Professor Francisco Moura do fórum uerjxxi respondeu de pronto:

Caro Prof. Weber,
essa é fácil: redistribuição!


Caro Francisco Moura

Eu também pensava assim: "aqui no Brasil, basta redistribuir as riquezas existentes e a pobreza será exterminada". Refletindo melhor, há uma casquinha de banana neste raciocínio. Por que?

Enquanto não formos respiratorianos, vivendo de luz (http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/6742 ), a maior riqueza que o homem necessita para se manter em pé são os alimentos: pão, leite, arroz, feijão, peixe, frango, verduras, legumes, frutas e ... (prosseguindo, porque ninguém é de ferro) iogurte, queijo, caviar, vinho, chocolates etc.

Então, se muitos brasileiros passam fome ou comem mal, o problema não é de distribuição de alimentos, pois o rico não come o pão do pobre. O rico não consegue comer, por dia, 10 kg de carne, 12 litros de leite e 13 kg de arroz. Aliás, rico come pouco ou faz dieta para manter-se na linha. Observe o filho do Elieser, o mega-rico Eike Batista, ele é bem magrinho!

Portanto, em relação a alimentos, o problema não é de redistribuição. O problema é de produção mesmo. A produção de alimentos no Brasil não é suficiente para alimentar corretamente todos os brasileiros. O Brasil realmente produz muitos grãos (soja, por exemplo) e carne, mas não para o povo comer corretamente e sim para exportação. Isso é o que eu chamo de moeda ambiental para trocas internacionais de mercadorias e serviços.

Quanto a outras riquezas o raciocínio também se aplica. Rico tem 10 geladeiras? Pouquíssimos. Rico tem 10 carros? Pouquíssimos. Ricos têm 10 pares de sapato? Alguns. No entanto, mesmo que alguns tenham muito mais riquezas que outros, este excesso de riquezas, distribuído, nunca acabaria com a pobreza geral. Poderia até dar uma aliviada aqui e acolá, mas distribuir o que poucos têm de muito, não resolve o problema de todos. O que resolve os problemas ditos sociais é produzir mais, para todos, de alimentos a moradias. Só que aí começam a surgir os problemas ambientais, da geração de energia à poluição, um grande desafio.

A sociedade americana é rica porque a produção de riquezas local é pujante, além daquelas importadas via trocas comerciais e troca de papel pintado (dólar) por riquezas. Os americanos representam 5% da população mundial e consomem 1/3 dos recursos naturais do planeta.

Então, caro Francisco, a solução para erradicar a pobreza não é tão franciscana assim. A solução é produzir riquezas para todo o povo brasileiro. Algumas se distribuirão naturalmente, como é o caso dos alimentos. Outras, após produzidas, se distribuirão se houver estímulo ao consumo consciente. O que é isso? É saber que o excesso de riqueza individual, sem uso, significa ambiente exaurido e inutilizado. Status passaria a ser sinônimo de consciência ambiental, e não necessariamente de acúmulo, porque todas as riquezas materiais, sem exceção, vêm da mamãe Terra.

Bem, essa análise tem inúmeras interligações. Temos que prosseguir pensando sobre o assunto, mas há um ponto essencial. A produção de riqueza material exige riqueza de conhecimentos, riqueza intelectual. Isso só é conseguido através da boa educação para todos, do maternal à pós-graduação.

Abs.

Weber Figueiredo
PS. A palavra riqueza aqui usada não significa jóias, ouro ou supérfluos. Por favor, veja: http://www.eng.uerj.br/noticias/1252526040

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From: Fmoura <[email protected]>
Date: 20 de março de 2010 10h54min12s GMT-03:00
To: Lista de discussao UERJXXI <[email protected]>
Subject: Re: [UERJXXI] Fwd:  RES:  Fwd:  etc. etc.
Reply-To: Lista de discussao UERJXXI <[email protected]>

Caro Prof. Weber,

essa é fácil: redistribuição!

Aliás, sempre me causou estranheza quando, na ditadura militar, se
falava que era importante fazer o bolo crescer primeiro, para depois
acabar com a pobreza.

Palocci, logo no início do governo PT, falou algo como a minha resposta
acima, com a qual concordo perfeitamente.

Francisco


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From: Weber Figueiredo <[email protected]>
Date: 19 de março de 2010 20h17min50s GMT-03:00
To: Lista de discussao UERJXXI <[email protected]>
Subject: Fwd: [UERJXXI] RES:  Fwd:  etc. etc.

Henrique escreveu: Pobreza é um fenômeno muito semelhante à corrupção: quanto mais se combate ...
mais temos a sensação que ela está aumentando ...

Só há um meio de combater a pobreza: gerar riquezas e evitar as perdas.

Se alguém conhecer outro modo, por favor, me avise.

Weber

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From: [email protected]
Date: 19 de março de 2010 8h9min5s GMT-03:00
To: "Lista de discussao UERJXXI" <[email protected]>
Subject: Re: [UERJXXI] RES:  Fwd:  etc. etc.
Reply-To: Lista de discussao UERJXXI <[email protected]>

Ítalo

Vamos por partes,

As duas excelentes notícias econômicas foram divulgadas com a devida ênfase e destaque pelos jornais de TV globais (essa é para provocar o A. e o R.). Quanto à notícia sobre favelização é estranhíssima. É bem verdade que na cidade do Rio de Janeiro as favelas estão se transformando em “comunidades” e contam com cada vez mais serviços de infraestrutura, inclusive as UPPs. Mas o que a gente vê é um aumento constante da favelização no interior do Estado, a ponto de cidades que antigamente eram lindas terem hoje aspecto feio e pobre, como Petrópolis e Arraial do Cabo (e toda o trajeto da Capital
para a Região dos Lagos). Da mesma forma, parece que é crescente a
favelização em cidades pequenas e médias pelo Brasil afora. Nada disso tira o mérito tanto do Governo Lula (que porém nessa área ainda age timidamente,
vide saneamento) e principalmente do Governo Cabral, pelo menos nas
comunidades da zona sul. Em poucos anos as comunidades da zona sul estarào caríssimas porque o que ocorre nelas é uma previsível “gentrification”, já
que se situam em áreas nobres do turismo global.

Pobreza é um fenômeno muito semelhante à corrupção: quanto mais se combate (ou seja, mais gente é apanhada no "flagra" ou por provas), mais temos a sensação que ela está aumentando (afinal de contas, não fazemos a menor idéia de quanta corrupção "não pega" acontece). Veja só, o que mais dixa pau da vida o Andrade não é que a "imprensa golpista" o faça "defender qualquer ilicito PTista, pois com tanto denuncismo não há mais como saber quando o ilícito é real e quando é ficticio" (a maioira dos "ptistas de fé" que eu conheço reagiria "à chinesa" - tiro na nuca - contra seus próprios correligionários caso não estivessem obrigados a aceitar "esses delitos menores" para evitar que "o DEMo-PSDBismo voltasse para privatizar a Pertobras e a UFRJ") Essa aparência de "favelização" é sim resultado (e até mesmo fonte) de vários sucessos do govenro Lula (não estou sendo irônico): vários pobres que construiam casebres com caixotes de geladeira para morar com suas famílias de até 17 pessoas hoje compram cimento e tijolo e começam a fazer "CASAS VISÍVEIS" (ouvi no rádio uma representante do movimento popular em defesa da moradia popular que - mesmo apoiando o PAC da habitação - apontava o equívoco - e dai talvez certa decepção com a demanda do "minha casa minha vida" - de TODOS os programas de habitação popular nesse pais - e quem viu, e pode comparar, a "Vila do João" em 1982 e vê hoje repara nos efeitos desse equívoco - que fazem, dão ou financiam, casas de 30 m2 para famílias que estão na faixa de 8 a 17 membros).

Quem olha para a Rocinha e percebe que as construções de lá "no olho" parecem ter aumentado duas ou três vezes (e é algo assim mesmo) fica imaginando que a sua população aumentou em algo parecido. Rocinha em 1982 tinha algo parecido com 300 mil moradores. Alguem acredita que hoje lá vivam 1 milhão de pessoas?.

Não, uma família de 15-20 pessoas que antes só podia morar no "mesmo piso" hoje tem
aquelas alvenarias de 3-4 andares.

Pobreza e corrupção, operando fortemente, são invisíveis. Pobreza e corrupção,
quando combatidas, parecem aumentar de forma aterrorizante.

Esse "aumento da favelização" é apenas "aumento da visibilidade da população que morava lá. Se "olharmos" para a Rocinha de 1982 e imaginarmos que lá viviam 300 mil pessoas e olharmos para a Rocinha de hoje e sabermos que lá vivem umas 400 mil
pessoas a coisa fica muito, muito feia.

No tocante aos dados sobre
favelização passados pelo Governo à ONU, lembra muito o que o Fernando Henrique fez com o ensino médio: divulgaram que tinham colocado cem por
cento dos jovens no ensino médio, o que foi uma grossa mentira.

Arriscando-me a ser considerado "quinta coluna serrista", acho que voce está equivocado. O FHC nunca falou isso sobre o Ensino Médio. Ele falou isso do Ensino Fundamental e estava certo, ao final de seu governo 92 ou 94% da população entre 7 e 14 anos de idade estava mesmo matriculada no Ensino Fundamental (à época 8 séries). Onde ele escondia os números é que cerca de 70% desse pessoal estava matriculado abaixo da 3a. série (a expectativa seria de apenas 45%) e que apenas 5% estava na 8a. série. Esses números no Governo Lula devem ter mudado para 60 e 8% e isso é um ENORME SUCESSO. A escolarização de uma sociedade depende principalmente da elevação do PIB per capta geral e da melhoria da divergência entre "o PIB per capta virtual" e o "PIB per capta real". Nenhuma "política educacional" é eficazem "escolarizar com qualidade uma população" (e eu afirmaria que não é condição nem suficiente, nem necessária) se não acontecem alterações signifcativas no quadro descrito na frase anterior. Acreditar no contrário faz parte do nosso ideário
messianista em relação à educação.

Estamos
patinando muito na área da educaçào, apesar dos esforços louváveis do Haddad. Mas o Haddad desandou completamente nos últimos tempos e talvez a avaliação da mídia e de muitos técnicos (como agora a do comitê das federais de Minas), infelizmente, seja correta: ele se precipitou, fazendo coisas às pressas, atuando numa área prioritária de Estado pela lógica eleitoreira do fim de mandato. Lamentável mesmo. É muito sincera minha tristeza pelo confusão que se tornou o MEC ultimamente. Haddad parecia ser uma promessa
brilhante e, se não chega a se revelar como embuste, o balão dele se
esvaziou. Ele deveria permanecer no MEC de Dilma para ter a oportunidade de se autocorrigir, pois, sinceramente, não vejo no horizonte ninguém melhor para ocupar o lugar dele, a nào ser alguém do PSDB. Mas com o PSDB na
educaçào a gente já sabe o que pode acontecer: a corporação petista
dominante na área em nível nacional simplesmente não deixa o Governo ser governo. Para a educação e para a saúde, seria um desastre um ministério peessedebista, não só por esse motivo, porém. É que a perspectiva do PT em educação pública é melhor que a do PSDB. O mais importante de tudo seria que os quatro anos de Dilma (não garantidos ainda) consolidassem políticas de Estado que fossem seguidas por qualquer Governo depois, durante pelo menos uma geração. Aqui no Rio, o último investimento sério em educação pública
foi o do Brizola, embora na área de Ciência e Tecnologia agora com o
Alexandre Cardoso coisas importantes estejam acontecendo.

Embora não concorde com tudo que voce afirma acima, concordo com o que eu imaginei
como seu raciocínio orientador.

além da linha vermelha

Henrique



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From: Weber Figueiredo <[email protected]>
Date: 18 de março de 2010 17h29min49s GMT-03:00
To: Lista de discussao UERJXXI <[email protected]>
Subject: Fwd: [UERJXXI] etc. etc.

Inicia o artigo

"O Brasil reduziu em 16% sua população de favelas, com cerca de 10,4 milhões de pessoas deixando esse tipo de habitação nos últimos 10 anos, apontou nesta quinta-feira (17) um relatório das Nações Unidas. Apesar disso, o número de habitantes de moradia precária em todo o mundo no mesmo período avançou de 776,7 milhões para 827,6 milhões."

Sem desdenhar o esforço do governo federal (PAC, por exemplo), apenas na observação visual no Rio e na Baixada eu não consigo ver diminuição de favelas, mesmo considerando o aumento populacional. Mas, registro, a minha medida não é precisa.

Weber

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From: João R. C. Andrade <[email protected]>
Date: 18 de março de 2010 13h30min47s GMT-03:00
To: "Lista UERJ XXI" <[email protected]>
Subject: [UERJXXI] etc. etc.
Reply-To: Lista de discussao UERJXXI <[email protected]>

...da série "Porque a pajelança do Instituto Millenium deu chabú"

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2010/03/18/numero-de-favelados-no-brasil-cai-10-milhoes-na-decada-mas-avanca-no-resto-do-mundo-diz-onu.jhtm

 http://br.reuters.com/article/domesticNews/idBRSPE62G0FV20100317

http://br.reuters.com/article/domesticNews/idBRSPE62G08Q20100317

etc. etc. etc.


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