Pessoal das listas

      Saiu na Agência Usp de Notícias ( www.usp.br/agenciausp ), em Especial -
Eleições 2006, o Artigo:  Adoção de comprovante de voto pode evitar fraudes
contra urnas eletrônicas, de Júlio Bernardes (ver abaixo). Também pode ser
lido em:

http://www.usp.br/agen/eleicoes/urnas.htm

      Abraço

      Walter Del Picchia - S.Paulo/SP

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Adoção de comprovante de voto pode evitar fraudes contra urnas eletrônicas
Júlio Bernardes

O risco de fraudes no voto eletrônico é real. Mudanças nos programas que fazem a
contagem, totalização e transmissão dos votos podem adulterar os resultados, 
como
foi denunciado na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, nas últimas eleições
para prefeito, em 2004. O problema pode ser minimizado? Especialistas em 
informática
afirmam que é possível reduzir significativamente os riscos de fraudes adotando
medidas como a impressão dos votos dados na urna eletrônica para conferência dos
resultados.

"No Brasil, o voto eletrônico não é auditável, ou seja, não há um comprovante 
físico
de cada voto que possa ser checado em caso de suspeita de fraudes", afirma o
professor Routo Terada, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. 
"Na
votação em papel, é possível fazer a conferência por meio da recontagem manual, 
mas
a urna eletrônica sempre fornecerá o mesmo resultado."

De acordo com Walter del Picchia, professor aposentado da Escola Politécnica 
(Poli)
da USP, a programação das urnas pode ser alterada para desviar votos. "Entre a
confirmação do voto pelo eleitor e a gravação na memória, há um processamento de
dados", explica. "Um programador desonesto poderia alterar o programa de
processamento e os votos dados para um candidato seriam computados para um
concorrente".

Desde 2.000, Del Picchia participa do Fórum do Voto Eletrônico 
(www.votoseguro.org),
que discute o sistema de votação e apresenta sugestões ao Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) para impedir fraudes. "O terminal onde o mesário digita o 
número do
título de eleitor está ligado à urna por um cabo e a identificação pode ficar
gravada na urna", alerta. "Quem tivesse acesso aos programas usados na urna 
poderia
programá-la para saber em quem cada pessoa votou, podendo transformar o direito
constitucional ao voto secreto numa mera concessão".

Segurança
Terada, que também é especialista em segurança de dados, ressalta que o TSE
disponibiliza para os técnicos dos partidos políticos antes das eleições, por 
alguns
dias, os programas de computador usados na votação eletrônica. "O prazo dado 
para
verificação, porém, é muito curto para analisar softwares extensos, que possuem
milhões de linhas de programação", observa. "No caso das eleições, o nível de
segurança dos programas precisa ser muito alto."

Para reduzir o risco de fraudes, os especialistas sugerem a impressão dos votos
eletrônicos. "A urna já possui uma impressora, seria necessário apenas 
adaptá-la à
parte frontal, com um visor onde o eleitor pudesse conferir o voto impresso", 
conta
Del Picchia. "Em seguida, esse voto seria automaticamente depositado na própria 
urna
eletrônica". A proposta do Fórum é que 2% das urnas, sorteadas após a apuração,
sejam submetidas obrigatoriamente a auditoria, que atualmente não é feita pelo 
TSE.

Terada lembra que nos Estados Unidos a comprovação em papel é obrigatória na 
maioria
dos estados que adotam o voto eletrônico. "Em Minnesota, os eleitores votam em
cédulas, mas antes de elas serem depositadas nas urnas, um scanner recebe o 
voto e o
envia a um computador para fazer a totalização", relata. "Se houver denúncias de
fraudes, os votos são contados manualmente".

Outra proposta do Fórum do Voto Eletrônico é que os boletins de urna sejam
disponibilizados na internet. "Hoje, o acesso a estes boletins é muito 
restrito",
diz Del Picchia. "Com eles, seria possível fazer uma totalização paralela dos 
votos,
que poderia detectar interferências de hackers na transmissão dos votos para
totalização".

O professor aponta que o Fórum, no "Manifesto dos Professores", pede que o TSE
forneça urnas eletrônicas para a realização de testes públicos por 
especialistas, o
que tem sido negado.

Terada lembra que alguns tipos de fraudes, presentes em outras eleições, podem
ocorrer também com o voto eletrônico. "Ainda é possível um eleitor usar o 
título de
outra pessoa e votar por ela, ou os casos de compra de votos, especialmente no
interior do País."

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