Nada como um repórter necessitando de uma matéria para justificar o
salário...



Em 17 de setembro de 2010 19:53, Amilcar Brunazo Filho <
[email protected]> escreveu:

>  O jornal Valor Econômico publicou hoje uma grande matéria onde aborda o
> problema dos 30 milhões de eleitores que não possuem outro documento para
> votar.
>
>
> http://www.valoronline.com.br/impresso/especial/101/310326/identificacao-sera-100-digital-em-2018
> o texto da reportagem segue abaixo.
>
> Essa notícia já tinha sido divulgada aqui no Fórum do Voto-E com um erro de
> redação onde o nome do ex-presidente do TSE em 2005 aparecia como Augusto
> Veloso em vez do correto que é Carlos Veloso.
>
> Vejam em:
> http://br.groups.yahoo.com/group/votoseguro/message/4549
>
> http://groups.google.com/group/votoeletronico/browse_frm/thread/2bc57c34e5380202#
>
> O curioso é que a reportagem do Valor REPETE este mesmo erro de redação
> (vejam abaixo), mas não faz nenhuma referência ao nosso fórum como fonte do
> tema e até de parte do texto.
>
> Isso quer dizer que eles já estão compreendendo o valor das informações
> sobre voto-e que por aqui circulam e consultam nossas mensagens, mas ainda
> tem uma certa vergonha de nos indicar como fonte e referência porque sabem
> que a autoridade eleitoral absoluta nos repudia e procura sempre denegrir
> nosso trabalho.
>
> Quem sabe, algum dia a razão vença o preconceito.
>
> [ ]s
>   Amilcar
>
>
> --------------------------------------------------------------------------------
>
>
>
>  *Identificação será 100% digital em 2018*
>   Nas eleições deste ano, o eleitor deverá apresentar, além do título de
> eleitor, um documento de identificação com fotografia. A exigência é
> prevista pela Lei 12034/2009. Mas o número de eleitores que ficarão de fora
> do processo eleitoral este ano, por não terem um dos dois documentos, é
> desconhecido dos órgãos de controle e emissão brasileiros, essencialmente
> por não haver um cruzamento de informações que possa mensurar o número de
> potenciais abstenções que a nova exigência possa causar.
>
> O Registro Geral (RG), conhecido popularmente por carteira de identidade,
> por exemplo, não é um cadastro nacionalizado. Assim, um cidadão pode tirar
> até 27 RGs diferentes, um em cada Estado da federação. Estima-se que
> existam, hoje, 150 milhões de carteiras de identidade no Brasil - o que não
> necessariamente quer dizer que 150 milhões de brasileiros possuam o
> documento. Segundo o Instituto Nacional de Identificação Civil da Polícia
> Federal, a emissão do documento e seu controle fica a cargo dos órgãos
> estaduais.
>
> O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só tem domínio sobre o número de
> títulos de eleitor que são emitidos. Em 2005, o então ministro do TSE, 
> *Augusto
> Veloso*, estimava que 30 milhões de brasileiros não tinham documento com
> foto, mas nenhum órgão confirma o número.
>
> A exigência dos dois documentos foi, para estas eleições, a maneira
> encontrada pelo TSE de combater fraudes, como o comparecimento de uma outra
> pessoa no lugar do eleitor verdadeiro nas urnas. Na TV, uma propaganda bem
> humorada lembra o eleitor que até o dia 23 de setembro, é possível tirar uma
> segunda via do título. Segundo pesquisa do Datafolha realizada de 8 a 9 de
> setembro , 94% dos eleitores se dizem cientes da necessidade de apresentarem
> dois documentos para votar. Em todas as regiões do país, esse percentual se
> repete, mostrando que eventuais problemas são localizados.
>
> A identificação biométrica, em que o eleitor é identificado pela impressão
> digital, só atingirá 100% do eleitorado em 2018. "Um dos maiores problemas é
> o alto custo da operação, de se recadastrar 140 milhões de eleitores", alega
> o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino. Em
> outubro, 1,2 milhões de eleitores serão identificados por biometria,
> espalhados em 60 municípios e 23 Estados.
>
> Outra medida, projetada para os próximos nove anos, é a criação do Registro
> de Identidade Civil, o chamado RIC, um cartão de identificação nacional que
> começará a substituir as cédulas de RG a partir de dezembro deste ano. Nome,
> sexo, nacionalidade, data de nascimento, foto, filiação, naturalidade,
> assinatura, impressão digital do indicador direito, órgão emissor, local de
> expedição, data de expedição e data de validade do cartão são dados que vão
> obrigatoriamente constar no RIC. O número do antigo RG, título de eleitor, e
> CPF são optativos. Haverá ainda um campo de observações, também optativo,
> que poderá trazer outras informações, como tipo sanguíneo e se a pessoa é
> doadora de órgãos ou não. A expectativa é de emitir 100 mil cartões RIC
> ainda em 2010; 2 milhões em 2011; 8 milhões em 2012 e 20 milhões/ano a
> partir de 2013. O custo estimado da operação é de 850 milhões de dólares.
>
> O Ministério da Justiça coordenará o RIC com a participação dos ministérios
> da Defesa, Fazenda, Planejamento, Trabalho, Previdência Social, da Saúde,
> Desenvolvimento Agrário e Casa Civil.
>
> Documento com foto causa apreensão no NE
>
> A exigência da apresentação de um documento com foto no momento do voto,
> uma das novidades da eleição deste ano, provoca apreensão entre políticos em
> regiões com alto índice de população rural, como no Nordeste, que tem cerca
> de 28,5% de sua população no campo, ante a média nacional de 16%. O temor é
> que haja um considerável aumento nas abstenções. Ninguém tem o cálculo
> exato, mas a avaliação generalizada é que não é pequeno o contingente do
> eleitorado que não possui documentos com foto ou que terá dificuldades para
> obtê-lo até a data da eleição.
>
> O problema se agravou este ano em razão das enchentes que afetaram a
> estados como Pernambuco. "Repor o título eleitoral é fácil, mas a carteira
> de identidade é mais difícil de se tirar. Haverá defecções, sim, mas não
> temos como avaliar a extensão disso", afirmou o deputado federal Mauricio
> Rands (PT-PE).
>
> Entre os prejuízos causados pelas chuvas que castigaram vários municípios
> pernambucanos em junho deste ano, um dos principais foi a perda de
> documentos por boa parte da população. Desde então, foram implementados
> planos emergenciais para emissão de carteiras de identidade e títulos de
> eleitor, porém o governo estadual acredita que a maioria dos eleitores
> dessas cidades não terá condições de votar no próximo dia 3 de outubro.
>
> Região tem 28,5% de população rural, superior à média nacional de 16%, e
> deve ser mais afetada
> Por este motivo, a coligação do governador Eduardo Campos (PSB), que
> disputa a reeleição, solicitou anteontem ao TRE local a liberação da
> exigência de documento com foto para os eleitores dos onze municípios mais
> atingidos: Água Preta, Barra de Guabiraba, Barreiros, Catende, Correntes,
> Cortês, Jaqueira, Maraial, Palmares, Ribeirão e São Benedito do Sul.
>
> De acordo com o coordenador jurídico da coligação, Izael Nóbrega, apesar
> dos esforços realizados, a distribuição dos novos documentos ficou restrita
> a uma pequena parcela . "Diante da perspectiva de que um significativo
> contingente de cidadãos será impedido de exercer o direito constitucional do
> voto, a Frente Popular argumenta que é necessário fazer prevalecer o direito
> assegurado na carta maior sobre a exigência prevista em lei ordinária",
> afirma o documento. Procurado, o TRE-PE informou que o pedido ainda será
> apreciado pelo presidente do órgão, Roberto Ferreira Lins.
>
> Um eventual surto de abstenções em Pernambuco atingirá em cheio redutos
> eleitorais do governador. No segundo turno das eleições de 2006, o então
> candidato Eduardo Campos venceu com folga em dez das onze cidades
> mencionadas, obtendo ali um resultado bastante superior à sua média no
> Estado. O governador recebeu 73,9% dos votos válidos nesses municípios,
> contra 26,1% de Mendonça Filho. No apanhado geral de Pernambuco, Campos foi
> eleito com 65,3% dos votos.
>
> De acordo com o TRE, os municípios em questão somam cerca de 214 mil
> eleitores. Nas três cidades mais atingidas, Palmares, Barreiros e Água
> Preta, foram reimpressos todos os 97 mil títulos de eleitor ali registrados.
> Até ontem, no entanto, apenas 17 mil foram retirados pela população. O
> Tribunal revelou não ter condições de saber quantos eleitores estariam
> impossibilitados de votar por falta de documentação.
>
> O mesmo argumento foi utilizado por Jamir Carneiro, gestor do Instituto de
> Identificação de Pernambuco. Segundo ele, os mutirões realizados
> distribuíram pouco mais de 9 mil carteiras de identidade aos cidadãos das
> áreas atingidas. Ele revelou, contudo, não ser possível precisar quantos
> eleitores ainda estão sem documentos. "Só conseguimos saber quando somos
> procurados", resumiu.
>
> Há cinco anos, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos
> Velloso, avaliou que 30 milhões de eleitores não tinham documento com foto.
> São vários motivos para isso: cada Estado emite um documento, sem padrão
> nacional. Em muitos deles, o documento não é gratuito. Sua expedição não
> necessariamente é automática: às vezes, leva-se dias para se receber uma
> carteira de identidade. E a emissão é concentrada em poucos núcleos por
> Estado.
>
> A criação do programa Bolsa Família pelo governo federal, que atende à
> população de baixíssima renda, concentrada no meio rural, atenuou o
> problema. "Para se ter acesso ao benefício, é preciso ter o documento e com
> certeza isso massificou a documentação da população", avalia o presidente do
> PPS de Alagoas, o deputado estadual Régis Cavalcante. Em estados como o
> Maranhão e o Piauí, o programa de transferência de renda chega a atender a
> 40% das residências. Mas este fator nem de longe eliminou o problema.
>
> "O Bolsa Família, como o próprio nome diz, atende um por família. Os demais
> ficam sem o documento", comentou o prefeito de Imperatriz (MA), Sebastião
> Madeira (PSDB). Seu município é um dos poucos da região sul do Maranhão em
> que a carteira de identidade é expedida. "Aqui em volta há 40 assentamentos
> rurais, com cerca de 15 mil habitantes. Chegam a ficar a 120 quilômetros do
> núcleo urbano, por estrada de terra. Para tirar a carteira de identidade,
> perdem dois dias de trabalho. Em Amarante, fui abordado por duas pessoas que
> me pediram R$ 100 para irem tirar o documento. Do contrário, não votarão.
> Obviamente, não atendi", comentou o tucano.
>
> No Rio Grande do Norte, o TRE local e o Instituto Técnico e Científico da
> Polícia (Itep) fizeram um convênio para a realização de mutirões para a
> emissão de carteiras de identidade. No Piauí, os próprios candidatos
> procuram divulgar a nova norma. O presidente estadual do PT, deputado
> estadual Fabio Novo, determinou que todos os candidatos colocassem em todo o
> seu material de campanha um aviso da necessidade de se portar tanto o título
> quanto o documento com foto no momento da votação. "Acredito que haverá
> alguma perda para a Dilma, porque é a que tem mais eleitores no interior do
> Estado, mas nada que chegue a influenciar resultados. Já é grande o nível de
> informação", avaliou, em uma referência à candidata presidencial pelo PT,
> Dilma Rousseff.
>
> A justificativa para a mudança é coibir um tipo de fraude começava a se
> generalizar. No interior do Maranhão, até as últimas eleições, era possível
> comprar ou alugar um título eleitoral autêntico por R$ 50. Para fraudar a
> eleição, o cabo eleitoral recebia de R$ 10 a R$ 20. "Para determinados
> candidatos, muito melhor do que pagar pelo voto a um eleitor e confiar em
> sua fidelidade dentro da cabine de votação era reunir vários títulos e
> encarregar seus empregados de percorrerem as seções eleitorais votando cada
> vez em nome de um eleitor diferente", comentou Marlon Reis, presidente da
> Associação Brasileira dos Magistrados e Promotores Eleitorais e juiz
> eleitoral em João Lisboa (MA).
>
> Havia três modalidades básicas: a mais usual era a fraude pela compra de
> títulos eleitorais autênticos, obtidos de eleitores já falecidos ou que
> requereram o documento mas não os retiraram dos cartórios eleitorais. A
> segunda era o "aluguel" do título: mediante pagamento, o eleitor entregava
> seu título para o candidato ou cabo eleitoral no dia da eleição. A terceira
> era a clonagem de um documento autêntico, mediante falsificação. Neste caso,
> o alvo era os eleitores que migraram para outros Estados e rotineiramente
> não aparecem para votar. Na primeira e na última modalidade, era necessária
> a cumplicidade de funcionários da justiça eleitoral.
>
> "Flagrei em 2008 um 'eleitor' que se confundiu e apareceu para votar pela
> segunda vez em uma mesma seção. Demos voz de prisão e ele estava com sete
> títulos eleitorais. Ele indicou o mandante, que era o candidato a
> vice-prefeito da chapa que perdeu. Na casa deste vice-prefeito, havia
> dezenas e dezenas de títulos", relembrou o juiz Douglas de Mello Martins,
> que atuará este ano nas eleições em Santo Antônio dos Lopes.
>
> O episódio relatado por Mello Martins ocorreu em Fortuna do Maranhão e
> envolveu a chapa derrotada de Raimundo Sousa (PHS).
>
> A fraude também foi documentada na mesma eleição em Paço do Lumiar, próximo
> a São Luís. A juíza Jaqueline Reis Caracas efetuou seis prisões de pessoas
> que tentavam votar se passando por outros eleitores. O uso do título ali
> tinha cotação mais baixa do que a média: R$ 20. Dois vereadores já foram
> cassados.
>
> Em Codó, uma cidade de médio porte no Estado, os juízes Nelson Martins
> Filho e Kátia Coelho se anteciparam à lei e exigiram a apresentação de
> documento com foto na eleição municipal de 2004. Dias antes da eleição,
> foram encontrados 173 títulos clonados e 900 títulos autênticos na chácara
> de uma pessoa ligada ao candidato Biné Figueiredo (PDT), que venceu a
> eleição para prefeito. Um dos 18 presos em flagrante relatou que receberia
> R$ 10 por voto.
>
> Os juízes no Maranhão não sabem precisar quantos eleitores no Estado não
> possuem carteira de identidade ou algum outro documento com foto. Para Mello
> Martins, a nova exigência, por si só, não blinda a votação de fraudes. "As
> secretarias fazem convênio com as prefeituras para a expedição de documentos
> com fotos, não só no Maranhão, mas em outros Estados. Sendo assim, há
> possibilidade de fraude no cadastro, ainda que a exigência venha a diminuir
> bastante esta possibilidade", afirmou.
>
> César Felício e Murillo Camarotto - De Belo Horizonte e do Recife
> Vandson Lima - De São Paulo
>
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>
> O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
> autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
> representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E
>
> O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
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