A mentira da auditoria digital das urnas eletrônicas: 1) Introdução
Como em nossas urnas eletrônicas inexiste o voto materializado conferido pelo eleitor que permita uma forma contábil de auditoria do resultado eleitoral, o administrador eleitoral brasileiro informa, em suas páginas na Internet, como deve ser feita a fiscalização e auditoria "digital" do resultado eleitoral: http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/votoeletronico/como_fisc.htm http://www.tse.jus.br/internet/eleicoes/votoeletronico/como_audit.htm Nestas páginas do TSE, estão listados os procedimentos da auditoria por meios virtuais como conferência de resumos e assinaturas digitais, recontagem dos registros digitais do voto, etc. Mas, como estes meios e dados de auditoria digital são dados produzidos pelo próprio programa de computador das urnas eletrônicas, basicamente a auditoria digital consiste em dar condições à sociedade para, por meio de seus representantes e fiscais, determinar se os programas nas urnas são integros. Segundo o próprio TSE, na sua página: http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/votoeletronico/car_urnas.htm a fiscalização durante a carga das urnas deverá ser feita pela "comparação do resumo digital dos programas da urna com o publicado na Internet". Abaixo segue uma avaliação da qualidade da "auditoria por meios digitais" ocorrida durante a preparação das urnas eletrônicas em 2008. 2) Os "arquivos sobrantes" nas urnas eletrônicas No dia 15 de setembro, de acordo com os Art. 10 e 11 da resolução TSE 22.714/08, o próprio TSE produziu as tabelas com os "resumos digitais" dos programas das urnas eletrônicas e entregou cópia das tabelas aos partidos políticos, à OAB e ao MP. Também publicou a tabela oficial na Internet. As tabelas, assim produzidas, continham erro de omissão, quer dizer, haviam 16 arquivos fixos presentes nas urnas eletrônicas cujos resumos digitais não foram incluidos nas tabelas oficiais. Os arquivos FIXOS presentes nas urnas e ausentes na tabela oficial eram os seguintes: avpart13.vmt avpart90.vmt avpart91.vmt bu.pk1 ue.pri ue.pub vd.pk1 libapihwilue.so ld-linux.so libc.so libdl.so libgcc_s.so libm.so libpthread.so librt.so libstdc++.so Assim, ao se proceder a tal comparação do resumo digital dos programas da urna com o publicado na Internet, arquivos "sobrantes" nas urnas iriam aparecer em todo o Brasil. 3) A Qualidade da Auditoria Digital Nas duas semanas seguintes, as urnas eletrônicas foram carregadas e submetidas a testes obrigatórios em cada Zona Eleitoral do Brasil, durante as respectivas cerimonias de cargas e lacração das urnas. No Brasil existem 3.104 Zonas Eleitorais. Apenas em 4 delas (duas no interior de São Paulo, uma no interior do Rio de Janeiro e uma no interior do Maranhão) os fiscais dos Partidos, da OAB ou do MP notaram que haviam "arquivos sobrantes" nas urnas que não constavam da lista oficial do TSE. obs.: Pela ordem cronológica, os fiscais que detectaram o problema foram: Cristiano Guimarães (RJ), Maria Aparecida Cortiz (MA) e Amilcar Brunazo Filho (SP). Não se está aqui contestando a existência destes arquivos a mais nas urnas, pois o erro estava na tabela oficial do TSE e não nas urnas, propriamente ditas. O que se está questionando é a qualidade e efetividade da tal de "auditoria digital do sistema eletrônico de votação". Apesar de ser um problema presente em 100% das urnas eletrônicas e em 100% das Zonas Eleitorais, a auditoria realizada pela sociedade só foi capaz de detectar o problema em 4 delas. Fazendo os cálculos temos: ZE onde havia o problema: 3.104 - 100% ZE onde se detectou o problema: 4 - 0,13% Urnas onde havia o problema: umas 400 mil - 100% Urnas onde se detectou o problema: 4 - 0,001% Eleitorado brasileiro: aprox. 130 milhões Brasileiros aptos a detectar a existência de arquivos inesperados nas urnas eletrônicas: 3 Quer dizer que apenas uns 0,0000023% dos eleitores brasileiros conseguiram se mostrar capazes de descobrir problemas reais nos programas das urnas eletrônicas (e nenhum deles é da OAB ao do MP). É por isto que continuamos a afirmar, ENFATICAMENTE, que desde a adoção das urnas eletrônicas no Brasil o processo eleitoral eletrônico brasileiro NUNCA TEVE O SEU RESULTADO AUDITADO de forma efetiva. Apesar de ainda exisitirem muitos brasileiros que insistem na ladainha de que este nosso sistema eleitoral é o mais moderno do mundo, é exatamente por não ter como auditar o seu resultado eleitoral de forma efetiva que nosso sistema, baseado em urnas eletrônicas sem materialização do voto, tem sido REJEITADO EM 100% DOS PAÍSES QUE VIERAM CONHECE-LO. [ ]s Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP www.votoseguro.org ----------------- SEI EM QUEM VOTEI, ELES TAMBÉM, MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU MEU VOTO --~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~ __________________________________________________ O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas. __________________________________________________ Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico http://www.votoseguro.org __________________________________________________ Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo "VotoEletronico" em Grupos do Google. 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