Companheiros do fórum

Segue mais um artigo contundente do Embaixador Benayon. Explica o  
enlace entre aculturação e interesses econômicos. Pessoas entretidas  
nem sempre percebem o que está por trás do cenário.

Não conheço Benayon pessoalmente, mas segundo Walter Del Picchia,  
titular da Poli USP, pianista e precursor do movimento Voto Seguro, 
http://www.votoseguro.com/alertaprofessores/ 
, o Benayon além de doutor, "canta Schubert com voz de barítono  
profundo".

Antes que algum distraído nos interprete mal, esclarecemos: a arte é  
universal e não tem fronteiras. Por ser manifestação de sentimentos  
deveria servir à união da humanidade. Perfeito. No entanto, o seu  
comércio e a sua manipulação têm fronteiras e interesses bem delineados.

Congratulações.

Weber Silva (RJ)

================
Publicado em MSIA Informa, 23.10.2009, em português e em espanhol

Destruição da cultura

Adriano Benayon *  – 17 de outubro de 2009

A oligarquia que domina as finanças mundiais e as demais indústrias de  
grande peso, não cessa de agir para concentrar mais poder, visando a  
tornar absoluto seu império sobre o Planeta.

Além da concentração econômica favorecida pelos governos, mercê do  
crescente uso do dinheiro e da mídia em eleições, essa oligarquia, com  
sedes principais em Londres e Nova York, serve-se, há mais de um  
século, da comunicação social,  da indústria do entretenimento e da  
publicidade, para solapar os fundamentos da natureza humana.

Por que e para que isso? Eliminar esses fundamentos implica  
inviabilizar qualquer resistência ao projeto de governo mundial. Com  
efeito, a humanidade só poderá afastar os males crescentes que vem  
sofrendo, se o homem preservar a consciência de sua dignidade e o  
entendimento de que esses males não resultam da ordem natural das  
coisas, mas de ações deliberadas dos que se arrogam o comando do Mundo.

Em suma, eles tratam de apassivar os seres humanos, a ponto de estes  
perderem essa condição. Torná-los nada mais que consumidores  
teleguiados, quando não destituídos de emprego, saúde e prematuramente  
excluídos da vida, para servir sempre o poder totalitário, ora como  
súditos do mercado, nas altas e nas depressões econômicas, ora nas  
guerras.

Os monopolizadores do poder real não se mostram. Põem sob o foco das  
atenções, como se poder tivessem, “governantes” que não passam de  
títeres.  Os regimes democráticos disso só têm aparências.

Para fazer que os povos tolerem condições insuportáveis, um dos  
métodos principais é destruir suas culturas. Isso se tornou possível a  
partir do desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, e foi  
sendo realizado cada vez mais intensamente, à medida que a tecnologia  
desenvolveu novos meios.

Na primeira metade do século XX, surgiram o rádio e o cinema. Ambos  
foram utilizados na propaganda e na difusão de informação e de  
desinformação. Também como veículos da indústria do entretenimento,  
com novelas e música no rádio.

Chegaram a veicular manifestações de verdadeira cultura popular e  
erudita. Mas essas foram perdendo espaço, ao intensificar-se a  
exploração comercial e o aviltamento dos gostos. Com a indústria  
fonográfica, por exemplo, no Brasil, o samba e outras formas musicais  
foram modificados, para pior, por dissonâncias e ritmos em voga nos EUA.

Durante a segunda guerra mundial e até algum tempo após seu término  
(1939-1947) predominou de modo absoluto o cinema norte-americano,  
tendo Hollywood funcionado como atraente e poderosa máquina de  
moldagem dos gostos, das modas e das opiniões.  Ao lado de bons  
filmes, grande volume de produções acostumou as massas à mediocridade  
musical, ao consumismo e à banalização da violência. Britânicos e  
norte-americanos apareciam como heróis. Espanhóis, mexicanos e  
franceses como figuras ridículas.

As rádios sofreram a invasão de produções fonográficas dos EUA, com  
alguma música autêntica desse país e a da Broadway. O grosso, porém,  
constituído de ritmos desagradáveis e ruidosos, associados a melodias  
cada vez mais pobres, o que há de pior nos EUA. Essa americanização,  
conducente à degradação, era incentivada por propinas aos disc- 
jockeys, patrocinadas pela USIS, a agência governamental de difusão  
dos EUA.

O efeito devastador já era grande, mas nada de comparável ao  
verificado especialmente a partir dos anos 50, quando começaram os  
festivais de rock e o recrudescimento das bandas cujo êxito comercial  
acompanha a selvageria dos ruídos e do comportamento cênico.

Passados alguns decênios de tais importações generalizou-se a  
deformação do senso artístico, o que leva hoje as pessoas a chamarem  
de música o que nada tem de musical: ritmos destruidores do equilíbrio  
energético das pessoas, ausência de melodia e de harmonia.

Não coincidentemente, outra fonte da contracultura é a Inglaterra,  
sede tradicional do império anglo-americano. Também a Holanda, antiga  
associada do poder britânico, foi centro propagador dos modos porcos e  
do niilismo dos hippies, beatniks etc.

Ou seja, para anular seus servidores, o sistema age de dois modos.  
Primeiro, promove distorções irreparáveis na estrutura econômica e  
social, e faz que os povos delas se esqueçam por meio de desgraças  
ainda maiores: guerras crescentemente devastadoras, à medida que as  
armas incorporam os avanços tecnológicos.

Segundo, aproveitando-se do desespero que tudo isso provoca,  faz  
surgir e difundir modos de pensar niilistas e negadores da realidade.  
Assim, a máquina de comunicação social estimula a fuga, o falso  
refúgio nos vícios,  a busca deliberada da autodegradação.

Isso se combina com o uso de drogas e a promoção, da promiscuidade  
sexual, das tatuagens e dos piercings a fim de acabar com a capacidade  
de distinguir entre o que preserva a vida - e as características do  
ser humano – e o que as destrói.

Voltando à música, um dos efeitos da segunda guerra mundial foi a  
virtual extinção das composições musicais populares e semi-eruditas em  
vários países europeus. Isso deu com a ocupação militar norte- 
americana, seguida da penetração econômica e política, também  
manipulada por Londres.  Acabou assim, entre outras, a maravilhosa  
criatividade melódica que caracterizou a península itálica, ao longo  
de mais de dois milênios.

Sabe-se, desde Platão, que a música é elemento essencial da educação,  
pois esta não existe sem a componente da elevação espiritual. Os  
promotores do governo mundial totalitário percebem que seu objetivo só  
é possível, se anularem o discernimento das pessoas. Sabem também, com  
Aristóteles, que o hábito é uma segunda natureza. Por isso, não há  
modo mais eficiente de escravizar que fazer acreditar que qualquer  
coisa é a mesma coisa.

* - Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização  
versus Desenvolvimento”, editora Escrituras. [email protected]



-- 
__________________________________________________

O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E
 
O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
__________________________________________________
Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico
        http://www.votoseguro.org
__________________________________________________

Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo "VotoEletronico" em 
Grupos do Google.
 Para postar neste grupo, envie um e-mail para [email protected]
 Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para 
[email protected]
 Para ver mais opções, visite este grupo em 
http://groups.google.com/group/votoeletronico?hl=pt-

Responder a