Segue abaixo o texto publicado no Jornal do Brasil de hoje pelo colunista 
Fausto Wolff.

(recebi este texto do próprio autor já que não está disponível em forma de 
texto na página do JB)

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 Amilcar Brunazo Filho

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Meu voto e o voto dele!
Fausto Wolff


Tive o prazer de almoçar aqui em casa com meu velho amigo Lauro Schirmer que pelos idos de 1957 ensinou-me a diagramar na redação de A Hora, de Porto Alegre. Posteriormente ele foi durante décadas diretor da Zero Hora e atualmente escreve um livro sobre Flores da Cunha, general que encerrou a carreira como deputado pelo PTB, embora ao romper com Vargas de quem fora o todo poderoso interventor do Rio Grande do Sul, houvesse fundado a UDN. Comentamos os pontos em comum entre Flores e Brizola, ambos lançados na política por Getúlio. Flores nasceu em Santana do Livramento (RS) em 1880 e faleceu no Rio em 1959. Brizola nasceu em Carazinho em 1922 e faleceu no Rio em 2005. Ambos governaram o Rio Grande. Em 59 Flores era deputado federal no Rio e Brizola era governador do RGS, ambos pelo PTB. Tinham coragem, o verbo fácil, eram nacionalistas e, principalmente, homens honestos. Brizola foi o estadista da educação e em Porto Alegre há o Instituto de Educação Flores da Cunha e uma bela cidade com seu nome. Breve, tenho certeza, farão o mesmo com Brizola. Comentei com Lauro e Luiz Alberto Flores da Cunha, neto do general, que o tempo fora injusto com Brizola. Depois das molecagem de Collor, da entregagem de FHC e da quadrilhagem de Lula, não haveria quem o batesse nas próximas eleições. - De qualquer modo – disse eu – ainda haveremos de ouvir falar dele muito em breve.. Pouco antes de morrer Brizola denunciou o sistema eletrônico de votação, dizendo que para ser confiável, ele teria de dar um recibo de papel ao eleitor. Há alguns dias li no Washington Post que Harri Hursti, um finlandês, especialista em segurança eleitoral eletrônica, encontrou inumeráveis vulnerabilidades nas máquinas Diebold às quais milhões de americanos confiarão seus votos. O problema é a facilidade com que o seu software pode ser alterado. Basta que alguns minutos antes das eleições alguém que tenha acesso à máquina, insira nela um cartão PC com um código que permitiria ao violador controlar seu conteúdo e modificá-lo. Um outro cartão poderia inutilizar a máquina no dia da eleição e um terceiro transferir votos de um para outro candidato. Mas o quase pior de tudo vem aí: um cartão poderia induzir os técnicos a pensar que a máquina está 100% normal, uma ilusão impossível em épocas pré-eletrônicas. Avi Rubin, professor de eletrônica do Instituto John Hopkins declaro u: “Se a Diebold quis construir o sistema mais inseguro do mundo, acertou na mosca.”. Já David Bear, porta voz da Diebold, diz que se há uma falha é a de permitir que um técnico da companhia faça revisões periódicas na máquina. - Se algum partido político quiser aproveitar-se disso, o problema não é nosso. Como os políticos sabem que não são categoria confiável, nos Estados Unidos estão sugerindo um recibo a ser colocado numa urna para depois ser contado manualmente. Ponto para Brizola que em 82 já havia vencido um computador apaixonado por Moreira Franco.
O furo da Diebold vem provar que nenhum sistema eletrônico de votação pode ser 
completamente confiável. Vinte e seis estados americanos já exigiram recibo mas 
a medida ainda tem de passar pelo Congresso.
Lembram que em algum lugar aí em cima eu dei a quase pior notícia? Pois a pior vem agora. O nosso TSE já comprou mais de 481.000 urnas, através de 5 licitações públicas, de 1996 a 2004, de duas empresas internacionais de integração de sistemas, a Unisys Brasil, em 96 e 2002, e a Diebold Procomp, em 98, 2000 e 2004

PS – Não farei comentários mas diante do exposto permito-me sugerir três coisas: 1) que as máquinas sejam vigiadas vinte e quatro horas por dia por uma comissão de membros de cada um dos partidos; 2) que dêem recibos indicando cada para ser colocado na urna da Zona Eleitoral; 3) que dêem um segundo recibo que o eleitor manterá consigo e que marque o dia, a hora, a zona e finalmente a urna na qual depositou o primeiro recibo. Não é que eu seja desconfiado mas o Brasil anda muito estranho... ______________________________________________________________
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