Caras Cláudia e Renata,

(mensagem longa, em tom de desabafo. Leiam se tiverem paciência)

Ao mesmo tempo que fui entrevistado por vocês, também fui entrevistado por outra reporter de outro veículo da imprensa.

A matéria desta terceira jornalista, Denise, saiu primeiro.

E foi decepcionante.

É justo que jornalistas procurem ouvir as duas partes, mas é necessário que os seus ouvidos saibam distinguir provas de palavras.

A todas vocês eu informei dados semelhantes dentro do que me foi perguntado.

1) o sistema eleitoral brasileiro tem apuração inauditável
2) é mentira que todos os programas sejam apresentados para análise dos partidos e, mesmo que fossem, ainda seria insuficiente para garantir a integridade do sistema utilizado; 3) A assinatura digital utilizada não é suficiente para garantir a integridade do sistema e pode ser burlada; 4) O TSE não permite testes livres de penetração que possam verificar a sua afirmação da inviolabilidade do sistema.

Procurei respaldar minhas afirmações com documentação oficial que a comprovasse e lhes repassei cópias de petições, de decisões oficiais do TSE e indiquei onde se encontravam os relatórios técnicos de terceiros, especialistas em segurança brasileiros e estrangeiros, que defendem posição similar a minha. Indiquei até textos do inventor da assinatura digital, que defende a mesma posição que eu.

Mas nada disso foi aproveitado pela Denise, que optou exigir de mim "provas contundentes" rejeitando as petições e relatórios que indiquei como válidos, mas do oficial do TSE acatou suas palavras como verdade definitiva.

Por exemplo, sobre o caso da recusa do teste de penetração. Eu apresentei as petições formais (com número de protocolo no TSE) de 2004 e de 2006. Indiquei onde se podia ver o fac-simile da negativa de 2004 e informei que em 2006 não havia sido dado resposta a petição apresentada há mais de 2 meses.

Flagrado em obscurantismo explícito, o oficial do TSE escapuliu-se com a afirmação de que todos os testes que o PT e o PDT pedem são permitidos "desde que dentro do padrão de segurança deles". Neste momento a Denise vacilou (ou tremeu).

De meu lado, desprezou a prova documental que lhe pus nas mãos, desconsiderou que a negativa do teste em 2004 era negativa pura e simples que não fazia nenhuma referência a possíveis "padrões de segurança". Exigiu-me "provas contundentes".

Do outro lado, aceitou a palavra. Não exigiu a prova documental de que a petição de protocolo 8708/06 do PT e do PDT tivesse sido respondida de forma positiva falando em possíveis "padrões de segurança" a serem atendidos.

No sitio do TSE pode-se acompanhar o andamento da petição conjunta PT/PDT. O protocolo 8708/06 deu origem a Petição 1896/06 cujo andamento revela que deu entrada em 08 de junho de 2006 e que está engavetada desde 12 de junho, sem decisão, na STI, cujo titular é mesmo oficial do TSE entrevistado pela reporter e que agora passou a afirmar que todos os testes são permitidos. Não é isto que o andamento da petição releva e comprova.

Eu apontei as provas, ele disse palavras escapistas. E ela publicou suas palavras e omitiu as provas porque as queria "mais contundentes".

O mesmo ocorreu com o caso dos programas apresentados para análise dos Partidos. Ele lhe apresentou o discurso oficial de que todos os programas eram apresentados aos partidos que poderiam analisá-los ao longo de seis meses. Eu indiquei os programas que não estavam sendo apresentados e respaldei com as petiçoes formais pertinentes. Ela voltou a lhes questionar que, diante do flagra de mentira explícita, mudou o discurso para "apresentamos todos os programas 'importantes' o resto é 'desimportante'".

Diante desta admissão explícita de que nem todos os programas são apresentados aos partidos e diante da mudança abrupta do discurso (o todos virou "só os importantes"), a Denise foi condencendente. Publicou a versão inicial de que o sistema era transparente e que tudo era disponibilizado para conhecimento dos partidos e omitiu a mentira que denunciamos. Me pede provas "mais contundentes".

Por isto, Cláudia e Renata, peço desculpa por este meu "desabafo preventivo". Tenho medo que vocês também venham a acatar as palavras do oficial do TSE como verdade definitiva e não lhes peçam o mesmo rigor que esperam de mim.

Lembro que não faz o menor sentido, o fiscalizado (o oficial do TSE) decidir o que o fiscal de partido pode ver e o que não pode porque seria "desimportante".

Para mim, este argumento deles (de que escolhem o que é importante para o fiscal ver e o que eles devem manter secreto) é prova evidente e definitiva do obscurantismo que praticam.

O que mais é preciso provar?

[ ]s
  Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP

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