O Valor  Economico publicou entrevista com o secretário de informática 
do TSE, Guizeppe Janino, que está em (para quem é assinante):
http://www.valoronline.com.br/?impresso/tecnologia_&_telecomunicacoes/277/6007149/lei-que-retoma-voto-impresso-a-partir-de-2014-e-alvo-de--polemica

O reporter entendeu a lei de forma toda equivocada e a explica de forma 
toda errada. Ao colocar as falas do Sr. Janino logo em seguida, passa a 
impressão que este concorda com seus erros de interpretação.

Sobre o voto impresso a reportagem diz:
/"//Um retrocesso: é dessa forma que Giuseppe Dutra Janino, secretário 
de tecnologia do TSE, classifica a nova lei que vai alterar o processo 
eleitoral no país a partir de 2014. Pela Lei 12.034 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12034.htm>, 
sancionada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 2% das 
urnas usadas no pleito terão de ser adaptadas para imprimir o voto do 
eleitor. *Com isso, 9,2 mil equipamentos terão de ser adaptados para que 
sejam auditados voto a voto*."/

Sobre a desconecção das máquinas de identificar e de votar, diz:
"/Outra regra polêmica que passará a valer, comenta o secretário, exige 
que o banco de dados com as informações biométricas do eleitor não fique 
mais armazenado na urna. Com isso, *o TSE terá que comprar um computador 
à parte para guardar os dados do cidadão _e conectar esse equipamento à 
urna_*_._ "Dessa maneira, o recurso biométrico perde o sentido. Essa 
máquina externa traz o risco de ser manipulada e nós deixamos de ter a 
garantia de que o eleitor identificado pela urna é o mesmo que votou", 
diz Janino./"

Mas a lei deixa claro que TODAS as urnas deverão imprimir o voto para 
conferência do eleitor e que 2% delas serão sorteadas DEPOIS da eleição 
para terem mos votos impressos recontados.

E sobre a conexão entre as máquinas, fica claro que não poderão ser 
concetadas em nenhum momento. A lei é assim:

*Art. 5º** Fica criado, a partir das eleições de 2014, inclusive, o voto 
impresso conferido pelo eleitor*, garantido o total sigilo do voto e 
observadas as seguintes regras:

*§ 1º* A máquina de votar exibirá para o eleitor, primeiramente, as 
telas referentes às eleições proporcionais; em seguida, as referentes às 
eleições majoritárias; finalmente, o voto completo para conferência 
visual do eleitor e confirmação final do voto.

*§ 2º* *Após a confirmação final do voto pelo eleitor, a urna eletrônica 
imprimirá um número único de identificação do voto associado à sua 
própria assinatura digital*.

*§ 3º* *O voto deverá ser depositado de forma automática, sem contato 
manual do eleitor, em local previamente lacrado*.

*§ 4º* *Após o fim da votação*, a Justiça Eleitoral realizará, em 
audiência pública, auditoria independente do software mediante *o 
sorteio de 2% (dois por cento) das urnas eletrônicas de cada Zona 
Eleitoral*, respeitado o limite mínimo de 3 (três) máquinas por 
município, que deverão ter seus votos em papel contados e comparados com 
os resultados apresentados pelo respectivo boletim de urna.

*§ 5º* É permitido o uso de identificação do eleitor por sua biometria 
ou pela digitação do seu nome ou número de eleitor, *desde que a máquina 
de identificar não tenha nenhuma conexão com a urna eletrônica.*


Fiquei com a impressão que o reporter *escreveu seu texto sem ter lido a 
lei*, além de não ter procurado ouvir "a outra parte" - aqueles que 
defendem a lei - se limitando a apenas divulgar a versão oficial do TSE 
*sem mostar o contraditório*.

Bem no estilo "imprensa domesticada".

Como não sou assinante do Valor, não tenho como postar estas observações.

[ ]s
  Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP
  www.votoseguro.org
  -----------------
  SEI EM QUEM VOTEI,
  ELES TAMBÉM,
  MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU MEU VOTO


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http://www.valoronline.com.br/?impresso/tecnologia_&_telecomunicacoes/277/6007149/lei-que-retoma-voto-impresso-a-partir-de-2014-e-alvo-de--polemica

*Lei que retoma voto impresso a partir de 2014 é alvo de polêmica*


Um retrocesso: é dessa forma que Giuseppe Dutra Janino, secretário de 
tecnologia do TSE, classifica a nova lei que vai alterar o processo 
eleitoral no país a partir de 2014. Pela Lei 12.034 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12034.htm>, 
sancionada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 2% das 
urnas usadas no pleito terão de ser adaptadas para imprimir o voto do 
eleitor. Com isso, 9,2 mil equipamentos terão de ser adaptados para que 
sejam auditados voto a voto. "Resolveu-se adotar um recurso de auditoria 
de 20 anos atrás, que tem problemas conhecidos como lentidão, erros e 
principalmente, fraudes", diz Janino.

Outra regra polêmica que passará a valer, comenta o secretário, exige 
que o banco de dados com as informações biométricas do eleitor não fique 
mais armazenado na urna. Com isso, o TSE terá que comprar um computador 
à parte para guardar os dados do cidadão e conectar esse equipamento à 
urna. "Dessa maneira, o recurso biométrico perde o sentido. Essa máquina 
externa traz o risco de ser manipulada e nós deixamos de ter a garantia 
de que o eleitor identificado pela urna é o mesmo que votou", diz 
Janino. "A solução não só é inócua, como prejudicial ao processo e ao 
que já conquistamos."

A preocupação com as mudanças é alta porque, apesar de passar a valer 
daqui a quatro anos, o TSE precisa se preparar com antecedência para o 
pleito. No momento, não há definição, por exemplo, de que tipo de 
computador externo seria esse.

As mudanças no processo eleitoral são resultado de uma proposta de 
reforma (PL 5498/09) coordenada na Câmara pelo deputado Flávio Dino 
(PCdoB-MA). O projeto também teve apoio do presidente da Câmara, Michel 
Temer. Em setembro, o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, 
chegou a conversar com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para 
manifestar sua expectativa do veto presidencial ao voto impresso, 
garantindo que a mesma eficiência de checagem de votos pode ser 
alcançada por meio eletrônico. Um estudo técnico para que o voto 
impresso não fosse retomado chegou a ser enviado ao Ministério da 
Justiça. Apesar do esforço, que também contou com o apoio do ministro da 
Defesa, Nelson Jobim, o presidente Lula sancionou a lei.

Em 2002, o TSE chegou a testar o uso do voto impresso durante as 
eleições presidenciais, mas os resultados, diz Janino, foram o atraso na 
votação e o travamento das máquinas impressoras.

Biometria é destaque da próxima geração de urnas eletrônicas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) finaliza nos próximos dias a compra 
de 100 mil urnas eletrônicas para o pleito do ano que vem. Duas empresas 
participam da licitação, a americana Diebold, que ganhou a maioria dos 
contratos do TSE nos últimos anos, e a estreante Smartmatic, da 
Venezuela. No mês passado, as duas empresas entregaram suas propostas 
comerciais e equipamentos para análise pela equipe técnica do TSE. O 
produto da Smartmatic, conforme apurou o Valor, não conseguiu cumprir os 
requisitos técnicos do TSE, que deverá receber um novo posicionamento da 
empresa. Procurada, a Smartmatic não deu retorno até o fechamento desta 
edição.

A licitação tem valor estimado de aproximadamente R$ 170 milhões. E essa 
é apenas a primeira rodada. No início do ano que vem, o TSE pretende 
comprar mais 100 mil máquinas para renovar o parque de urnas eletrônicas.

A novidade dos novos equipamentos é a adoção do recurso de leitura 
biométrica. Há alguns meses, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de 
diversos Estados do país começou a fazer o recadastramento de eleitores. 
Em vários municípios têm sido colhidas, digitalmente, a foto e a 
impressão digital dos dedos das mãos dos cidadãos. No ano que vem, 
quando esse eleitor chegar à urna para votar, não terá mais a 
intervenção de um mesário para conferir seus dados. Bastará colocar o 
dedo sobre o leitor óptico, que fará o reconhecimento automaticamente e 
liberará a urna para votação.

Testada nas eleições de 2008 em apenas três municípios - atingindo 45 
mil eleitores - a biometria chegará a um total 60 cidades no ano que 
vem, nos 27 Estados do país. "Já temos 1,1 milhão de pessoas 
recadastradas, mas nosso objetivo é chegar a março de 2010 com algo 
próximo de 1,5 milhão de pessoas", diz Giuseppe Dutra Janino, secretário 
de tecnologia do TSE. A lista das cidades que votarão com o uso da 
biometria ainda não inclui capitais, mas já conta com municípios como o 
de Canoas (RS), com uma população de 250 mil eleitores.

O Brasil tem hoje 130 milhões de eleitores. Isso significa que o número 
de cidadãos que votarão por meio do sistema de identificação automática 
não chegará a 2% total. A expectativa do TSE é de que, entre seis e oito 
anos, todo o país passe a votar com o uso da tecnologia.

Em 2010 serão usadas 460 mil urnas eletrônicas. Dessas, diz Janino, 80 
mil já possuem o dispositivo de leitura biométrica. "Com as 200 mil 
novas máquinas que serão adquiridas, o TSE terá mais da metade do parque 
pronto para a biometria."

O principal benefício da identificação digital, argumenta o TSE, é a 
eliminação da intervenção humana no processo de votação, o que impede 
que uma pessoa se passe por outra. "Outra vantagem é o refinamento do 
cadastro eleitoral", comenta Janino. "Com essa tecnologia é impossível 
que uma pessoas que, eventualmente, tenha dois títulos, possa votar duas 
vezes."

A partir da criação desse banco de dados biométrico, o TSE pretende 
enviar as informações ao Instituto Nacional de Identificação (INI), 
órgão da Polícia Federal, para a criação da identidade única do cidadão.

Cada vez mais, as eleições se transformam em um grande projeto 
tecnológico. Para o pleito do ano que vem, comenta o secretário de 
tecnologia do TSE, serão gastos cerca de R$ 600 milhões em compra de 
equipamentos, desenvolvimento de software, suporte técnico e logística.

A Diebold, que disputa a licitação das novas urnas, fornece equipamentos 
ao TSE desde 1996, quando o governo iniciou o modelo eletrônico de voto. 
De lá para cá, a empresa só perdeu a disputa duas vezes - ambas para a 
Unisys, em 1996 e 2002. Nos Estados Unidos, a empresa chegou a sofrer 
uma ação movida pelo Estado de Ohio devido a falhas nos equipamentos. No 
Brasil, porém, a empresa informa que seu papel é exclusivamente o de 
produzir a urna criada pelo próprio TSE.

A Smartmatic também chegou a ser alvo de questionamentos dos americanos 
em 2006. À época, o governo dos Estados Unidos investigava se havia 
algum tipo de ligação entre o governo da Venezuela e a empresa, 
controladora da americana Sequoia Voting System. Em julho, a Smartmatic 
assinou um contrato de US$ 150 milhões para fornecer 82,2 mil urnas 
eletrônicas que serão usadas nas eleições das Filipinas no ano que vem.

André Borges, de São Paulo



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