A todos (com cópias)
Parabéns à Veja e ao Diego Escosteguy por não deixar o assunto esfriar
(e ser
esquecido, como todos...). Apenas o incoerente trecho final é de rir (parece
mais uma ironia do Diego - se for intencional, meus cumprimentos):
'São cada vez mais sólidas as evidências técnicas de que as urnas alagoanas
foram
alvo da ação de criminosos. Porém, ao contrário do que alguns críticos imaginam,
é o próprio sistema que está revelando o problema. Isso mostra que o voto
eletrônico, além de moderno e eficiente, também é seguro contra fraudes. Basta
ficar
de olho em seu uso.'
Primeiro, quem serão esses críticos maldosos que 'imaginam' tais
coisas? E
o que será que eles imaginam? Nós não somos, pois somos perversos mesmo; não
'imaginamos', mas afirmamos, e provamos se e quando o TSE permitir (já
disseram: quando perder o medo..). E que belo sistema é esse, '100% seguro',
'inexpugnável', 'robusto, seguro e confiável', que pode ser tão facilmente
alvo da ação de criminosos e em tal intensidade? Os que fizeram aquele
relatório 'da Unicamp' (bem) pago pelo Jobin (maio/02), não tem nada a observar
sobre os qualificativos acima? Ao menos deveriam vir a público explicar que, no
mínimo, abusaram de suas conclusões, pois recomendaram providências não
tomadas...
(Até hoje não entendo como profissionais competentes ficam calados quando são
usados
politicamente de modo tão aético).
Depois, essa de o 'sistema revelar o problema' é de lascar. 'Revela'
coisa
alguma! As conclusões tem que ser extraidas daquilo que o TSE permitir que se
examine. A extração é trabalhosa e o TSE não entrega o ouro tão facilmente;
quando
quer, nega com a maior facilidade (há casos de documentos alterados, negados,
postergados em www.votoseguro.org ). Se puder, o TSE nega tudo que possa
desmentir sua propaganda falsa dos '100% segura'. Negou inclusive a
apresentação dos
arquivos digitais do voto para a auditoria do prof. Clovis do ITA (como está
escrito
em seu relatorio). E como chamar de moderno/eficiente um sistema que dá o
resultado
em horas, mas leva-se ano para conferir se houve fraude? Em Alagoas o eleito
segundo
o TSE já tomou posse, e a perícia, se houver, ficará pronta, se ficar, após
cerca de
ano depois da rapidíssima apuração.
O resto (do parágrafo citado) nem merece comentários, por ser
claramente
contraditório. O 'basta ficar de olho' é uma boa recomendação, mas até
agora muito poucos têm ficado de olho. A maioria avassaladora se alheia
quando os de olho previnem quanto a tudo que tem acontecido e pode
acontecer. Continuemos o combate; ou o TSE ouve os poucos que estão de olho
e corrige esse sistema bichado, ou cada vez mais gente vai ficar de olho e
colocar o sistema eleitoral eletrônico sob suspeita. Identificação digital
só servirá para se gastar mais dinheiro (nosso), pois não mudará nada
quanto à insegurança global do sistema.
Abraço
Walter Del Picchia - Prof.Titular - Escola Politécnica/Universidade de
S.Paulo
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Em Sab, Janeiro 27, 2007 3:54 pm, Amilcar Brunazo Filho escreveu:
> Olá,
>
> Saiu pela segunda semana uma reportagem na Veja sobre o Caso Alagoas,
> com o título "Será mesmo defeito?"
>
> A reportagem pode ser lida por assinantes da Veja ou por quem a comprar
> nas bancas digitando a palavra INHANGAPI no endereço:
> http://veja.abril.com.br/310107/p_057.html
>
> Amilcar
> -----------------------
>
> Será mesmo defeito?
>
> Laudo complementar aponta mais problemas em urnas alagoanas e reforça
> suspeita de
ação criminosa
>
> Diego Escosteguy
>
> Montagem sobre fotos de Pedro Rubens e Roberto Setton
> O professor Fernandes: falhas demais para não ser fraude
>
> VEJA revelou na semana passada o conteúdo de um laudo elaborado pelo
> Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) que apontava evidências de
> fraude em urnas eletrônicas de Alagoas nas eleições do ano passado. O
> presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Marco Aurélio
> Mello, classificou as informações como "preocupantes" e requisitou uma
> auditoria para aprofundar as investigações. Técnicos do tribunal, no
> entanto, se apressaram em afirmar que os problemas detectados se
> resumiam a falhas nos arquivos que registram a memória das urnas, os
> chamados "logs", e que isso não comprometia o resultado das eleições. Ou
> seja: os casos das urnas que registravam mais eleitores do que votos ou
> das que não registraram voto algum seriam resultado de um simples
> defeito na memória de um lote de equipamentos mais antigo. Os técnicos
> podem ter se precipitado. Laudo complementar elaborado pelo professor
> Clovis Torres Fernandes, do ITA, mostra que as falhas não se resumem aos
> registros de memória. Há divergências graves envolvendo outros programas
> das urnas alagoanas que reforçam a suspeita de que elas podem ter sido
> criminosamente manipuladas.
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autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
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eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
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