Abdo, estranhei tb, porque acho que eles entendem sim. São dois jornalistas
que cobrem coisas do gênero há um tempo. Foi o segundo dia consecutivo com
matérias só dando o lobby pró regulação do direito autoral no Marco Civil
(ontem) e hj essa, falando do lobby das operadoras...


São o André Machado e o Sergio Matsuura, que já fizeram matérias muito
bacanas (uma das da Wikipédia desse ano foi o Sérgio, se não me falha a
memória). E o André Machado já cobriu muita coisa de direito autoral,
creative commons etc., numa boa perspectiva.


A votação foi adiada de novo. Mas o lobby por ementas estava tão forte que
talvez não tenha sido ruim o adiamento.


2012/11/8 Alexandre Hannud Abdo <a...@member.fsf.org>

> Ni! Notícia interessante e relevante encaminhada a seguir.
>
> Infelizmente o jornalista não entende porra nenhuma do assunto e
> reproduz argumentos sem pé nem cabeça dos bilionários de forma
> totalmente acrítica.
>
> O argumento repetido cegamente diz que neutralidade da rede significa
> não poder cobrar mais de quem baixa filme do que de quem lê email. Opa,
> exceto que isso já existe e são os diferentes planos de acesso que as
> operadoras sempre ofereceram, não tem nada a ver com neutralidade da
> Internet! (Nem precisava entender nada do assunto pra perceber que o
> lobista tava falando merda, mas... nem todo mundo é pago pra pensar.)
>
> Neutralidade tem a ver com a operadora trafegar antes dados do Google,
> porque ele tem dinheiro pra bancar uma taxa premium além da
> conectividade contratada, e deixar esperando os dados da Wikipédia ou do
> seu site pessoal, porque não tem bilhões de dólares pra pagar por uma
> pista preferencial.
>
> Neutralidade na rede é simplesmente garantir que não haja jabá digital.
>
> Fazendo uma analogia, seria o mesmo que a Anchieta ter uma pista
> reservada pra quem pode pagar um super pedágio muitas vezes mais caro,
> deixando o populacho apodrecer no congestionamento com uma pista a
> menos, apesar do pedágio comum bancar com folga a manutenção das estradas.
>
> Não é difícil de entender do que se trata, mas os caras do lado da
> justiça também não ajudam né... ficam usando termos abstratos e
> terrivelmente ambíguos ("sem discriminação", "igualitário",
> "prioridade"), no lugar de fazer analogias concretas que nem Luiz Inácio
> ensinou! ;D
>
> []'s
>
> q.
>
> --
>
> (O Globo)
>
> Neutralidade na internet causa mais polêmica no Marco Civil
>
>
> Lobby de operadoras pode levar a distorções de tráfego on-line.
> Além de prever a judicialização dos procedimentos de retirada de
> conteúdo ilegal da internet e de não contemplar os direitos autorais em
> seu texto, o projeto de lei do Marco Civil da Internet traz em seu bojo
> outra polêmica questão - a da neutralidade da internet. De um lado,
> criadores e produtores de conteúdo a defendem; de outro, as operadoras
> de telecom não querem o conceito no projeto.
>
> O conceito de neutralidade reza que todos os dados devem trafegar
> igualitariamente pela grande rede, sem que sejam discriminados. Segundo
> o relator do projeto, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), não se pode dar
> preferência, por meio de acordo comercial, à navegação num portal A em
> detrimento do portal B (por exemplo, dificultando a passagem dos pacotes
> de rede do portal B no tráfego on-line). Mas as operadoras querem ter o
> direito de usar sua infraestrutura de internet de acordo com seus
> próprios interesses, permitindo acesso a mais banda a quem puder pagar,
> por exemplo.
>
> Segundo Bruno Magrani, professor e pesquisador do Centro de Tecnologia e
> Sociedade da Fundação Getulio Vargas (FGV), que auxiliou Molon na
> redação do texto do projeto, a controvérsia com as operadoras surgiu
> quando inicialmente se sugeriu que deveria haver regulamentação
> posterior sobre a neutralidade e o Comitê Gestor da Internet no Brasil
> (CGI-Br) deveria ser ouvido sobre o tema.
>
> "As teles logo se eriçaram, dizendo que o Comitê Gestor não poderia
> regular nada, e sim a Anatel, criando até cizânia dentro do governo.
> Mas, na verdade, elas já eram contra a neutralidade e usaram isso como
> pretexto contra o projeto", diz Magrani.
>
> Ele explica que a menção ao CGI-Br (órgão de aconselhamento, não de
> gestão) visava a orientar juízes em processos futuros tratando do tema,
> já que a neutralidade, mesmo desejável, tem algumas exceções - por
> exemplo, é preciso ajustar as redes para combater o envio de spam,
> prevenir ataques de negação de serviço, calibrar serviços de voz sobre
> internet, etc.
>
> "O deputado Molon acreditou que o Comitê Gestor poderia dar subsídios ao
> Judiciário no trato do tema, mas aí veio toda a celeuma", diz. "De
> qualquer modo, ter neutralidade da internet é garantia de que não haverá
> violação do livre comércio, nem prejuízo aos consumidores".
>
> Para o professor, mesmo que o texto sofra com o lobby do setor de
> telecom, "é melhor ter alguma neutralidade na rede do que nenhuma".
>
> Reação das teles - As operadoras de telefonia, responsáveis pela
> infraestrutura da rede, aguardam a Conferência Mundial de
> Telecomunicações, que será realizada em Dubai em dezembro, para se
> posicionarem. Na ocasião, a neutralidade da rede estará em xeque, pois
> serão revisadas as regras de telecomunicações definidas pela ONU.
>
> De acordo com o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de
> Telefonia (Sinditelebrasil), Eduardo Levy, o setor defende uma solução
> equilibrada. "Neutralidade é um termo que não dá para ser contra, mas
> ser neutro não significa que não possamos gerenciar a rede".
>
> O setor espera que a rede possa ser gerenciada de acordo com os usos
> específicos de empresas e consumidores. De acordo com Levy, não é
> razoável tratar da mesma maneira o "heavy user", que usa a internet para
> acessar filmes, e a pessoa que só se conecta para mandar e-mails. "O
> Correio tem o Sedex, o avião tem a classe executiva. O serviço de
> internet também deve ser tratado desta forma", defende.
>
> Outros países - Magrani diz que alguns países já saíram na frente,
> protegendo a neutralidade on-line, como Chile, Holanda e, parcialmente,
> os Estados Unidos. "Nos EUA, não há neutralidade nas redes de celulares".
>
> Segundo José Francisco de Araújo Lima, diretor de Relações
> Institucionais, Regulação e Novas Mídias das Organizações Globo, a briga
> na conferência em Dubai promete. "As telecom não querem a neutralidade
> pois desejam oferecer mais banda a quem pagar mais; porém, os produtores
> de conteúdo pretendem fazer face a elas na conferência".
>
> Outra consequência da ausência de neutralidade da internet é o potencial
> monitoramento das atividades dos internautas por seus provedores, por
> meio de plataformas polêmicas como a da empresa britânica Phorm, que
> chegou a ser alvo de processo na União Europeia e cuja atuação no Brasil
> foi investigada pelo Cade.
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