O jornal Valor Econômico publicou hoje uma grande matéria onde aborda o
problema dos 30 milhões de eleitores que não possuem outro documento
para votar.

http://www.valoronline.com.br/impresso/especial/101/310326/identificacao-sera-100-digital-em-2018
o texto da reportagem segue abaixo.

Essa notícia já tinha sido divulgada aqui no Fórum do Voto-E com um erro
de redação onde o nome do ex-presidente do TSE em 2005 aparecia como
Augusto Veloso em vez do correto que é Carlos Veloso.

Vejam em:
http://br.groups.yahoo.com/group/votoseguro/message/4549
http://groups.google.com/group/votoeletronico/browse_frm/thread/2bc57c34e5380202#

O curioso é que a reportagem do Valor REPETE este mesmo erro de redação
(vejam abaixo), mas não faz nenhuma referência ao nosso fórum como fonte
do tema e até de parte do texto.

Isso quer dizer que eles já estão compreendendo o valor das informações
sobre voto-e que por aqui circulam e consultam nossas mensagens, mas
ainda tem uma certa vergonha de nos indicar como fonte e referência
porque sabem que a autoridade eleitoral absoluta nos repudia e procura
sempre denegrir nosso trabalho.

Quem sabe, algum dia a razão vença o preconceito.

[ ]s
  Amilcar

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Identificação será 100% digital em
2018

Nas eleições deste ano, o eleitor deverá apresentar, além do título de
eleitor, um documento de identificação com fotografia. A exigência é
prevista pela Lei 12034/2009. Mas o número de eleitores que ficarão de
fora do processo eleitoral este ano, por não terem um dos dois
documentos, é desconhecido dos órgãos de controle e emissão brasileiros,
essencialmente por não haver um cruzamento de informações que possa
mensurar o número de potenciais abstenções que a nova exigência possa
causar. 

O Registro Geral (RG), conhecido popularmente por carteira de
identidade, por exemplo, não é um cadastro nacionalizado. Assim, um
cidadão pode tirar até 27 RGs diferentes, um em cada Estado da
federação. Estima-se que existam, hoje, 150 milhões de carteiras de
identidade no Brasil - o que não necessariamente quer dizer que 150
milhões de brasileiros possuam o documento. Segundo o Instituto Nacional
de Identificação Civil da Polícia Federal, a emissão do documento e seu
controle fica a cargo dos órgãos estaduais. 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só tem domínio sobre o número de
títulos de eleitor que são emitidos. Em 2005, o então ministro do TSE,
Augusto Veloso, estimava que 30 milhões de brasileiros não tinham
documento com foto, mas nenhum órgão confirma o número. 

A exigência dos dois documentos foi, para estas eleições, a maneira
encontrada pelo TSE de combater fraudes, como o comparecimento de uma
outra pessoa no lugar do eleitor verdadeiro nas urnas. Na TV, uma
propaganda bem humorada lembra o eleitor que até o dia 23 de setembro, é
possível tirar uma segunda via do título. Segundo pesquisa do Datafolha
realizada de 8 a 9 de setembro , 94% dos eleitores se dizem cientes da
necessidade de apresentarem dois documentos para votar. Em todas as
regiões do país, esse percentual se repete, mostrando que eventuais
problemas são localizados. 

A identificação biométrica, em que o eleitor é identificado pela
impressão digital, só atingirá 100% do eleitorado em 2018. "Um dos
maiores problemas é o alto custo da operação, de se recadastrar 140
milhões de eleitores", alega o secretário de Tecnologia da Informação do
TSE, Giuseppe Janino. Em outubro, 1,2 milhões de eleitores serão
identificados por biometria, espalhados em 60 municípios e 23 Estados. 

Outra medida, projetada para os próximos nove anos, é a criação do
Registro de Identidade Civil, o chamado RIC, um cartão de identificação
nacional que começará a substituir as cédulas de RG a partir de dezembro
deste ano. Nome, sexo, nacionalidade, data de nascimento, foto,
filiação, naturalidade, assinatura, impressão digital do indicador
direito, órgão emissor, local de expedição, data de expedição e data de
validade do cartão são dados que vão obrigatoriamente constar no RIC. O
número do antigo RG, título de eleitor, e CPF são optativos. Haverá
ainda um campo de observações, também optativo, que poderá trazer outras
informações, como tipo sanguíneo e se a pessoa é doadora de órgãos ou
não. A expectativa é de emitir 100 mil cartões RIC ainda em 2010; 2
milhões em 2011; 8 milhões em 2012 e 20 milhões/ano a partir de 2013. O
custo estimado da operação é de 850 milhões de dólares. 

O Ministério da Justiça coordenará o RIC com a participação dos
ministérios da Defesa, Fazenda, Planejamento, Trabalho, Previdência
Social, da Saúde, Desenvolvimento Agrário e Casa Civil. 

Documento com foto causa apreensão no NE 

A exigência da apresentação de um documento com foto no momento do voto,
uma das novidades da eleição deste ano, provoca apreensão entre
políticos em regiões com alto índice de população rural, como no
Nordeste, que tem cerca de 28,5% de sua população no campo, ante a média
nacional de 16%. O temor é que haja um considerável aumento nas
abstenções. Ninguém tem o cálculo exato, mas a avaliação generalizada é
que não é pequeno o contingente do eleitorado que não possui documentos
com foto ou que terá dificuldades para obtê-lo até a data da eleição. 

O problema se agravou este ano em razão das enchentes que afetaram a
estados como Pernambuco. "Repor o título eleitoral é fácil, mas a
carteira de identidade é mais difícil de se tirar. Haverá defecções,
sim, mas não temos como avaliar a extensão disso", afirmou o deputado
federal Mauricio Rands (PT-PE). 

Entre os prejuízos causados pelas chuvas que castigaram vários
municípios pernambucanos em junho deste ano, um dos principais foi a
perda de documentos por boa parte da população. Desde então, foram
implementados planos emergenciais para emissão de carteiras de
identidade e títulos de eleitor, porém o governo estadual acredita que a
maioria dos eleitores dessas cidades não terá condições de votar no
próximo dia 3 de outubro. 

Região tem 28,5% de população rural, superior à média nacional de 16%, e
deve ser mais afetada 
Por este motivo, a coligação do governador Eduardo Campos (PSB), que
disputa a reeleição, solicitou anteontem ao TRE local a liberação da
exigência de documento com foto para os eleitores dos onze municípios
mais atingidos: Água Preta, Barra de Guabiraba, Barreiros, Catende,
Correntes, Cortês, Jaqueira, Maraial, Palmares, Ribeirão e São Benedito
do Sul. 

De acordo com o coordenador jurídico da coligação, Izael Nóbrega, apesar
dos esforços realizados, a distribuição dos novos documentos ficou
restrita a uma pequena parcela . "Diante da perspectiva de que um
significativo contingente de cidadãos será impedido de exercer o direito
constitucional do voto, a Frente Popular argumenta que é necessário
fazer prevalecer o direito assegurado na carta maior sobre a exigência
prevista em lei ordinária", afirma o documento. Procurado, o TRE-PE
informou que o pedido ainda será apreciado pelo presidente do órgão,
Roberto Ferreira Lins. 

Um eventual surto de abstenções em Pernambuco atingirá em cheio redutos
eleitorais do governador. No segundo turno das eleições de 2006, o então
candidato Eduardo Campos venceu com folga em dez das onze cidades
mencionadas, obtendo ali um resultado bastante superior à sua média no
Estado. O governador recebeu 73,9% dos votos válidos nesses municípios,
contra 26,1% de Mendonça Filho. No apanhado geral de Pernambuco, Campos
foi eleito com 65,3% dos votos. 

De acordo com o TRE, os municípios em questão somam cerca de 214 mil
eleitores. Nas três cidades mais atingidas, Palmares, Barreiros e Água
Preta, foram reimpressos todos os 97 mil títulos de eleitor ali
registrados. Até ontem, no entanto, apenas 17 mil foram retirados pela
população. O Tribunal revelou não ter condições de saber quantos
eleitores estariam impossibilitados de votar por falta de documentação. 

O mesmo argumento foi utilizado por Jamir Carneiro, gestor do Instituto
de Identificação de Pernambuco. Segundo ele, os mutirões realizados
distribuíram pouco mais de 9 mil carteiras de identidade aos cidadãos
das áreas atingidas. Ele revelou, contudo, não ser possível precisar
quantos eleitores ainda estão sem documentos. "Só conseguimos saber
quando somos procurados", resumiu. 

Há cinco anos, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos
Velloso, avaliou que 30 milhões de eleitores não tinham documento com
foto. São vários motivos para isso: cada Estado emite um documento, sem
padrão nacional. Em muitos deles, o documento não é gratuito. Sua
expedição não necessariamente é automática: às vezes, leva-se dias para
se receber uma carteira de identidade. E a emissão é concentrada em
poucos núcleos por Estado. 

A criação do programa Bolsa Família pelo governo federal, que atende à
população de baixíssima renda, concentrada no meio rural, atenuou o
problema. "Para se ter acesso ao benefício, é preciso ter o documento e
com certeza isso massificou a documentação da população", avalia o
presidente do PPS de Alagoas, o deputado estadual Régis Cavalcante. Em
estados como o Maranhão e o Piauí, o programa de transferência de renda
chega a atender a 40% das residências. Mas este fator nem de longe
eliminou o problema. 

"O Bolsa Família, como o próprio nome diz, atende um por família. Os
demais ficam sem o documento", comentou o prefeito de Imperatriz (MA),
Sebastião Madeira (PSDB). Seu município é um dos poucos da região sul do
Maranhão em que a carteira de identidade é expedida. "Aqui em volta há
40 assentamentos rurais, com cerca de 15 mil habitantes. Chegam a ficar
a 120 quilômetros do núcleo urbano, por estrada de terra. Para tirar a
carteira de identidade, perdem dois dias de trabalho. Em Amarante, fui
abordado por duas pessoas que me pediram R$ 100 para irem tirar o
documento. Do contrário, não votarão. Obviamente, não atendi", comentou
o tucano. 

No Rio Grande do Norte, o TRE local e o Instituto Técnico e Científico
da Polícia (Itep) fizeram um convênio para a realização de mutirões para
a emissão de carteiras de identidade. No Piauí, os próprios candidatos
procuram divulgar a nova norma. O presidente estadual do PT, deputado
estadual Fabio Novo, determinou que todos os candidatos colocassem em
todo o seu material de campanha um aviso da necessidade de se portar
tanto o título quanto o documento com foto no momento da votação.
"Acredito que haverá alguma perda para a Dilma, porque é a que tem mais
eleitores no interior do Estado, mas nada que chegue a influenciar
resultados. Já é grande o nível de informação", avaliou, em uma
referência à candidata presidencial pelo PT, Dilma Rousseff. 

A justificativa para a mudança é coibir um tipo de fraude começava a se
generalizar. No interior do Maranhão, até as últimas eleições, era
possível comprar ou alugar um título eleitoral autêntico por R$ 50. Para
fraudar a eleição, o cabo eleitoral recebia de R$ 10 a R$ 20. "Para
determinados candidatos, muito melhor do que pagar pelo voto a um
eleitor e confiar em sua fidelidade dentro da cabine de votação era
reunir vários títulos e encarregar seus empregados de percorrerem as
seções eleitorais votando cada vez em nome de um eleitor diferente",
comentou Marlon Reis, presidente da Associação Brasileira dos
Magistrados e Promotores Eleitorais e juiz eleitoral em João Lisboa
(MA). 

Havia três modalidades básicas: a mais usual era a fraude pela compra de
títulos eleitorais autênticos, obtidos de eleitores já falecidos ou que
requereram o documento mas não os retiraram dos cartórios eleitorais. A
segunda era o "aluguel" do título: mediante pagamento, o eleitor
entregava seu título para o candidato ou cabo eleitoral no dia da
eleição. A terceira era a clonagem de um documento autêntico, mediante
falsificação. Neste caso, o alvo era os eleitores que migraram para
outros Estados e rotineiramente não aparecem para votar. Na primeira e
na última modalidade, era necessária a cumplicidade de funcionários da
justiça eleitoral. 

"Flagrei em 2008 um 'eleitor' que se confundiu e apareceu para votar
pela segunda vez em uma mesma seção. Demos voz de prisão e ele estava
com sete títulos eleitorais. Ele indicou o mandante, que era o candidato
a vice-prefeito da chapa que perdeu. Na casa deste vice-prefeito, havia
dezenas e dezenas de títulos", relembrou o juiz Douglas de Mello
Martins, que atuará este ano nas eleições em Santo Antônio dos Lopes. 

O episódio relatado por Mello Martins ocorreu em Fortuna do Maranhão e
envolveu a chapa derrotada de Raimundo Sousa (PHS). 

A fraude também foi documentada na mesma eleição em Paço do Lumiar,
próximo a São Luís. A juíza Jaqueline Reis Caracas efetuou seis prisões
de pessoas que tentavam votar se passando por outros eleitores. O uso do
título ali tinha cotação mais baixa do que a média: R$ 20. Dois
vereadores já foram cassados. 

Em Codó, uma cidade de médio porte no Estado, os juízes Nelson Martins
Filho e Kátia Coelho se anteciparam à lei e exigiram a apresentação de
documento com foto na eleição municipal de 2004. Dias antes da eleição,
foram encontrados 173 títulos clonados e 900 títulos autênticos na
chácara de uma pessoa ligada ao candidato Biné Figueiredo (PDT), que
venceu a eleição para prefeito. Um dos 18 presos em flagrante relatou
que receberia R$ 10 por voto. 

Os juízes no Maranhão não sabem precisar quantos eleitores no Estado não
possuem carteira de identidade ou algum outro documento com foto. Para
Mello Martins, a nova exigência, por si só, não blinda a votação de
fraudes. "As secretarias fazem convênio com as prefeituras para a
expedição de documentos com fotos, não só no Maranhão, mas em outros
Estados. Sendo assim, há possibilidade de fraude no cadastro, ainda que
a exigência venha a diminuir bastante esta possibilidade", afirmou. 

César Felício e Murillo Camarotto - De Belo Horizonte e do Recife 
Vandson Lima - De São Paulo 

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autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
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eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
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