A cada dia, mais gente nova se interessa pelo assunto e
escreve artigos.
Dois artigos publicados em um mesmo blog, especializado em
matemática.
O autor é Davi Castiel Menda, matemático de Gravataí (RS).
Ele entrou em contato comigo avisando da citação de minhas frases,
publicadas na matéria do Consultor Jurídico.
Email:
[EMAIL PROTECTED]
Blog:
http://davicm.blog.terra.com.br
PS: gostei da frase do Stalin que abre o segundo artigo. :)
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - - - - -
As urnas eletrônicas
e a zerézima
Davi Castiel Menda
"Hecha la ley, hecha la trampa." ditado popular
O Titanic, em sua viagem inaugural, ao zarpar de seu porto de origem,
ostentava o título de insubmergível, e era tanta a autoconfiança do
engenho humano, que os jornais da época afirmaram que "Nem Deus
poderia afundar esse navio". Bill Gates, o papa da informática, em
1981, nos brindou com a pérola "640 kb de memória é mais do que
suficiente para qualquer um". Thomas Watson, presidente da IBM, em
1943: "Penso que há talvez no mundo um mercado para cinco
computadores". Mas a campeã das afirmações estapafúrdias deva ser
creditada a Charles Duell, Diretor do Departamento de Patentes dos
Estados Unidos, em 1899: "Tudo que podia ser inventado, já o
foi", propondo inclusive o fechamento dos escritórios que dirigia.
Pelos exemplos, concluímos, já no início do artigo, de que afirmações
exageradamente desmedidas tendem, com o passar do tempo, a mostrar-se
equivocadas, quando não beirando ao ridículo.
Implantada no Brasil em 1996, a votação eletrônica, segundo o TSE, baniu
de vez a possibilidade de fraude eleitoral, com a afirmação dogmática de
que o sistema é seguro, indevassável. Entretanto, estas condições até
hoje são questionadas por estudiosos, programadores, os próprios
partidos, e porque não, por boa parcela da população brasileira.
Alguns defensores das urnas eletrônicas, na ânsia de afirmar que o
sistema é infalível, declaram com ares de ufanismo simplório que o
Brasil, ao comercializá-las para outros países, está exportando
democracia(!), embaralhando comércio e tecnologia com patriotada. Paulo
Gustavo Sampaio Andrade, editor do site Jus Navigandi, traduz de forma
muito simples e direta a opinião de quem põe em dúvida a assertiva
governamental: "Se o sistema eletrônico eleitoral é imune a fraudes,
considerada uma suposta perfeição técnica e a natureza biológica das
pessoas envolvidas" - compara ele - "o sistema financeiro já
teria adotado o projeto e contratado as pessoas que criaram e utilizam o
sistema eleitoral eletrônico para pôr fim aos inúmeros golpes existentes,
por exemplo, nos caixas eletrônicos e nos bancos via internet".
A desconfiança baseia-se em dois pontos cruciais. O primeiro, é saber se
realmente o voto digitado a um determinado candidato é realmente
computado e creditado a ele. O segundo questionamento é a probabilidade
de violação da identidade do eleitor, a exemplo do acontecido em recente
episódio no Senado, quando determinado grupo teve acesso a quem votou em
quem.
O Eng. Amílcar Bruzano Filho, um especialista na área, compara a urna
eletrônica à "uma máquina de votar inauditável, uma verdadeira caixa
preta da qual nenhum partido político, fiscal ou auditor externo ao TSE,
jamais teve acesso para conferir sua integridade". E complementa
Bruzano: "o que o TSE chama de auditoria é colocar alguém em frente
à urna. Isso não é o processo de exame de um sistema, mas um artifício.
Um show".
O povo em geral - onde eu me insiro - pouco acesso tem ao assunto, mas
pesquisando, toma-se conhecimento de que existem dois Sistemas
Operacionais vigentes: o VirtuOs (que pertence a uma empresa privada) e o
Windows CE, com mais de seis mil programas e dois milhões de linhas de
código, tornando muito difícil a sua análise, se é que estão disponíveis.
Esta falta de transparência é que compromete o primeiro pilar de um
legítimo processo eleitoral: a votação. Os outros dois são a apuração e a
fiscalização. A fase de apuração nos remete às eleições de 1982 no rio de
Janeiro e a famigerada Operação Proconsult, nome da empresa encarregada
de proceder à apuração e que teve como objetivo "virar" os
resultados de uma eleição já ganha por Leonel Brizola sobre o candidato
do Governo federal na época, Moreira Franco. A sistemática consistia em
sonegar os resultados da capital (dois terços do eleitorado), onde
Brizola alcançara 70% dos votos, e só divulgar uma média da apuração no
interior do estado, onde Moreira era majoritário. Não fosse a pronta
intervenção de Brizola, exigindo falar à nação pela Rede Globo - que
insistia em divulgar a vitória de Franco - a história seria diferente.
Quanto à fiscalização, é totalmente inócua - se é que existe - fautor que
provoca a incredulidade no sistema.
Existem n maneiras possíveis de fraude na votação, o TSE tem a obrigação
de conhecê-las e toda a comunidade digital espera que as coíba com
sucesso, mas nada impede de enumerá-las: clonagem de urnas;
engravidamento da urna, com mesários em conluio na ausência de fiscais;
fraude na apuração, já que o boletim de urna impresso quando do
encerramento da eleição nem sempre é entregue ao fiscal; possibilidade de
fraude no programa implantado na urna; adulteração dos programas
originais implantados nas urnas; e por último, o maldito vírus - e por
trás dele os crackers - que tanto mal tem causado em todas as áreas de
atuação onde o computador está presente.
Mas afinal, o que é zerézima, presente no título deste artigo? È o
neologismo criado pelos técnicos do TSE para indicar que cada candidato,
no início do processo eleitoral, tem na verdade zero votos. É a garantia
de que todos partem realmente do zero. Lamentavelmente, não é garantia
nenhuma, já que qualquer programador, mesmo principiante, sabe
perfeitamente que é possível digitar algo, a impressora reproduzir este
algo, mas armazenar "o que se quer" na memória do computador. É
uma pena que toda a garantia que o TSE nos ofereça seja apenas a
zerézima, ou seja, zerézima garantia.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - - - - - - - - - - - -
Urnas Eletrônicas -
confiáveis ou não?
O que importa não é quem vence, e sim quem conta os votos
Joseph Stalin
Davi Castiel Menda
Antes que você, prezado eleitor brasileiro, tente me desqualificar,
gostaria de lhe lembrar de que, em 1982, quando você talvez nem
conhecesse o vocábulo computador (ou quiçá tivesse nascido), eu já tivera
três deles e, indignado por outros brasileiros não poderem desfrutar
daquele aparelhinho que prometia ser um dos maiores avanços tecnológicos
da humanidade, eu, com dois outros amigos, instalamos uma fábrica de
computadores. Veja bem, Fábrica, e não uma montadorazinha de fundo
de quintal. E um computador que deu o que falar na época. Portanto
eleitor brasileiro de computadores, eu entendo!
Antes que você, prezado eleitor brasileiro, tente me desqualificar,
gostaria que acessasse o Google, digitando meu nome completo, e você vai
verificar que meus conhecimentos matemáticos e estatísticos são
reconhecidos nacionalmente. Portanto eleitor brasileiro de matemática,
eu entendo!
Antes que você, prezado eleitor brasileiro, tente me desqualificar,
gostaria que lesse trechos de dois artigos abaixo, publicados em Zero
Hora:
14.11.85 Apuração paralela Enquanto os computadores do TRE
estiverem trabalhando no resultado das eleições, a 111a. Junta Eleitoral
já terá o resultado das 270 mesas que a constituem. Isto porque a Junta
contará com a ajuda de um computador e de uma programação feita por
empresa especializada.
A bem da verdade, gostaria de lhe informar que a empresa especializada
era de minha propriedade e a programação pessoalmente desenvolvida por
mim (a cessão do micro e do software foi totalmente graciosa).
19.11.86 Microcomputador é o sucesso da 111a. Zona Uma
economia de tempo de 40 minutos em cada urna apurada é o resultado da
experiência que deu certo já no segundo ano consecutivo, na junta
apuradora da 111a. Zona: a utilização de um microcomputador, cortesia do
secretário da Junta, Davi Castiel Menda.
.....
No entanto, Davi Castiel, a convite do presidente da Junta Apuradora,
Juiz Jorge Perrone, sofisticou o serviço da Secretaria, através do
computador. Etc. etc. etc.
Portanto prezado eleitor brasileiro de apuração de eleições, eu
entendo!
-------------------------------
Mas o assunto é Urnas Eletrônicas. Afinal, pode-se confiar nelas ou
não? Comece lendo um trecho de artigo publicado por Ipojuca Pontes em
29.08.2006:
Por sua vez, o leitor Rodolfo Hazelman, advogado em São Paulo, capital,
ficou estupefato quando viu numa reportagem do Jornal da Band, um
empresário de Guarulhos comprovar, a partir de dados fornecidos pelo
próprio TRE, a ocorrência de fraudes nas urnas eletrônicas, na última
eleição municipal daquela cidade. Ele acha o fato da maior gravidade,
visto que, no Brasil, as urnas eletrônicas são vendidas como à prova de
fraude - quando, de fato, não são!
Já o leitor de nome Márcio, mais audacioso, identifica a irregularidade
dos números das pesquisas em favor do candidato-presidente como uma
espécie de preparação psicossocial para contestar o futuro resultado das
urnas eletrônicas fraudadas. Para dar credibilidade a sua argumentação,
Márcio informa, depois de transcrever substanciosa aula sobre urna
eletrônica, que a única possibilidade de se garantir a integridade das
urnas é o acoplamento de uma impressora dentro do aparelho, que por sinal
já existe, mas que, "por proibição de Nelson Jobim (ex-presidente do
Tribunal Superior Eleitoral), não deverá ser usada para imprimir os
votos" comprobatórios.
Na aula técnica transcrita, feita pelo especialista Carlos Tebecherani, é
assinalado que se o programa (software) da contabilidade dos votos for
alterado para que desvie somente 1 voto em branco (ou nulo) por urna,
para um determinado candidato ou legenda partidária, só em São Paulo, por
exemplo, cerca de 85 mil votos poderiam ser "remanejados".
Sobre a "inauditabilidade" das urnas eletrônicas, uma eterna
preocupação do falecido engenheiro Leonel de Moura Brizola, o
especialista Tebecherani - apoiado em análises de professores e
cientistas dos mais diversos centros de ensinos nacionais e
internacionais - considera que os seus programas "são facilmente
passíveis de alteração", sendo a própria "urna passível de
ataque externo sem que o lacre que a encerra seja rompido".
-----------------------------------------
Continuando este despretensioso artigo, cito trechos do escritor, editor,
pensador e intelectual José Stelle (que na sua modéstia se auto-intitula
tão somente aspirante a political philosopher) em e-mails a mim
dirigidos, e antecipadamente peço-lhe perdão por dar ciência aos que os
lêem, sem saber da sua concordância ou não em editá-los. Se eu não os
divulgasse, estaria pensando e agindo egoisticamente no meu bem próprio,
sem considerar aos interesses alheios.
Mas devemos levar em conta que a fraude eleitoral pode causar
distúrbios. O PT não vai simplesmente aceitar ser alijado do poder. Eles
pensam ter a deusa HISTÓRIA do seu lado, o que justificaria tudo. E como
disse Stalin: O que importa não é quem vence, e sim quem conta os
votos.
Esta última frase é genial, e não sei se o mérito deva ser dado ao autor,
Stalin, ou ao Stelle (afinal, são quase homônimos) que a garimpou! Mas
prossegue Stelle:
Não vou por ibopes, e sim pela lei natural, pela sensibilidade, e pela
razão. E leio as entrelinhas das conversas com parentes e outros no
Brasil, por telefone ou quando visito. O tom de voz, as respostas
descuidadas, as projeções da Síndrome de Estocolmo, o que Ayn Rand
denominou a sanção da vítima - tudo isso mostra o efeito da
desinformação petista. Isso não ocorre só com eles, mas no país todo.
Além disso, o Lula não banca na classe média; a base dele está na classe
baixa, que é a maior. Uma clínica de bairro que salva uma criança, ou
dispensa um remédio grátis, vale mais que um quarteirão da burguesia, que
já é socialista de certo modo, quando não de verdade. Classe média e alta
é sobremesa; come se tiver.
----------------------------------------------
Para concluir, resumo a minha opinião em simples constatações:
- os maiores conglomerados do mundo, os bancos que giram com fortunas
imensuráveis, as empresas aéreas, a Nasa que lida com um orçamento
bilionário, e até o Pentágono, que teoricamente deveriam operar com os
softwares mais indevassáveis, ainda hoje sofrem ataques permanentes de
crackers (termo usado para designar quem quebra um sistema de
segurança, de forma ilegal ou sem ética o termo foi criado em 1985
pelos hackers em defesa contra o uso jornalístico do termo
hacker). Se a sua memória não é curta, prezado eleitor brasileiro,
deve se lembrar de recente episódio no Senado invasão do painel de
votação - que inclusive originou a renúncia do todo poderoso Senador
Antonio Carlos Magalhães.
- o questionamento, analisando a situação com a frieza e imparcialidade
que o assunto requer, não é a urna propriamente dita - não conheço sua
sistemática interna e nem vem ao caso conhecê-la. O problema é o depois:
o day after. É a manipulação (termo que pode e na verdade é o
que pretendo - produzir interpretação ambivalente) que sofre o processo
quando os dados são totalizados e passam a ser digitados manualmente. É o
ponto fraco, o calcanhar de Aquiles. Morreu o controle. Foi-se a
garantia. Acabou a confiança o processo passa a ser humano e todos nós
sabemos que nestas condições a falibilidade se diz presente.
- quais os motivos das grandes potências, com inegável superioridade
sobre nós, tanto em hardware como em software, até hoje não utilizarem
semelhante sistema?
Lamento. Como brasileiro e programador, gostaria de acreditar na lisura e
na infalibilidade do sistema, mas quem afirma que as urnas eletrônicas
são à prova de fraude, provoca risos na comunidade ligada à informática
e não são poucos.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - - - - - - - - - - - -
[VotoEletronico] Blog Al-Karismi: Projetos Matemáticos
Paulo Gustavo Sampaio Andrade Tue, 19 Sep 2006 09:03:49 -0700
- [VotoEletronico] Blog Al-Karismi: Projetos M... Paulo Gustavo Sampaio Andrade
- [VotoEletronico] Re: [VotoEletronico] B... Carmen Gomes
