Boletim Informativo do Fraude Urnas Eletrônicas
Boletim Informativo Fraude Urnas Eletrônicas
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Os eleitores rejeitam o voto eletrônico
Posted: 09 Jun 2009 12:00 PM PDT
A Revista Newsweek para a América Latina publicou, dia 23 de maio de
2009, a reportagem We Do Not Trust Machines: The people reject electronic
voting, do jornalista Evgeny Morozov.
No dia 08 de junho de 2009, o site Cogitamundo publicou a versão
traduzida para o português “Nós não confiamos em máquinas: as pessoas rejeitam
o voto eletrônico”, que hoje reproduzimos aqui no Fraude Urnas Eletrônicas.
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Nós não confiamos em máquinas: as pessoas rejeitam o voto eletrônico
Quando a Irlanda embarcou em um ambicioso programa de voto eletrônico no
ano 2006, afirmou que iria dispensar a “velha caneta estúpida”. Como disse o
então primeiro ministro Bertie Ahern, em favor da fantástica máquina de votos
touchscreen, parecia que a nação estava abraçando seu futuro tecnológico. Em
abril de 2009, três anos e €51 milhões mais tarde, o governo irlandês
desmantelou toda a iniciativa. Os custos elevados eram uma das preocupações na
finalização do projeto, uma vez que este consumiria outros €28 milhões.
Mas a verdadeira razão está na falta de confiança: os eleitores
simplesmente não gostam que as máquinas efetuem os seus votos como simples
registro eletrônico, sem quaisquer registros tangíveis.
Não que tenha que haver uma conspiração ou um Luddite teórico para
entendermos a falibilidade das máquinas de voto eletrônico. Como a maioria dos
usuários de PC sabem, os computadores têm bugs e podem ser crackeados.
Aceitamos este risco de segurança nas operações bancárias, nas compras e nos
e-mails, mas a urna deve ser perfeitamente selada. Pelo menos é o que eleitores
europeus parecem estar dizendo, ao rejeitar a adoção de máquinas eletrônicas
que não cumprem esta norma.
A reação contra o voto eletrônico acontece em todo o continente europeu.
Depois de quase dois anos de deliberações, o Supremo Tribunal da Alemanha
decidiu, em Março, que o voto eletrônico era inconstitucional, porque o cidadão
médio não está preparado para entender as etapas exatas envolvidas na gravação
e contagem de votos. O cientista político Joachim Ulrich e seu filho Wiesner,
físico, apresentaram a primeira ação judicial e têm sido fundamentais para a
sensibilização do público para a insegurança do voto eletrônico. Em uma
entrevista à revista alemã Der Spiegel, o jovem Wiesner disse, com alguma
razão, que as máquinas holandesas NEDAP utilizadas na Alemanha são ainda menos
seguras do que os telefones móveis. O grupo holandês de interesse público Wij
Vertrouwen Stemcomputers Niet (We Don’t Trust Voting Machines) produziu um
vídeo mostrando quão rapidamente as máquinas NEDAP poderiam ser crackeadas, sem
que eleitores ou funcionários eleitorais tivessem conhecimento (a resposta:
cinco minutos). Depois que o clipe foi transmitido na televisão nacional, em
outubro de 2006, os Países Baixos proibiram todas as máquinas de votação
eletrônica.
Numerosos casos de inconsistências no sistema eletrônico de votação têm
sido apontados nos países em desenvolvimento, onde os governos são muitas vezes
demasiadamente ansiosos para manipular votos, o que aumenta a controvérsia.
Após Hugo Chávez ganhar as eleições de 2004 na Venezuela, foi revelado que o
governo era dono de 28 por cento da Bizta, a empresa que fabricava as máquinas
de votação. Do mesmo modo, as eleições de 2004 na Índia ficaram notórias pelas
gangues que fraudaram as urnas eletrônicas nas aldeias.
Porque as máquinas são tão vulneráveis? Cada etapa do ciclo de vida de um
voto eletrônico, a partir do momento em que é desenvolvido e instalado o
sistema, quando os votos são registrados e os dados transferidos para um
repositório central para contagem, envolve diferentes pessoas que têm acesso às
máquinas, muitas vezes para instalar um novo software. Não seria difícil, em
uma eleição oficial, que fosse implantado um programa “Trojan” em uma ou
várias máquinas de votação, que permitissem assegurar um resultado ou outro,
antes mesmo que os eleitores chegassem às urnas. Seria muito fácil comprometer
a privacidade dos eleitores e identificar quem votou a favor de quem.
Uma forma de reduzir o risco de fraude é ter máquinas para imprimir o
comprovante de cada votação, que então poderia ser depositado em uma urna
convencional. Embora esse procedimento assegure que cada voto fosse verificado,
a utilização do papel frustra a finalidade primária do voto eletrônico. Usar
duas máquinas produzidas por diferentes fabricantes diminuiria o risco de
comprometer a segurança, mas não o eliminaria.
A melhor maneira é expor o software por trás das máquinas de voto
eletrônico ao escrutínio público. A raiz do problema das máquinas de voto
eletrônico é que o computador executa programas dotados de segredos comerciais.
(Não ajuda o fato de que, na maioria das vezes, o software seja executado no
sistema operacional Microsoft Windows, que não é o mais seguro do mundo.) Sendo
os softwares atentamente examinados e testados pelos peritos não filiados às
empresas, seria mais fácil fechar lacunas técnicas que os hackers pudessem
explorar. Experiência com servidores Web têm mostrado que a abertura do
software ao escrutínio público pode revelar potenciais falhas de segurança.
A indústria de voto eletrônico argumenta que a abertura iria ferir a
posição competitiva dos atuais líderes de mercado. Um relatório divulgado pelo
Conselho de Tecnologia Eleitoral dos Estados Unidos, uma associação comercial,
disse em abril que a divulgação de informações sobre as vulnerabilidades já
conhecidas poderia ajudar mais os fraudadores do que aqueles que defendem as
urnas contra os possíveis ataques. Alguns cientistas têm proposto que os
códigos do computador devam ser divulgados apenas para um grupo restrito de
especialistas certificados. Fazer essa divulgação obrigatória para todas as
máquinas de voto eletrônico seria um bom primeiro passo para a administração
Obama, coerente com o seu discurso de abertura de governo.
Entretanto, é melhor ter pressa, antes que uma onda de populismo mate o
voto eletrônico. Os governos estaduais e locais dos Estados Unidos, bem como os
governos europeus, estão ficando cada vez mais impacientes com o voto
eletrônico. Tanto é que o Condado de Riverside, na Califórnia, está cogitando
pedir para aos eleitores escolham em um referendo entre as cédulas de votação
eletrônica e as de papel. No momento, há muito de desejável nisso.
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Sinceros agradecimentos à equipe Cogitamundo: foi um achado e tanto!
Saiba mais sobre o assunto:
a.. Tribunal alemão considera urnas eletrônicas inconstitucionais
b.. Materialização do voto
c.. Urna biométrica é recurso de estados totalitários
d.. UE2009 terá entrada para pen drive
e.. Magela e Gerson Peres discutem segurança do voto eletrônico
f.. Deputado João Herrmann fez denuncia à ONU acerca do risco de fraude
e de manipulação do processo eleitoral brasileiro
Technorati Marcas: newsweek,urnas eletrônicas,falhas,não confiamos
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