A Autoridade Eleitoral brasileira acumula os poderes judiciário,
executivo e normativo no processo eleitoral.

Acúmulo de poderes sempre leva ao autoritarismo e à falta de
transparência.

Só no Brasil a organização do processo eleitoral é assim e é por isso
que nossas urnas eletrônicas não permitem conferência do resultado ou
recontagem dos votos (até na Venezuela, onde o presidente agora governa
por decretos-lei, é possível se fazer a auditoria do resultado eleitoral
eletrônico, aqui no Brasil não é).

Quem tem poder demais, sempre abusa e nunca larga o osso (com filé) por
iniciativa própria.

Enquanto a sociedade brasileira não se conscientizar e passar a exigir
a separação de poderes também no processo eleitoral brasileiro, esses
abusos como o descrito na matéria do Estadão (abaixo), inevitavelmente
continuarão.

Eng. Amilcar Brunazo Filho
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http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110111/not_imp664539,0.php

A suntuosa nova sede do TSE

> 11 de janeiro de 2011 | 0h 00
> 
> - O Estado de S.Paulo
> Em construção há quatro anos, quando finalmente terminada a nova sede
> do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá pôr fim a uma dúvida que
> assalta os contribuintes: qual é o "palácio" mais suntuoso do Poder
> Judiciário? O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Tribunal Superior
> do Trabalho (TST), que hoje disputam essa ominosa honraria, perderão a
> vez.
> 
> Com 115,5 mil metros quadrados, mobiliário luxuoso, gabinetes
> privativos com banheiros majestosos e 23 pórticos com detectores de
> metais, a obra, repetindo o que aconteceu nas construções das demais
> sedes de tribunais superiores no Distrito Federal, estourou o
> orçamento original - e ninguém, até recentemente, achou isso estranho.
> Quando o projeto foi anunciado, em 2007, a nova sede do TSE tinha um
> custo estimado em R$ 89 milhões. Em 2008, a dotação prevista pelo
> Orçamento-Geral da União foi aumentada para R$ 120 milhões. Em 2010, o
> TSE informou em seu site ter gasto nas obras cerca de R$ 285 milhões
> até o mês de julho. E, na semana passada, segundo os números do
> Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal
> (Siafi), a construção já havia consumido mais de R$ 360 milhões.
> 
> A estimativa é de que, ao seu término, que está previsto para o final
> deste ano, ela deverá ter um custo total de R$ 440 milhões. Como em
> todas as obras de edifícios públicos em Brasília, o projeto
> arquitetônico - que custou R$ 5,9 milhões e foi escolhido sem
> licitação - é de autoria do escritório de Oscar Niemeyer. Somente com
> mesas, cadeiras, poltronas, móveis para a biblioteca e equipamentos de
> som, ar-condicionado, informática, aparelhos de cozinha, extintores de
> incêndio, cercas e portões os gastos serão superiores a R$ 76 milhões.
> As medidas de segurança devem chegar a R$ 6 milhões. Os valores
> constam dos pregões registrados pelo TSE. A decoração dos gabinetes
> dos ministros custará R$ 693 mil.
> 
> Alegando que o TSE feriu os princípios constitucionais da
> economicidade, da moralidade e da finalidade da administração pública
> e que o Tribunal de Contas da União (TCU) constatou indícios de
> superfaturamento e de outras graves irregularidades, o Ministério
> Público Federal (MPF) impetrou ação civil pública contra a última
> instância da Justiça Eleitoral. Em sua defesa, a direção do TSE afirma
> que vem tomando providências para reduzir custos e explica que os
> móveis e equipamentos da sede atual serão levados para a nova. A
> aquisição de mais 4 mil peças de mobiliário seria apenas
> "complementar".
> 
> Os custos absurdos são apenas um dos lados da questão. O outro - na
> verdade, o principal - diz respeito à necessidade de a Justiça
> Eleitoral ter uma sede suntuosa para abrigar sete ministros - dos
> quais três integram o Supremo Tribunal Federal e dois pertencem ao
> Superior Tribunal de Justiça. Lá eles já dispõem de amplos gabinetes e
> de estruturas próprias, o que torna a obra do TSE desnecessária.
> 
> O Tribunal Superior Eleitoral é o braço do Poder Judiciário com menor
> demanda de serviços. Em 2009, ele recebeu somente 4.514 processos. No
> mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal recebeu mais de 103 mil ações e
> o STJ e o TST julgaram 354 mil e 204,1 mil processos, respectivamente.
> 
> Na realidade, o TSE é uma corte que atua basicamente nos períodos
> eleitorais - a cada dois anos. Dos sete ministros, apenas dois
> precisariam de gabinetes, por não pertencerem aos quadros da
> magistratura. Eles representam a classe dos advogados. Os
> profissionais que trabalham com direito eleitoral consideram que a
> atual sede do TSE é mais do que suficiente e adequada para suas
> atividades.
> 
> Nada justifica o tamanho e o luxo nababesco da nova sede do TSE. Em
> vez de gastar rios de dinheiro com palácios suntuosos e
> desnecessários, a Justiça agiria de maneira mais responsável se
> concentrasse seus gastos na modernização e na melhoria de atendimento
> da primeira instância, para dar aos cidadãos comuns que dependem de
> seus serviços o tratamento digno e eficiente a que têm direito.
> 



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