Conheça a segurança que protege os votos da urna eletrônica
( http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2006/07/26/idgnoticia.2006-07-25.1949582050 )Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 26 de julho de 2006 às 07h00
São Paulo - TSE investe 200 milhões em segurança e diz que sistema é à prova de falhas. Professor da Universidade de Brasília critica urna eletrônica.
A segurança é um dos pontos mais polêmicos em relação à votação eletrônica. Apesar de todo o avanço das eleições eletrônicas, críticos do modelo ainda levantam dúvidas sobre a confiabilidade do sistema.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o sistema é 100% confiável. Uma das maiores vantagens da urna é que ela colhe os votos offline, ou seja, desconectada da internet, evitando ataques remotos, justifica Athayde Fontoura Filho, diretor geral do órgão.
Cada urna é equipada com um drive de disquete, onde são computados os votos. Estes disquetes são selados com uma chave criptográfica, que garante que somente eles poderão ser inseridos no ponto de transmissão, de onde serão enviados para o Tribunal Regional Eleitoral de cada Estado e, posteriormente, ao TSE.
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Segundo Fontoura, o processo de comunicação e a rede do TSE são protegidos por sistemas da Modulo Security, empresa nacional de segurança. Nestas eleições, o tribunal investiu 200 milhões de reais em sistemas de proteção.
Apesar destes esforços, críticos ao modelo adotado pelo TSE questionam a inexistência de comprovantes impressos que permitam a auditoria e recontagem de votos. É possível fraudar qualquer sistema de informação, sem exceção, argumenta o professor Pedro Rezende, da área de Computação da Universidade de Brasília.
De acordo com ele, para se fraudar uma eleição eletrônica que não permite recontagem, como a que ocorre hoje Brasil, basta um programador com privilégios, conhecimento e oportunidade adequados. Tanto melhor se protegido pelo mito da segurança por obscurantismo. Segundo Resende, existem pontos frágeis no sistema que precisam ser modificados, como a falta de possibilidade de uma auditoria externa em todos os programas.
As urnas eletrônicas possuem três programas diferentes: o sistema operacional, o aplicativo e a biblioteca criptográfica. Qualquer um dos três pode conter um código malicioso e embusteiro que altere o que é mostrado na tela, para algo diferente do que vai ser gravado para a apuração final. Isso pode ser usado para mudar os resultados das eleições num município, Estado ou até mesmo os votos para a presidência da República. Por isso, a necessidade de fiscalização nos programas que, atualmente, são preparados com 60 dias de antecedência das eleições.
A legislação eleitoral atual prevê que algumas urnas sejam sorteadas para verificação, mas somente alguns dias antes do pleito e não depois da votação, como seria o procedimento mais adequado para verificar se houve fraudes, diz Rezende.
Impressão do voto
Testamos a impressão, mas foi um fracasso, afirma Fontoura. O contra-argumento do TSE às acusações de possibilidade fraude nas urnas é que o software utilizado nos equipamentos está aberto a testes a qualquer interessado, inclusive representantes dos partidos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público Federal.
A Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do TSE torna disponível, entre os dias 5 de junho e 5 de setembro, a Sala de Apresentação, para que as entidades possam acompanhar as fases de especificação e desenvolvimento dos softwares que serão utilizados nas cerca de 430 mil urnas eletrônicas que serão utilizadas nestas eleições.
Na primeira semana de setembro, a Justiça Eleitoral realiza a cerimônia de assinatura digital e lacre dos sistemas, da qual participam todos os partidos, prevista para a primeira semana de setembro. O software lacrado é distribuído para todas as urnas.
Se alguém quiser verificar se o software de uma urna foi adulterado, pode requerer o programa e ver se é igual ao que foi homologado, explica Fontoura. Há muito folclore a respeito da segurança nas urnas, mas ninguém prova nada, conclui o diretor.
