Prezados,
Alguns comentários sobre esses valores e cálculos:
1) Número de eleitores em 2006 = 125.913.479. Fantástico esse número com
tantos dígitos significativos e zero de margem de erro. Se consideramos
que uma eleição é uma medida, a medida da opinião pública sobre os
destinos do país, alguma coisa está errada. Nunca ví uma medida sem
barras de erro. Por exemplo, no México o candidato do PRD ficou atrás do
conservador Calderón por apenas 243.934 votos segundo a apuração
oficial. Exatos 243.934 votos, +/- 0. Por mais que se reconte os votos,
será que é possível um dia de se saber exatamente a diferença de votos
entre os dois candidatos com absoluta certeza, sem uma barrinha de erro
sequer? Ou será que esse é um dos grandes mitos das urnas de voto em
papel, o do “basta recontar”?
2) Nos cálculos mais otimistas do Chadel cada partido teria de ter no
mínimo ~100.000 fiscais em ação no dia da eleição, ~1 milhão supondo 10
partidos. Como ele mesmo diz, impossível. E como o Kika ainda comenta,
mesmo se fosse possível, insuficiente. Percebam que esses valores são os
mesmos pouco importa se a urna é eletrônica ou não, se ela imprime o
voto ou não. Devemos concluir que termos eleições 100% limpas e fiáveis
a nível nacional é uma utopia, pouco importa o dispositivo utilizado
como urna?
3) Juntando 1) com 2) acima, não seria o caso de introduzirmos uma barra
de erros nos resultados das eleições, como em toda medida? Nesse caso um
candidato venceria uma eleição somente se tivesse mais votos do que os
outros já descontando o erro da medida. Teríamos eleições com resultados
mais significativos.
4) Fica o problema: como calcular a margem de erro de uma eleição...
Abraços,
Paulo
Amilcar Brunazo Filho wrote:
Roger,
Estas nossas contas estão revelando a realidade da fiscalização
eleitoral: ela é absolutamente incapaz de dar garantias ao processo
eleitoral.
Você foi bastante benevolente ao adotar apenas um fiscal por local de
votação (escolas) e não em cada seção eleitoral, onde mesários podem
engravidar as urnas. E mesmo assim chegou a conclusão que é impossível.
E considere ainda que os fiscais en locais de votação são os menos
especializados necessários.
Os fiscais de carga das urnas devem ser mais qualificados e treinados
para saber como fiscalizar. São mais ou menos 10.000 locais de carga
que carregam 400 mil urnas no prazo de uma semana. A fiscalização é
muito monotona e entediante. Facílimo de ser burlada.
Amilcar
Roger Chadel escreveu:
Amilcar,
Essas contas, sua e do Leamartine, são corretas, mas inviáveis. Se
fôssemos mais realistas e pensássemos num contingente menor, um
partido conseguiria ter um nível aceitável de fiscalização com um
agente por local de votação, independente da quantidade de seções.
Isso baixaria a conta para:
Locais: 91.244 (estou incluindo as embaixadas)
Margem de segurança: 9.125 (10%)
Total: 100.369
Este número é o mínimo que qualquer partido deveria pensar para poder
ter uma certa garantia. Se pensarmos em 10 partidos importantes, já
são mais de 1 milhão de fiscais! Minha opinião: impossível!
Roger Chadel
A respeito de [VotoEletronico] Eleitorado,
em 09/07/2006, 14:50, Amilcar Brunazo Filho escreveu:
ABF> Você tem razão, Leamartine, eu errei na conta...
ABF> A sua conta está bem melhor e ainda seria mais se entendermos
que só 10%
ABF> de reserva para as seções eleitorais é pouco.
ABF> Amilcar
ABF> Rio Net - Leamartine Pinheiro de Souza escreveu:
> *Raramente discordo de vossas colocações, no entanto, esta
matemática me > pareceu um tanto falha, afinal, se existem 380.945
seções eleitorais e > 91.037 locais de votações, o número de pessoas
necessárias para a > fiscalização seria, a meu ver:*
> * 380.945 Fiscais efetivos*
> * 38.095 Fiscais suplementares (10%)*
> * *419.040 TOTAL DE FISCAIS
> * 91.037 Delegados efetivos*
> * 9.104 Delegados suplementares (10%)*
> * *100.141 TOTAL DE DELEGADOS
> * *519.181 TOTAL DE PESSOAS
> *Afinal, como sempre existem aqueles que se apresentam para o
trabalho > mas não comparecem, no dia das eleições, estimar por baixo
seria, no > mínimo, um ato de irresponsabilidade.*
> *Além disto, a fiscalização só é completa se o Fiscal não abandonar
o > recinto durante toda a votação, exigindo a necessidade de que
alguns > fiscais fiquem percorrendo as seções existentes em seu local
de votação > para fazerem o rodízio com aqueles que precisem se
afastar por algum > motivo exigido pela natureza humana.*
> *Caso haja alguma incongruência em meus cálculos, em muito ficaria
grato > se estas incongruências me fossem informadas.*
> *Leamartine Pinheiro de Souza*
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Paulo Mora de Freitas - Laboratoire Leprince-Ringuet
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