Em junho do ano passado a Dra. Maria Augusta Tibiri�a programou a
palestra do Amilcar Brunazo Filho aqui no Rio, na ABI. Neste artigo
publicado hoje, dia 1 de maio, a Dra. Maria Augusta fala de nosso Brasil
e, de passagem, da urna eletronica. Mesmo assim vale a pena ler.


http://www.jcom.com.br/opiniao/Materia3.htm
Title: Jornal do Commercio
 
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Escândalos que não aparecem
MARIA AUGUSTA TIBIRIÇÁ MIRANDA
Presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon)

É difícil abrirmos um jornal atualmente - ou ouvimos um telejornal - sem que nos estarreçamos diante de fatos da maior gravidade. Eles preenchem páginas e páginas dos diários ou revistas, ocupam os noticiários de TV e mantêm a população mobilizada. Isto é perfeitamente compreensível, e mesmo desejável, especialmente quando os personagens são grandes caciques da política.

Todavia, o que nos intriga é que, por mais que os fatos se aproximem da Presidência da República, nunca a atingem.

Eduardo Jorge era secretário de FHC. Todas as acusações pararam nele. Agora, vemos o líder do Governo no Senado, o senador José Roberto Arruda, infringir frontalmente uma norma ética e moral, aparentemente apenas envolvido com o senador Antônio Carlos Magalhães, sem que a sua liderança, ou seja, o Governo - mais claramente, FHC - participasse ou usufruísse da lista de votação. Mais, e pior: só ousasse a exigir a completa apuração de fatos que, obviamente, não poderia desconhecer! Afinal de contas, para que serve um líder de Governo?

Esta linha de raciocínio nos leva mais longe: por que a obstinada obstrução do Governo a uma CPI da corrupção? Isto não engrandece a sua imagem!

Poderíamos - e até deveríamos - ir mais longe, recordando o episódio tão comentado da compra de votos para a reeleição.

'Aranjos'. Muitos comentários poderiam ser feitos quanto ao episódio do painel. Inclusive os abertos "arranjos" para uma renúncia salvadora dos direitos políticos dos implicados. Outra pergunta: como fica a parte mais fraca, a funcionária Regina Célia Pereira Borges? "Obediência devida"? Episódios recentes da ditadura nos fizeram lembrar dessa frase. Por falar nisso, se o painel do Senado pode ser violado, por que não as urnas eletrônicas? As eleições vêm aí.

Na realidade, estamos certos de que toda essa grande cortina - que tem de ser desvendada - encobre problemas mais sérios, como as privatizações indiscriminadas de estatais rentáveis e estratégicas; da cega obediência do Governo aos ditames do FMI, com graves prejuízos para o Brasil e seu povo; com a Alca, que só interessa aos EUA e já derrubou de seu cargo o brioso embaixador Samuel Pinheiro Guimarães que, de peito aberto, a condenou, embora em caráter apenas pessoal, na defesa do seu país.

Espaços. Destes e de outros problemas de grande monta, a mídia pouco fala. Se os mesmos espaços fossem abertos, não teríamos ouvido a célebre revelação estarrecedora: "Estamos vendendo o Brasil", do ministro Mendonça de Barros em seu depoimento ao Senado em 1998. Na ocasião, retruquei no Jornal da ABI: "nós, que vimos denunciando o crime de lesa-Pátria que se comete com as privatizações indiscriminadas - Barbosa Lima Sobrinho à frente - confirmamos que eles (leia-se Governo) sabem o que fazem: estão vendendo o Brasil. Mais exatamente: doando o Brasil. Isto ainda não confessaram". Mais adiante voltamos ao tema, que é o de hoje: "Desde Collor de Mello, os governos acentuaram sua fidelidade às normas do FMI, do neoliberalismo. FHC se destaca, impedindo investigações e conseqüente transparência, nas privatizações. No recente episódio dá força total para a apuração... de quem instalou os grampos. O mérito do problema nem é com ele! Esforçou-se para manter o seu amigo ministro, mas não deu! Rolaram cabeças. E o presidente, também apontado nas fitas gravadas, como fica? Fica? E os empresários comprometidos, são intocáveis?"

Essas considerações que fiz em 1988 estão atualíssimas.

No final da apuração de todos esses escândalos, como fica FHC? Na posição de Deus? Deus que me perdoe!

 

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