Boletim Informativo do Fraude Urnas Eletrônicas

      Boletim Informativo Fraude Urnas Eletrônicas 
         

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      Audiência Pública no Senado Federal | internet e impressão do voto 

      Posted: 13 Aug 2009 05:30 PM PDT

      Nesta quarta-feira (12 de agosto), senadores, representantes do Tribunal 
Superior Eleitoral (TSE) e convidados participaram de uma audiência pública no 
Senado Federal para discutir o projeto de reforma eleitoral aprovado pela 
Câmara dos Deputados. 

      O Projeto de Lei Complementar Nº 141/09 começou a tramitar no Senado em 
14 de julho. Nos próximos dias deverá ser votado pelas Comissões de Ciência, 
Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e de Constituição, 
Justiça e Cidadania (CCJ) antes de ser levado ao Plenário. Para maiores 
informações sobre a Reforma Eleitoral e o Voto Impresso – leia os artigos 
publicados pela equipe [Fraudes UE].

      A audiência foi solicitada, através de requerimentos, pelos senadores 
Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Marco Maciel (DEM-PE) e Demóstenes Torres (DEM-GO). 
Além de liberar a internet para a propaganda eleitoral, a proposta também 
regulamenta a adoção do voto impresso a partir das Eleições Gerais de 2014.

      Transmitida pela TV Senado, a audiência contou com a participação dos 
seguintes convidados: 

        a.. Ministro Nelson Jobim, Ministro da Defesa, ex-presidente do 
Tribunal Superior Eleitoral e Presidente das Eleições Gerais 2002; 
        b.. Giuseppe Dutra Janino, Secretário de Tecnologia da Informação do 
Tribunal Superior Eleitoral - TSE; 
        c.. Eduardo Fumes Parajo, Presidente da Associação Brasileira de 
Internet - ABRANET; 
        d.. Paulo Tonet Camargo, Diretor do Comitê de Relações Governamentais 
da Associação Nacional de Jornais - ANJ; 
        e.. Doutor Murillo de Aragão, Mestre em Ciência Política e Doutor em 
Sociologia; 
        f.. Jaime Wagner, Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) - 
Representante dos Provedores de Acesso e Conteúdo; 
        g.. Fernando Neves da Silva, Advogado e Ex-Ministro do Tribunal 
Superior Eleitoral e o
        h.. Deputado Flávio Dino, Relator do Projeto na Câmara dos Deputados. 
      Clicando nos links abaixo, será possível visualizar os vídeos 
disponibilizados pela TV Senado.

        a.. Vídeo 1 - Sen. Demóstenes Torres abre reunião conjunta das 
comissões de Justiça e Tecnologia.
        b.. Vídeo 2 - Sen. Demóstenes Torres dá início ao debate sobre projeto 
de reforma eleitoral.
        c.. Vídeo 3 - Min. Nelson Jobim avisa que vai falar como ex-presidente 
do Trib. Sup. Eleitoral.
        d.. Vídeo 4 - Jobim fala do perigo de regras que empurram as pessoas 
para a ilegalidade.
        e.. Vídeo 5 - Min. Jobim elogia o eixo do projeto, de valorização dos 
partidos no processo eleitoral.
        f.. Vídeo 6 - Doações existem, explica o Min. Nelson Jobin, mas 
doadores não querem aparecer.
        g.. Vídeo 7 - Min. Nelson Jobim ressalta uso crescente da Internet no 
processo eleitoral.
        h.. Vídeo 8 - Para o Min. Nelson Jobim o artigo 5º, de impressão do 
voto, é retrocesso.
        i.. Vídeo 9 - Min. Nelson Jobim sugere exame da história para 
acompanhar evolução do processo eleitoral.
        j.. Vídeo 10 - Recadastramento eleitoral serviu para combater fraudes, 
conta Min. Jobim.
        k.. Vídeo 11 - Sen. Flexa Ribeiro fala das dificuldades para discutir o 
projeto eleitoral em tempo.
        l.. Vídeo 12 - Sen. Lobão Filho sugere ouvirem o relator do projeto na 
Câmara, Dep. Flávio Dino.
        m.. Vídeo 13 - Sen. Eduardo Azeredo esclarece sobre recontagem de votos 
de urna eletrônica.
        n.. Vídeo 14 - Sen. Pedro Simon de sentimento básico no Brasil: “coisas 
não são confiáveis”.
        o.. Vídeo 15 - Sen. Pedro Simon concorda em dar força aos partidos 
políticos e fala de fidelidade.
        p.. Vídeo 16 - Sen. Renato Casagrande quer opinião do Min. Jobim sobre 
artigos 105 e 23, e ‘ficha suja’.
        q.. Vídeo 17 - Sen. Valter Pereira fala de dúvida sobre voto para 
presidente, do eleitor em transito.
        r.. Vídeo 18 - Sen. Antônio Carlos Valadares aponta ‘gargalos na lei’ e 
falha dos Tribunais.
        s.. Vídeo 19 - Sen. Roberto Cavalcanti vê problema na pena de três 
anos, que pune o crime eleitoral.
        t.. Vídeo 20 - Sen. Antônio Carlos Jr. concorda que impressão de voto 
pode dificultar processo eleitoral.

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      Relator da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e 
Informática (CCT), o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) é contrário a adoção do 
voto impresso. Para melhor entender sua participação no cenário 
político-eleitoral dos últimos anos, torna-se necessária uma revisão histórica 
do assunto. 

      Em 2002, foi instituída a Lei Federal Nº 10.408/2002, que dispunha sobre 
a implementação do voto impresso para permitir a conferência pelo eleitor. A 
pedido do então presidente do TSE, ministro Nelson Jobim, a proposta do senador 
Roberto Requião (PMDB-PR)  não foi aprovada em regime de urgência. Assim, 
perdeu-se o prazo para que a lei vigorasse nas Eleições Gerais de 2002. 

      Desde o início de trâmite da Lei Requião, o TSE posicionou-se abertamente 
contra a idéia da materialização do voto para efeito de recontagem e, através 
de emendas, conseguiu modificar vários artigos, desfigurando-o. Apesar da 
tentativa de boicote, o artigo que previa o voto impresso foi mantido. 
Entretanto, devido à aprovação fora do prazo, somente seria adotado no pleito 
de 2004. 

      Mesmo insatisfeita com a obrigatoriedade de materialização do voto, a 
Justiça Eleitoral “sugeriu” implementar, em caráter experimental, módulos de 
impressão em 5% das urnas do país, durante as Eleições Gerais de 2002. 

      Cerca de 25 mil seções em várias cidades brasileiras – e todas as de 
Alagoas e do Distrito Federal – receberam urnas equipadas com o módulo 
impressor. 

      O resultado do teste já é conhecido. A maior parte dos eleitores teve 
conhecimento de que o voto seria impresso na hora que chegou à frente da urna. 
Conseqüentemente, não sabiam que precisava conferir e confirmar o voto impresso 
também, demandando ajuda dos mesários. A demora na votação por eleitor foi de 
10 minutos, resultando em filas quilométricas. Os mesários não foram 
devidamente informados de que a bobina de papel deveria ser destravada antes do 
início da votação. Conclusão: falha mecânica das impressoras por atolamento de 
papel em boa parte das sessões eleitorais. 

      A suposta tentativa mal sucedida agregou subsídios suficientes para que o 
TSE emitisse o Relatório Final rechaçando a impressão do voto e indicando o 
registro virtual do voto como melhor forma de fiscalização e auditoria. 

      Para finalizar a jogada, entrou em cena o senador Eduardo Azeredo 
(PSDB-MG), que a pedido do então presidente do TSE, Sepúlveda Pertence, 
apresentou em maio de 2003 o Projeto de Lei Complementar Nº 172/03, que abolia 
a impressão dos votos nas urnas eletrônicas e criava o  “registro digital do 
voto”. 

      Após ser aprovado em meio a vários procedimentos obscuros, a proposta 
ficou conhecida por Lei do Voto Virtual às Cegas, uma vez que substituiu o 
Registro Impresso do Voto, cujo conteúdo é conferido pelo eleitor pelo conceito 
de Registro Digital do Voto, que o eleitor não tem como conferir, impondo uma 
forma de votar às cegas. 

      Voltando ao momento atual, não é difícil concluir os motivos que levam 
Azeredo, antes mesmo do tema ser discutido na CCT, dizer que pretende retirar 
do texto aprovado na Câmara dos Deputados o dispositivo que cria o voto 
impresso a partir das eleições de 2014. 

      É certo que algum objetivo ele tinha e ainda tem em defender com tanta 
veemência a retirada deste mecanismo de fiscalização. Sem o voto impresso, a 
auditoria do processo eleitoral é quase impossível. Onde não há auditoria, 
impera a possibilidade de fraudes. Quem defende a obscuridade tem medo da 
clareza advinda do simples batimento entre os resultados impressos e aqueles 
disponibilizados pela urna eletrônica. 

      Como já comentamos aqui no [FraudeUE] o ministro Nelson Jobim é 
declaradamente contrário a impressão do voto. Publicamente, seu convite 
aconteceu por se tratar de um ex-presidente do TSE. Entretanto, nos bastidores, 
é notória a sua atuação como advogado de acusação do voto impresso. 

      Segundo o ex-presidente do TSE, o projeto é bom, com apenas problemas em 
dois artigos, que precisam ser suprimidos do texto: o primeiro que prevê o voto 
impresso e o segundo que permite o voto em trânsito dentro do Brasil. Para ele, 
a medida seria uma regressão, pois permitiria a identificação do eleitor. 
(Pergunta que não quer se calar: de onde ele tirou isso?)

      Para que valha para as próximas eleições, a proposição terá de ser 
sancionada até 30 de setembro deste ano. Entretanto, correm o risco de não 
vigorar em 2010 devido à crise no Senado e a tentativa proposital de atraso: 
ressalta-se que, ao contrário da Câmara dos Deputados, a matéria tramitará por 
duas comissões antes de ir a Plenário. 

      A realização conjunta da audiência pública foi uma tentativa frustrada de 
agilizar a tramitação do projeto. Inútil, já que é certo que o projeto voltará 
à Câmara, porque será alterado no Senado.

      Entretanto, ainda existe um “porém”. De acordo com a coluna do Ilimar 
Franco, publicada no jornal O Globo de 30 de julho deste ano (e oportunamente 
divulgada pelo site Tijolaço.com), mesmo que o Senado aprove a proposta, o 
Presidente Lula vetará a medida. 

      O deputado federal Brizola Neto (PDT/RJ) duvida que o presidente tenha se 
posicionado desta forma. Na opinião dele, o mais provável é que a nota tenha 
vindo do ministro Nélson Jobim.

      Independente do posicionamento a ser adotado pelo presidente, antes os 
senadores terão que votar a proposta. Cada um deles deverá afirmar sua posição 
- favoráveis ou não à manutenção do Artigo 5º do Projeto de Lei Complementar Nº 
141/2009. Saber quais senadores são contrários a adoção do voto impresso é um 
excelente indicador, principalmente se considerarmos que durante as Eleições 
Gerais de 2010, dois terços do Senado Federal serão renovados.

      Até o momento, somente quatro senadores afirmaram que são favoráveis ao 
voto impresso. São eles:

            Nome
           Posicionamento
           Fonte
           Pergunta
           Resposta
           
            Alvaro Dias Favorável Twitter A
           B
           
            Arthur Virgílio Favorável E-mail Paulo Castellani     
            Cristovam Buarque Favorável E-mail Paulo Castellani     
            Neuto De Conto Favorável E-mail Paulo Castellani     

      Se você sabe de algum senador que também apóia a manutenção do Artigo 5º 
do Projeto de Lei Complementar Nº 141/2009, favor postar um comentário, 
indicando a fonte da informação. 

      Para finalizar, não poderíamos deixar de frisar a necessidade de 
divulgação da “Campanha pela aprovação do voto impresso no Senado Federal”. 

      Saiba mais sobre o assunto:
        a.. Reforma eleitoral: limites ao TSE e impressão do voto 
        b.. Projeto de Lei 5498/2009: impressão do voto e a questão da 
conferência pelo eleitor 
        c.. Parlamentares que defendem a impressão do voto 
        d.. Eles são contra a impressão do voto 
        e.. Urnas eletrônicas no mundo do “faz de conta” - PDT e PT desistem do 
teste de penetração 
        f.. Rapidez ou eficiência? Eis a questão! 
      Technorati Marcas: Impressão do voto,Senado Federal,urnas eletrônicas




          
     
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