Matéria tirada de:
http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=19754


Senadores querem banir urnas eletrônicas

José Rodrigues Filho *

Um mês depois de os holandeses banirem o voto eletrônico, agora é a vez 
dos Estados Unidos. Segundo notícias da revista Time Magazine desta 
semana,dois senadores democratas dos Estados Unidos apresentaram projeto 
de lei propondo banir o voto eletrônico, a exemplo do que ocorreu na 
Holanda.

A proposição dos senadores Bill Nelson, da Flórida, e Sheldon 
Whitehouse, de Rhode Island, ambos do Partido Democrático, é no sentido 
de que as urnas do tipo DRE (Direct Recording Electronic Voting), 
similares às que são utilizadas no Brasil, não sejam mais utilizadas nos 
Estados Unidos, por serem consideradas inseguras, além de não oferecerem 
nenhuma transparência durante o processo eleitoral. Contudo, os 
senadores são favoráveis à tecnologia que ofereça mecanismos de 
impressão do voto e, principalmente, à tecnologia de leitura óptica para 
contagem de votos.

A preocupação, no momento, é o que fazer diante de gastos de quase meio 
bilhão de dólares com urnas eletrônicas inseguras. Os americanos sempre 
questionaram o elevado custo de urnas eletrônicas, embora o voto 
eletrônico nos Estados Unidos seja utilizado por apenas 20% dos 
eleitores. O sistema de votação nos Estados Unidos é muito diferente do 
de outros países,uma vez que os americanos podem utilizar diferentes 
formas de votar, ou seja, voto eletrônico, voto de papel, leitura óptica 
etc.

Desde o ano 2000, quando os americanos foram atormentados com a questão 
de contagem de votos, que resultou na eleição do presidente Bush, os 
políticos começaram a observar positivamente a opção de voto eletrônico, 
jáutiliza do no terceiro mundo, principalmente no Brasil e na Índia. 
Aliás, a partir daí, as urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas em 
várias partes do mundo, mas sem a suficiente atenção com a questão de 
segurança e transparência das eleições.

Contudo, duas questões ameaçavam a utilização da urna eletrônica nos 
Estados Unidos: a primeira dizia respeito à insegurança deste 
instrumento de votação e a sua falta de transparência, fato apontado já 
por especialistas e acadêmicos brasileiros.

Nesse sentido, acadêmicos e instituições americanas começaram um grande 
movimento contra o voto eletrônico como o existente nos dias de hoje. A 
outra questão tinha a ver com as acusações de ligação da empresa 
Diebold, fabricante de urnas eletrônicas, com o Partido Republicado, do 
presidente Bush.

A Diebold, também é a fabricante de urnas eletrônicas para o Tribunal 
Superior Eleitoral, mas nunca foram levantadas suspeitas de seus 
negócios com o governo brasileiro, apesar desta empresa ter comemorado o 
maior faturamento de sua história de mais de cem anos de existência, 
vendendo urnas eletrônicas para o governo brasileiro, embora a história 
de implementação do voto eletrônico no Brasil não tenha ainda sido contada.

Face ao exposto, o que se pode concluir é que o projeto de voto 
eletrônico, utilizando a tecnologia atual e insegura, está sendo 
enterrado, sobretudo quando se alega que as urnas eletrônicas, até o 
momento, foram desenhadas e fabricadas ignorando os princípios básicos 
de segurança e transparência. Aliás, foi percebido que as 
vulnerabilidades dos sistemas de votação eletrônica eram 
surpreendentemente similares entre os diferentes fabricantes, 
facilitando qualquer processo de fraude.

Quem diria que, em tão pouco tempo, os políticos americanos propusessem 
banir o voto eletrônico, um mês logo após os holandeses terem puxado a 
tomada dessa tecnologia. No momento, o mundo inteiro está chegando à 
conclusão dos riscos do voto eletrônico, fato alertado há mais de dez 
anos pelos especialistas brasileiros, quando as observações deles sempre 
foram ignoradas pelas autoridades governamentais e pela imprensa 
burguesa deste país.

Hoje, no mundo desenvolvido, os mais críticos já começam a propor que 
indenizações sejam cobradas dos fabricantes de urnas eletrônicas, da 
mesma forma que são cobradas das empresas de tabaco, por conta dos 
riscos causados à sociedade.

Espera-se que, no Brasil, a classe política também tome posição sobre a 
nossa pobre tecnologia de voto eletrônico. Diante de muitos negócios e 
pouca transparência e democracia, é possível que alguns países, 
inclusive o Brasil, façam um esforço para alinhar negócios com segurança 
e transparência das urnas eletrônicas. Mesmo assim, a questão de 
ampliação da democracia e da alienação dos eleitores pela tecnologia só 
vai ser resolvido num debate em que não se separe tecnologia e cidadania.

Ainda bem que as democracias tradicionais já começaram a fazê-lo, num 
momento em que se propõe jogar no lixo milhares de urnas eletrônicas. 
Pensar em urnas eletrônicas sem levar em consideração o conceito de 
cidadania é incentivar muitos negócios para as grandes corporações, 
porém, com riscos, prejuízos e exclusão digital para a sociedade, como 
estamos registrando no momento.

*José Rodrigues Filho foi pesquisador nas Universidades de Harvard e 
Johns Hopkins. Atualmente, é professor da Universidade Federal da Paraíba.
www.jrodriguesfilho.blogspot.com

ATUALIZADA EM:13/11/2007




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