
voto de analfabeto e de índio) e a sua estrutura social (30% de
miseráveis segundo o próprio IBGE) tornam comparações desde tipo no
mínimo piádas de mal gosto.
Em suma, o buraco é mais embaixo...
Abraços, Paulo.
Luiz Cordioli wrote:
Lendo o texto abaixo, pareceu-me que só há voto impresso junto com
totalização eletrônica nas votações européias citadas.
Se assim for, claro, concluímos que a apuração dos votos impressos
mencionada é feita em todas as seções eleitorais.
Pelo citado texto ficamos sabendo também que pelo menos alguns
europeus contam todos seus votos nas próprias seções eleitorais, após
o encerramento da votação, na presença de quem quiser conferir a
apuração, "fazendo com que algumas horas depois tudo esteja
terminado." (sic)
Supondo que tenha entendido correto, *que haja voto impresso e que
eles sejam apurados em todas as seções eleitorais* como descrito (nos
próprios locais de votação) lembrei-me uma idéia colocada há uns 4
anos atrás e recusada, na época, sem grandes justificações outras que
não o habitual "não dará certo", "eles não deixam", "3% já está bom
demais..." ou outras variações negativas.
Idéia esta que, a menos do que pudesse acontecer de errado (:o),
seria perfeita e com provas dos resultados, os votos impressos... :
1) *Voto eletrônico com voto impresso* não manipulado pelo eleitor;
2) Ao final da votação, tira-se em primeiro lugar a *listagem dos
votos eletrônicos de cada urna de cada seção eleitoral* e...
3) Em segundo lugar, procede-se à *contagem de todos os votos
impressos de cada urna de cada seção eleitoral* pelos mesários,
juízes eleitorais e fiscais dos partidos.
4) *Cada urna em que as duas contagens coincidissem* seria fechada,
lacrada e enviada ao TRE para totalização, com todo mundo
já conhecendo oseu resultado.
5) *Cada urna em que as duas contagens não coincidissem* dentro de
limites pré-estabelecidos, *valeria a contagem dos votos *
* impressos*, por ser a única com prova factual do voto. Também
neste caso, com todo mundo já conhecendo o seu resultado.
Como descrito no texto, os resultados sairiam praticamente no mesmo
tempo que só a contagem eletrônica, como é hoje.
Porque cada urna tem apenas de 500 a 1000 votos.
E isto se conta muito rápido.
Ainda mais com tanta gente honesta dos TRE's e TSE, como sabemos
todos...
A fraude eletrônica seria praticamente coibida, por inútil, ante a
prioridade oficial dada ao voto impresso.
Admitem-se variações sobre o mesmo tema. E/ou melhorias.
O guizo está aí, claro e explícito.
É só colocá-lo no pescoço do gato, que está ali...
Curto e grosso, seja pescoço, seja guizo...
Abraços
Cordioli
=====================================================
"Texto original"
Paulo,
Eu tive um contato com David Glaude, o webmaster do site, em outubro
de 2004. Trocamos algumas mensagens. O contato não foi muito para a
frente naquela época porque eles não são a favor de uma transparência
do voto eletrônico, afim de melhorá-lo. Eles são radicalmente contra.
Eles consideram que o tempo ganho não justifica os problemas que o
voto eletrônico traz. É verdade que a contabilização já é feita com o
auxílio de computadores, o problema se concentra na urna. E na Europa
os votos são contados na própria seção, após o encerramento, na
presença dos próprios eleitores que queiram conferir a apuração,
fazendo com que algumas horas depois tudo esteja terminado.
Roger
A respeito de [Voto Seguro] reunião amanhã,
em 04/04/2006, 05:50, Paulo Mora de Freitas escreveu:
PMdF> Amigos,
PMdF> O Pierre Muller do site www.recul-democratique.org
<http://www.recul-democratique.org/> está esta semana
PMdF> aqui em Paris para participar de uma mesa redonda sobre o voto-e,
PMdF> organizada por uma associação de prefeitos. Não poderei estar
lá no dia
PMdF> da apresentação, mas ele me chamou para uma reunião amanhã
(quarta) à
PMdF> noite na qual virá um representante do site belga
www.poureva.be <http://www.poureva.be/>, talvez
PMdF> alguns universitários franceses também. Farei o meu melhor para
estar
PMdF> nessa reunião, gostaria de saber se já houve algum contato do
voto-e
PMdF> brasileiro com esse pessoal belga. Fora isso, queria saber se
existe
PMdF> alguma mensagem em particular que o voto-e brasileiro queira
passar ou
PMdF> alguma proposta concreta de colaboração.
PMdF> Abraços, Paulo.
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--
Paulo Mora de Freitas - Laboratoire Leprince-Ringuet
Responsable du Service informatique du L.L.R.
L.L.R. - Ecole polytechnique, 91128 Palaiseau, France
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eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
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