Envio completo agora o artigo de Roberto Leher que mostra que Lula está com
mais apoio das forças ocultas do que Alckmin.

Eu posso até acreditar numa fraude a favor de Alckmin em S. Paulo mas ela só
poderia ser feita com o consentimento do PT barganhando uma outra vantagem.

O Artigo:



*DEBATE ELEITORAL E AS PERSPECTIVAS PARA OS SOCIALISTAS*

*(Versão preliminar)*

Roberto Leher

A arrogância das certezas e dos juízos definitivos não é compatível com o
espírito científico. Há mais de meio milênio William Shakespeare com seu
desconcertante senso crítico alertava que "Há mais coisas entre o céu e a
terra (...) do que sonha a nossa vã filosofia" (*Ato I - Cena V: Hamlet*). O
debate sobre o voto no segundo turno, se em Lula da Silva ou nulo (este
texto assume como obviamente fora de questão o voto em Alckmin), salvo
honrosas exceções, parece ter enredado por um caminho irracionalista – a
certeza dogmática do posicionamento correto: quem não vota em Lula da Silva
é pequeno burguês e apóia o retrocesso neoliberal - que terá graves
implicações políticas para as lutas pela emancipação social.

Após a "surpresa" de que haverá um segundo turno, a rede web está
congestionada de tanta mensagem comparando o desempenho de Lula da Silva
vis-à-vis ao de Cardoso, obviamente mostrando como os indicadores do
representante do PT são superiores aos do PSDB. Em que pese graves erros
metodológicos, como os que sustentam que o neoliberalismo de Lula da Silva
foi capaz de alterar o ponteiro da desigualdade social no país (dando razão
aos adeptos do neoliberalismo de que a macroeconomia neoclássica é capaz de
promover a justiça social), tema a que voltarei adiante, surpreende que o
"metro" da análise do governo Lula da Silva seja o metro das políticas
neoliberais.



Aqui, diferente do problema teórico e metodológico da desigualdade social, a
questão é outra: a maior vitória que os dominantes podem ter é justamente
quando os de baixo pensam conforme os seus parâmetros. Gramsci nos ensinou
com os conceitos de hegemonia e transformismo que uma hegemonia é dominante
quando é capaz de incluir em seu sistema de pensamento o ponto de vista
inclusive de setores outrora em oposição e, não menos importante, assimilar
os quadros políticos mais destacados das forças adversárias ao seu sistema
político.

Nessa perspectiva, quando o metro do acerto ou do erro de Lula da Silva é
tomado emprestado do neoliberalismo de Cardoso estamos diante de uma derrota
intelectual, pois, ao não reivindicarmos outras perspectivas fora do marco
neoliberal, estamos reconhecendo que afinal Thatcher tinha razão quando
afirmava que "Não Há Alternativa" (TINA, por sua sigla em inglês) ou, tão
terrível quanto, que o ideólogo do Departamento de Estado dos EUA, Francis
Fukuyama, expressava uma verdade quando asseverava a tese do fim da
história.



E pior, causa profunda apreensão o fato de que parte significativa da *
intelligentsia* da esquerda insista em separar o econômico do político e o
econômico do social, sob a fórmula: "a política econômica do governo é
péssima, mas a política externa e a área social são excelentes ou se não
merecedoras de tal adjetivo, ao menos são avanços inquestionáveis etc. Ellen
Wood em um extraordinário livro[1] <#_ftn1>[1] nos mostra que a dominação
burguesa por meios "democráticos" tem sido possível justamente devido à
disjunção das esferas econômica e política, possibilitando que a democracia
econômica tivesse sido suprimida em favor da "democracia" política. É essa
concepção que justifica a autonomia do Banco Central frente à soberania
popular, por exemplo (situação que ocorreu tanto no governo Cardoso como no
de Lula da Silva). Essas análises têm e terão repercussões muito graves,
pois, nesse caminho, a esquerda perderá o que restou de patrimônio teórico,
anunciando derrotas muito duradouras e de conseqüências imprevisíveis

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