Prezados leitores do Fórum Voto-E,  Heitor Reis recomenda: 

  > Na falta [de voto impresso], convém, por garantia, fotografar seu
  > voto com um telefone celular, câmara comum ou digital e enviá-lo
  > para o candidato que escolheste. Isto para qualquer eventualidade
  > que se faça necessária em caso de fraude. É bom colocar no campo
  > da imagem algum objeto que permita saber que a imagem é única,
  > como sua identidade. Isto porque uma imagem digital pode ser
  > duplicada quantas vezes quiser e isto criaria outro problema. Cada
  > uma tem de ser única. Por exemplo, há pessoas que afirmam ter
  > votado em determiando candidato e seu voto não ter aparecido,
  > tendo ele ficado com zero votos naquela zona eleitoral.

Infelizmente, essa sugestão é muito inapropriada.  Por favor ignorem
essa sugestão, e espalhem este aviso para todos os que puderem tê-la 
recebido.

A proibição de celulares nos locais de votação é necessária para
evitar coação de eleitores.  Se fosse permitido ao eleitor fotografar
o seu voto, um Coronel genérico poderia obrigar todos os seus Peões
a fazer isso, para comprovar que eles votaram conforme o Coronel mandou.

Por outro lado, proibir celulares só torna a coação um pouco mais
difícil. Pelo que conheço do projeto, parece muito provável que a urna
emita radiação eletromagnética como sub-produto de mostrar a foto do
candidato na tela. Em princípio, essa radiação pode ser captada e
analisada para descobrir em quem o eleitor está votando. O único
consolo é que esse ataque exigiria equipamento especializado, de modo
que o Coronel não poderia armar o cabresto sozinho --- teria que
contratar o serviço de alguma "firma especalizada". Mas com certeza há
muitos outros meios, talvez bem mais fáceis...

  > [Coloque um documento ao lado da urna] porque uma imagem digital
  > pode ser duplicada quantas vezes quiser e isto criaria outro
  > problema. Cada uma tem de ser única.

Isso não adianta muito, porque uma imagem digital também pode ser 
editada para mostrar uma foto diferente da que estava na urna.

O fato (provado matematicamente) é que, usando meios digitais apenas,
não há como impedir fraude generalizada e ao mesmo tempo garantir o
sigilo do voto. Num sistema totalmente digital de votação, mesmo
liberando o uso de câmeras digitais, o eleitor precisa abrir mão de
pelo menos um desses dois direitos.  A urna do TSE, infelizmente, não
garante nenhum dos dois.  Nem de longe.

  > O meu voto deve ser sigiloso até o momento em que eu decida
  > divulgá-lo. Não é isto que ocorre nas pesquisas eleitorais e de
  > boca-de-urna?
  
A boca-de-urna pode ser permitida, porque não pode ser usada para
coagir o voto. O eleitor sempre pode declarar que vai votar em Fulano,
como o Coronel mandou, mas votar de fato no Beltrano.

  > Professores de universidades asseguram que, apesar da Justiça
  > Eleitoral afirmar que as urnas eletrônicas são seguras, que temos o
  > sistema mais moderno do mundo, isto não é verdade. Não há garantia
  > alguma que teu voto irá realmente para o candidato que tu escolheste
  > e confirmaste. A urna é um computador e pode ser programado para
  > fazer o que se quiser. Inclusive para dirigir parte dos votos para
  > um outro candidato que não aquele para quem eles foram destinados.

Infelizmente, isso é totalmente verdade. E o pior é que, se a fraude
for feita com um mínimo de cuidado, é impossível descobrir --- antes,
durante ou depois da eleição --- se houve fraude ou não.

  > O projeto original previa um recibo em papel a ser também conferido
  > pelo eleitor, que era rebobinado após a confirmação, um após o
  > outro, como numa máquina registradora de supermercado. Este recibo
  > não era levado pelo eleitor, mas permanecia fechado dentro de uma
  > estrutura transparente até o final da votação. Isto para evitar que
  > fosse utilizado para o eleitor receber algum valor por ter votado em
  > determinado candidato. Tal expediente permitiria que, em caso de
  > dúvida, cada urna pudesse ser auditada pelos partidos e assegurar
  > que não houve desvio.
  
Correto, exceto pelo detalhe que os comprovantes não podem ser
"rebobinados". Eles precisam ser cédulas separadas, depositadas
automaticamente dentro de uma urna translúcida, às vistas do eleitor.
Esse detalhe é necessário para evitar que os votos possam ser
identificados comparando-se a ordem dos comprovantes com a ordem em
que os eleitores votaram.
  
  > A Unicamp - Universidade de Campinas fez um relatório sobre a urna,
  > mas não afirmou que ela seria segura. Apenas assegurou que seria
  > necessário envolver um número elevado de pessoas para ser fraudada
  > em nível nacional. Ou seja, depende apenas de quanto vale a fraude
  > para que alguém invista o valor necessário para se comprar o número
  > de pessoas necessário. Mas nada disse sobre a manipulação ser feita
  > internamente pelo próprio TRE ou STE.
  
Correto na parte final.  (Mesmo assim, o relatório observa que 
a versão do software que foi analisada incluía uma rotina de 
criptografia fornecida pela ABIN, que os peritos não puderam
examinar por alegadas razões de "segurança nacional".)
 
  > Também ela pode ser fraudada em zonas eleitorais específicas,
  > inoculando um programa diferente do enviado pelo TRE.
  
Correto.

  > Será que seremos revistados antes de entrar na cabine? Será que
  > seremos presos por não entregar o celular ou a câmara e por
  > fotografar nosso próprio voto? Que tal uma desobediência civil, de
  > vez em quando, para variar?
 
A proibição do uso do celular é lei, e, enfaticametne, NÃO recomendo 
que ninguém viole a lei.  

  > Voltamos aa Ditadura Pseudomilitar de 1964?
  
Infelizmente, a concepção da Justiça Eleitoral que temos hoje ainda é
a que vigia no tempo da ditadura. Ou seja, o eleitor não tem
competência para escolher bons governantes; de modo que é necessário
que Autoridades Esclarecidas e Todo-Poderosas controlem minuciosamente
o processo eleitoral, eliminando quaisquer opções que elas considerem
inaceitáveis.

A ingerência do TSE nas alianças e apoios, por exemplo, são
incompatíveis com democracia de verdade. Mas isso não é minha
especialidade, portanto vou parar por aqui.

--stolfi

Jorge Stolfi
Diretor
Instituto de Computação, UNICAMP

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suas opiniões pessoais. Ele não deve ser tomado como manifestação
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