*Da Folha Online*

*17/07/2009 - 17h18 *

*Lei eleitoral enfrenta resistência no Senado e não deve ser votada a 
tempo de valer para 2010 *

*MÁRCIO FALCÃO*
da *Folha Online*, em Brasília

A minirreforma eleitoral aprovada pelos deputados corre o risco de não 
valer nas eleições de 2010. Além da crise política que promete continuar 
dominando as discussões no Senado, a proposta enfrenta resistências na 
Casa. Senadores reclamam da regulamentação da internet, da exigência de 
recontagem de parte dos votos e das regras mais frouxas para o registro 
eleitoral dos candidatos e para a prestação de contas.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou que a tensão na Casa ainda 
não diminuiu e que após o recesso parlamentar, que termina em agosto, as 
atenções dos senadores estarão voltadas para as medidas anticrise e para 
o Conselho de Ética. Para as novas regras terem efeito nas eleições do 
próximo ano, elas precisam ser aprovadas até 30 de setembro.

"As mudanças na legislação merecem todo o nosso respeito, nossa 
dedicação, mas o momento que o Senado enfrenta exige todo esforço 
possível dos 81 senadores para apurarmos as denúncias, investigarmos com 
toda isenção as irregularidades e recuperarmos a credibilidade desta 
Casa", disse.

O texto da minirreforma chega oficialmente ao Senado na volta das férias 
dos parlamentares, mas o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e 
Justiça), senador Demóstenes Torres (DEM-GO), escolheu o senador Marco 
Maciel (DEM-PE), para relatar a proposta.

O ex-vice-presidente encomendou pareceres de técnicos da Casa sobre as 
mudanças na Lei Eleitoral e disse que só fala sobre a proposta depois 
que ouvir representantes dos setores envolvidos e tiver costurando o 
parecer.

Os parlamentares avaliam que pode ser prejudicial à equiparação da 
internet aos outros veículos de comunicação, como televisão, que 
precisam disputar concessões públicas. No entendimento dos senadores, é 
um retrocesso o fim do prazo para apresentação da declaração de que o 
candidato é ficha-limpa --hoje, o candidato tem que provar até o início 
da campanha.

Com a mudança aprovada pela Câmara, essa data limite deixa de existir e 
o candidato tem todo o período de campanha para tentar reverter a sua 
situação. Outra medida polêmica é a determinação para que depois da 
votação, a Justiça Eleitoral faça uma audiência pública para promover 
uma auditoria em 2% das urnas eletrônicas do país. Serão analisadas pelo 
menos três máquinas por município.

*Divergências*

A proposta aprovada pela Câmara foi criticada pelo presidente do TSE 
(Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto. Em entrevista à 
*Folha* ele disse que a reforma eleitoral fragiliza transparência. Para 
Britto, a internet não pode ser regulada, pois é "o espaço da liberdade 
absoluta".

"Entendo que não há como regulamentar o uso da internet. A internet tem 
dois méritos: mobiliza a sociedade de uma forma interativa, que em época 
de eleição deve ser turbinada, não intimidada. E está criando uma nova 
sociedade civil mundial. Qualquer regulamentação no nível dos Estados é 
provinciana", afirmou.

O relator da reforma eleitoral na Câmara, o deputado federal Flávio Dino 
(PC do B-MA), disse também em entrevista à *Folha*,que o TSE critica o 
projeto como reação à "perda de poder".

"Quando a Câmara fixou diretriz para que a Lei Eleitoral fosse 
detalhada, para diminuir competências do TSE, é natural que isso seja 
lido como perda de poder. Tivemos o agigantamento das competências do 
Judiciário, o que gera um deslocamento do Congresso do centro das 
decisões. Quando o Congresso exercita essas competências, gera do outro 
lado a sensação de que perdeu espaço", disse.


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