Eu escrevi uma mensagem longa numa lista de voto eletrônico da França
a respeito das eleições francesas e terminei dizendo que a França
tinha uma grande vantagem sobre o Brasil: lá a escolha do método de
voto é feita pelas prefeituras, dando chance à população de fazer
pressão para que a escolha recaia sobre modelos que imprimem o voto
verificado pelo eleitor.
O Pierre Muller, aquele do www.recul-democratique.org, que agora mudou
o nome para www.ordinateurs-de-vote.org, respondeu. Traduzindo
rapidamente, é isso:
É muito tarde para desenvolver uma argumentação complexa, então vou
responder por uma fórmula que vem da Holanda: o voto eletrônico é uma
não-solução problemática para um não-problema. Mandar imprimir um voto
é procurar uma solução aos problemas da não solução de um
não-problema. Um pouco complicado, não? Será que precisamos realmente
do voto eletrônico?
Mesmo os EUA desistem da impressão do voto, como a Flórida que se
volta agora para os scanners de verdadeiras cédulas de papel. Os
problemas informáticos e legislativos não desaparecem por milagre, mas
pelo menos o papel pre-existe à informática, o que é mais sadio.
A respeito do Brasil, e de um aspecto largamente igorado tanto lá
quanto cá, a acessibilidade:
http://www.ordinateurs-de-vote.org/L-ergonomie-dans-l-enjeu.html
Trata-se de um artigo sobre a ergonomia, escrito por Gabriel Michel,
Equipe Transdisciplinar sobre a Interação e a Cognição, Universidade
Paul Verlaine, Metz e Walter Cybis De Abreu, Laboratorio de
Utilizabilidade, Universidade Federal de Santa Catarina
Este é o resumo:
A ergonomia no jogo democrático do voto eletrônico:
o exemplo da urna eletrônica brasileira
O que dizer de um governo que implementa máquinas de votar
eletrônicas que são um obstáculo, que impedem 20 a 50%
(dependendo do país) dos eleitores, chamados tecnologicamente
excluídos, de exprimir sua escolha?
Estas estimativas da quantidade de tecnologicamente excluídos foram
calculadas por corte entre as populações de deficientes físicos, idosos,
analfabetos e não acostumados com a tecnologia (Cybis, 2007). Estes
resultados provam que é absolutamente necessário levar em conta
as particularidades destas populações na concepção das máquinas de
votar se for desejo real de que elas possam se expressar.
Há muitos anos a maioria dos estudos criticando o voto eletrônico é
focada nos aspectos informáticos do voto (segurança dos equipamentos,
das redes e dos programas - em particular o controle do software
efetivamente usado - confiabilidade dos dados dos votos digitados,
registrados, transmitidos e computados, robustez dos equipamentos,
até a rapídez do tempo de resposta...). Por outro lado, poucos estudos
destacam o perigo para a democracia que representa um sistema de voto
não ergonômico (Bederson, 2003). É o que tentaremos ilustrar aqui pela
nossa experiência de avaliação dos sistemas de voto no Brasil: eles foram
efetuados em dois momentos marcantes da evolução deste dispositivo:
em 96 durante sua introdução experimental, e em 2002, quando este
dispositivo teve que resistir à tarefa mais complexa da história do voto
eletrônico no Brasil.
Queremos mostrar assim que o jogo nobre e visível da democracia é
igualmente dependente da ergonomia do sistema de voto: o que vai
facilitar ou complicar o acesso de algumas populações ao voto.
Roger Chadel
Roger Chadel a écrit :
> La France a quand même un très grand avantage sur le Brésil, et vous
> avez la possibilité d'en profiter : ici c'est le Tribunal Supérieur
> Électoral qui décide pour l'ensemble du Brésil, mais chez vous ces
> décisions sont prises par les mairies, donc bien plus simple de faire
> pression pour qu'elles achètent des machines sécurisées, qui impriment
> le bulletin de vote pour permettre la vérification et un éventuel
> recomptage.
Il est bien tard pour développer une argumentation complexe, alors je
vais répondre par une formule nous venant de Hollande : le vote
électronique est une non-solution problèmatique à un non-problème.
Leur faire imprimer un bulletin est chercher une solution aux problèmes
de la non-solution à un non-problème.
Un peu compliqué, non ? Demandons-nous si nous avons réellement besoin
du vote électronique.
Même les USA en reviennent de l'impression du bulletin, comme la Floride
qui se dirige vers des scanners de vrais bulletins papier. Les problèmes
informatiques et législatifs ne disparaissent pas par miracle, mais au
moins le papier préexiste à l'informatique, ce qui est plus sain.
A propos du Brésil, et d'un aspect largement ignoré là-bas comme ici,
l'accessibilité :
http://www.ordinateurs-de-vote.org/L-ergonomie-dans-l-enjeu.html
Concernant la France (bientôt quelque chose de complet) :
http://www.ordinateurs-de-vote.org/IMG/pdf/gm_Analyse_aveugles.pdf
--
Pierre Muller, président d'ordinateurs-de-vote.org
Citoyens et informaticiens pour un vote vérifié par l'électeur
78 av V.Hugo - 94600 CHOISY LE ROI
Portable: 06 63 72 63 56
http://www.ordinateurs-de-vote.org (anciennement recul-democratique.org)
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