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Amilcar e demais colegas,
Algum dia todos vamos compreender que esta linha didática e professoral de demonstração de coisas erradas no processo eleitoral brasileiro não tem o poder de alterar a realidade.
Ela é formalmente correta, mas ineficaz nas conseqüências, a curto prazo.
Porque tudo o que não queremos é exatamente tudo o que "eles" querem.
E como "eles" são imediatistas, mandam no processo eleitoral, assim querem e são os mesmos que julgam as lides em que são parte, assim fica e ficará, por mais que nos esgoelemos, exemplo explícito no email abaixo.
Quando tiverem que mudar, na marra, e terão, algum dia, pelo menos já terão garantido a sua parte no butim.
Mas enquanto não forem a forçados a mudar, nada se altera.
Não se mexe em time que está ganhando, lógica bem presente.
Para tanto, qualquer razão, qualquer motivo, qualquer desculpa serve, porque qualquer uma prorroga a solução.
Como disse em outro email, um único artigo favorável às atuais urnas é didáticamente devastador para o nosso processo corretivo.
Em 5 minutos, destroem anos de nosso paciente e digno trabalho.
Para que alterações ocorram, mesmo, será necessária a confrontação com outras "armas" que não apenas as deles e/ou a nossa palavra.
Faz tempo que eu, pessimista quanto à espécie (humana e política), com pesar me convenci da extrema lentidão do processo didático para conseguir determinados efeitos em determinadas áreas.
Alguns efeitos, como este na área das urnas, precisamos que sejam imediatos para evitarmos futuros e inevitáveis efeitos catastróficos para o nosso conjunto social.
E só pela evolução didática, compartilhada, amistosa e toda plena de salamaleques (cede aqui, faz ali, muda acolá, deixa além etc.) a solução se posterga por anos a fio, como ocorre, desde 1996... Isto, só aqui neste grupo. Há muitos outros, dispersos por aí.
Motivo porque, venho radicalizando na idéia de que enquanto não houver uma oposição física e prática ao que está sendo feito, nada será mudado.
Se as eleições não têm segurança com as tais urnas-e, vamos exigir e retornar para eleições sem urnas-e.
Simples assim e exatamente isto:
Se "eles" não fazem eleições com segurança, como precisa e queremos, então "eles" não usam urnas eletrônicas.
Pão, pão, queijo, queijo. Toma lá, dá cá. Assim, sim, senão, não.
Quem sabe esta quixotesca radicalização facilite e acelere a necessária nova tomada de posição dos cidadãos, o que certamente ocorrerá, mais dia, menos dia vez que, a seguir como está, um dia estaremos todos no fundo do poço e, então, só nos restará subir pelas paredes, em qualquer sentido...
A respeito, e a despeito do que me disse um amigo japonês há alguns anos, comparando as crises japonesa e brasileira, ambas graves, naquela ocasião, creio que 98/99 :
"Dotô", não dá para entender, o Brasil e o Japão estão numa crise brava, estão no fundo do poço.
Só que, enquanto os japoneses tentam escalar as paredes, de maneiras tradicionais ou novas, procurando a saída que tem que existir, os "brasirero" continuam cavando o fundo do poço !
Todos os "brasirero" cavando, e cada vez mais para baixo, e cada vez mais fundo !!!
Não dá para entender..."
Pergunta ingênua, que ora coloco, para pensarmos na cama:
se vamos ter que reagir diferente amanhã, por que não reagirmos ainda hoje, quando a deterioração circundante é menor ?
Porque há interesses outros, não explícitos ?
Porque há impedimentos não marcados ?
Porque haverá "penalties" ?
Porque há ameaças ?
Porque há receios ?
Porque haverá inconvenientes até agora desconhecidos e/ou não colocados ?
Porque não há coesão suficiente ?
Porque não há certezas ?
Porque a posição displicente, cética e omissa da OAB e demais Conselhos ?
Porque a posição displicente dos políticos e Partidos ?
Porque servirmos de figurantes passivos para distorções propagandísticas contra nossos próprios interesses, como foi o presente relato do Amilcar, abaixo ?
Porque piorar antes de melhorar ?
Então, com a palavra, senhores : Porquê ?
Em tempo, não vale alegar as antológicas e histriônicas "Forças ocultas" pré-64.
Mas vale não dar qualquer resposta...
Abraços sabatinos
Cordioli
-------Mensagem original-------
Data: 07/08/06 10:21:20
Assunto: [VotoEletronico] Notícias do TSE - decepção
Olá,
Há um mês escrevi aqui nos fóruns do voto-e sobre minha boa espectativa
com as mudanças de pessoal no TSE com a posse do novo presidente Marco
Aurélio Mello.
Infelizmente sofri uma grande decepção na semana passada.
Estive em Brasília para assistir a apresentação pública do Diretor Geral
do TSE na Câmara para falar sobre o recadastramento eleitoral. Mas a
audiência foi adiada e não ocorreu.
Aproveitei minha estada para passar no TSE e ir à sala de apresentação
dos sistemas que está aberta a disposição dos partidos desde abril.
Como sempre, a sala estava vazia. Naquele dia, até que tinha tido um
movimento excepcional, pois o Frank do PT tinha passado lá para
apresentar uma petição e um técnico do MP tinha ido entregar sua cópia
do programa de assinatura digital (como em 2004, o MP voltou a contratar
o mesmo programador do PDT para fazer uma adaptação para o seu programa)
Quando cheguei, fui procurado pelos jornalistas da Assessoria de
Comunicação do TSE que queriam gravar umas imagens sobre a sala de
apresentação e entrevistar os usuários.
Era evidente a ansiedade deles em conseguir imagens dos partidos
participando da apresentação. Aquela sala vive vazia, ignorada pelos
partidos e pela OAB. Apenas o PT e o PDT de vez em quando passam por lá.
Eu costumo ir uma vez por mês. O PV que tinha ameaçado participar mais
este ano, parece que desistiu. Nunca mais apareceu. A OAB simplesmente
abriu mão de auditar o sistema porque compreendeu, depois da experiência
em 2004, que tudo aquilo é inútil para se poder dar algum aval ao sistema.
Concordei em ser fotografado e dei uma longa entrevista que foi gravada
em vídeo.
Na entrevista falei bem claro que aquele rito de apresentação dos
programas não era suficiente para que os partidos pudessem atestar a
confiabilidade dos sistemas. Abordei o problema da falta de recursos dos
partidos para uma auditoria tão cara. Falei da ineficiência deste tipo
de análise. Comentei o recente Relatório Brennan, onde os maiores
especialistas em segurança de informática do mundo NÃO RECOMENDAM a
análise de software e conferência de assinaturas digitais como forma
confiável de auditoria do sistema eleitoral. Comentei sobre o pedido
conjunto do PT e do PDT de teste de penetração, até agora ignorado.
EXPLICITAMENTE CITEI A AUSÊNCIA DE ALGUNS PROGRAMAS para análise que eu
havia solicitado um mês antes. Falei muito mais sobre todos os problemas
que eu enxergava na apresentação dos sistemas.
Ao final, manifestei minha esperança que a nova equipe do TSE com a qual
temos contato (secretaria de informática e assossoria de comunicação)
pudesse trazer práticas mais transparentes. Agradeci, inclusive, o fato
de ter sido entrevistado e de ter minha opinião gravada, pois antes
nunca eles aceitaram ouvir o que eu tinha a dizer.
Mas que decepção.
No dia seguinte, 04/07/2006, saiu publicado uma Noticia do TSE falando
sobre a sala de apresentação, citando o nosso nome (equivocadamente
disseram que o Frank era advogado), com fotos de mim olhando um
computador (no qual eu estava justamente confirmando que os arquivos que
eu pedira ainda não estavam disponíveis para análise).
A nota foi escrita de maneira a dar a entender que tudo corre as mil
maravilhas, que os partidos e a OAB tem total condição de análise.
Nem uminha referência aos problemas que citei...
É realmente um problema a ser considerado: porque um tribunal superior
tem tanta necessidade de esconder a verdade? De "dourar a pílula"?
Se o sistema eleitoral é mesmo confiável, porque manipular as informações?
[ ]s
Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP
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SEI EM QUEM VOTEI,
ELES TAMBÉM,
MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU MEU VOTO
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O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E
O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
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Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico
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