Maria Lima e Luiza Damé

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/09/29/lula-sanciona-minirreforma-eleitoral-com-tres-vetos-767836022.asp

BRASÍLIA -  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira, 
com três vetos,  o projeto de minirreforma  eleitoral aprovada pelo Congresso . 
Lula  vetou a proposta que igualava as regras para debates entre os candidatos 
na web às regras da televisão e rádio.  

Apesar do pedido do ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi mantida a exigência 
de impressão de votos em um percentual de urnas em todo o país. Jobim chegou a 
classificar a mudança de "retrocesso". O presidente também manteve a proposta 
de voto em trânsito para presidente da República. As novas regras entram em 
vigor nas eleições de 2010.  

O relator da matéria na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, Eduardo 
Azeredo (PSDB-MG) ficou surpreso com os vetos do presidente Lula á lei 
eleitoral, especialmente com a manutenção do voto em trânsito e o voto 
impresso. 

Manter o voto em trânsito e o voto impresso é inócuo. Vai virar letra morta 
porque não tem como executar. E o voto impresso é só para 2014 -  disse 
Azeredo. 

O primeiro dos três vetos derruba e deixa sem regras a realização de debates 
entre os candidatos na internet. Pelo texto final aprovado na Câmara  estendia 
aos debates realizados em web TVs e web rádios as mesmas regras existentes para 
debates nas emissoras de rádio e TV: todos os candidatos com representantes no 
Congresso teriam direito a participar dos debates, que poderiam ser feitos em 
blocos de 3 ou mais candidatos. 

Com esse veto, os debates na internet ficam sem regra nenhuma - disse Azeredo. 

Os outros dois vetos foram feitos por Lula atendendo orientação da Receita 
Federal, que segundo Azeredo, tinha ficado contra mudanças tributárias na nova 
lei. O primeiro  derruba flexibilização da tabela de dedução no Imposto de 
Renda das emissoras de rádio e TV pela veiculação dos programas eleitorais. Com 
o veto fica mantida a regra atual que prevê o cálculo da dedução por um período 
X, sem levar em conta horário nobre, por exemplo.  

Pela alteração aprovada, as emissoras podiam fazer a dedução do IR de uma forma 
detalhada, levando em consideração um valor maior nos horários nobres cedidos 
para a propaganda eleitoral, por exemplo. Com o veto, fica a tabela atual, que 
estabelece um percentual médio de dedução, independente do horário. A Receita 
se posicionou o tempo todo contra a mudança -  disse Azeredo. 

A Receita Federal se posicionou também contra a possibilidade de parcelamento 
das multas sem correção monetária. O terceiro veto de Lula impede essa 
possibilidade. 



      
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