Ni!

Imaginei, a matéria em si é boa, tem muita informação importante e,
exceto por reproduzir acriticamente o comentário absurdo do lobista, é
bem escrita.

Mandei um email pra seção de economia e pro jornalista, bastante
ponderado, mas bastante bravo com deixarem passar um absurdo desses.

Da forma como está, quem ler a matéria e não entende o assunto (99% da
população) sai convencido que neutralidade da Internet é coisa de
comunista que quer que a vovó que acessa email pague pra um bando de
moleque baixar pornografia fullhd! :P

a
Bjs,
d
o

On 08-11-2012 02:25, Oona Castro wrote:
> Abdo, estranhei tb, porque acho que eles entendem sim. São dois
> jornalistas que cobrem coisas do gênero há um tempo. Foi o segundo dia
> consecutivo com matérias só dando o lobby pró regulação do direito
> autoral no Marco Civil (ontem) e hj essa, falando do lobby das operadoras...
> 
> 
> São o André Machado e o Sergio Matsuura, que já fizeram matérias muito
> bacanas (uma das da Wikipédia desse ano foi o Sérgio, se não me falha a
> memória). E o André Machado já cobriu muita coisa de direito autoral,
> creative commons etc., numa boa perspectiva. 
> 
> 
> A votação foi adiada de novo. Mas o lobby por ementas estava tão forte
> que talvez não tenha sido ruim o adiamento.
> 
> 
> 2012/11/8 Alexandre Hannud Abdo <[email protected]
> <mailto:[email protected]>>
> 
>     Ni! Notícia interessante e relevante encaminhada a seguir.
> 
>     Infelizmente o jornalista não entende porra nenhuma do assunto e
>     reproduz argumentos sem pé nem cabeça dos bilionários de forma
>     totalmente acrítica.
> 
>     O argumento repetido cegamente diz que neutralidade da rede significa
>     não poder cobrar mais de quem baixa filme do que de quem lê email. Opa,
>     exceto que isso já existe e são os diferentes planos de acesso que as
>     operadoras sempre ofereceram, não tem nada a ver com neutralidade da
>     Internet! (Nem precisava entender nada do assunto pra perceber que o
>     lobista tava falando merda, mas... nem todo mundo é pago pra pensar.)
> 
>     Neutralidade tem a ver com a operadora trafegar antes dados do Google,
>     porque ele tem dinheiro pra bancar uma taxa premium além da
>     conectividade contratada, e deixar esperando os dados da Wikipédia ou do
>     seu site pessoal, porque não tem bilhões de dólares pra pagar por uma
>     pista preferencial.
> 
>     Neutralidade na rede é simplesmente garantir que não haja jabá digital.
> 
>     Fazendo uma analogia, seria o mesmo que a Anchieta ter uma pista
>     reservada pra quem pode pagar um super pedágio muitas vezes mais caro,
>     deixando o populacho apodrecer no congestionamento com uma pista a
>     menos, apesar do pedágio comum bancar com folga a manutenção das
>     estradas.
> 
>     Não é difícil de entender do que se trata, mas os caras do lado da
>     justiça também não ajudam né... ficam usando termos abstratos e
>     terrivelmente ambíguos ("sem discriminação", "igualitário",
>     "prioridade"), no lugar de fazer analogias concretas que nem Luiz Inácio
>     ensinou! ;D
> 
>     []'s
> 
>     q.
> 
>     --
> 
>     (O Globo)
> 
>     Neutralidade na internet causa mais polêmica no Marco Civil
> 
> 
>     Lobby de operadoras pode levar a distorções de tráfego on-line.
>     Além de prever a judicialização dos procedimentos de retirada de
>     conteúdo ilegal da internet e de não contemplar os direitos autorais em
>     seu texto, o projeto de lei do Marco Civil da Internet traz em seu bojo
>     outra polêmica questão - a da neutralidade da internet. De um lado,
>     criadores e produtores de conteúdo a defendem; de outro, as operadoras
>     de telecom não querem o conceito no projeto.
> 
>     O conceito de neutralidade reza que todos os dados devem trafegar
>     igualitariamente pela grande rede, sem que sejam discriminados. Segundo
>     o relator do projeto, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), não se pode dar
>     preferência, por meio de acordo comercial, à navegação num portal A em
>     detrimento do portal B (por exemplo, dificultando a passagem dos pacotes
>     de rede do portal B no tráfego on-line). Mas as operadoras querem ter o
>     direito de usar sua infraestrutura de internet de acordo com seus
>     próprios interesses, permitindo acesso a mais banda a quem puder pagar,
>     por exemplo.
> 
>     Segundo Bruno Magrani, professor e pesquisador do Centro de Tecnologia e
>     Sociedade da Fundação Getulio Vargas (FGV), que auxiliou Molon na
>     redação do texto do projeto, a controvérsia com as operadoras surgiu
>     quando inicialmente se sugeriu que deveria haver regulamentação
>     posterior sobre a neutralidade e o Comitê Gestor da Internet no Brasil
>     (CGI-Br) deveria ser ouvido sobre o tema.
> 
>     "As teles logo se eriçaram, dizendo que o Comitê Gestor não poderia
>     regular nada, e sim a Anatel, criando até cizânia dentro do governo.
>     Mas, na verdade, elas já eram contra a neutralidade e usaram isso como
>     pretexto contra o projeto", diz Magrani.
> 
>     Ele explica que a menção ao CGI-Br (órgão de aconselhamento, não de
>     gestão) visava a orientar juízes em processos futuros tratando do tema,
>     já que a neutralidade, mesmo desejável, tem algumas exceções - por
>     exemplo, é preciso ajustar as redes para combater o envio de spam,
>     prevenir ataques de negação de serviço, calibrar serviços de voz sobre
>     internet, etc.
> 
>     "O deputado Molon acreditou que o Comitê Gestor poderia dar subsídios ao
>     Judiciário no trato do tema, mas aí veio toda a celeuma", diz. "De
>     qualquer modo, ter neutralidade da internet é garantia de que não haverá
>     violação do livre comércio, nem prejuízo aos consumidores".
> 
>     Para o professor, mesmo que o texto sofra com o lobby do setor de
>     telecom, "é melhor ter alguma neutralidade na rede do que nenhuma".
> 
>     Reação das teles - As operadoras de telefonia, responsáveis pela
>     infraestrutura da rede, aguardam a Conferência Mundial de
>     Telecomunicações, que será realizada em Dubai em dezembro, para se
>     posicionarem. Na ocasião, a neutralidade da rede estará em xeque, pois
>     serão revisadas as regras de telecomunicações definidas pela ONU.
> 
>     De acordo com o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de
>     Telefonia (Sinditelebrasil), Eduardo Levy, o setor defende uma solução
>     equilibrada. "Neutralidade é um termo que não dá para ser contra, mas
>     ser neutro não significa que não possamos gerenciar a rede".
> 
>     O setor espera que a rede possa ser gerenciada de acordo com os usos
>     específicos de empresas e consumidores. De acordo com Levy, não é
>     razoável tratar da mesma maneira o "heavy user", que usa a internet para
>     acessar filmes, e a pessoa que só se conecta para mandar e-mails. "O
>     Correio tem o Sedex, o avião tem a classe executiva. O serviço de
>     internet também deve ser tratado desta forma", defende.
> 
>     Outros países - Magrani diz que alguns países já saíram na frente,
>     protegendo a neutralidade on-line, como Chile, Holanda e, parcialmente,
>     os Estados Unidos. "Nos EUA, não há neutralidade nas redes de
>     celulares".
> 
>     Segundo José Francisco de Araújo Lima, diretor de Relações
>     Institucionais, Regulação e Novas Mídias das Organizações Globo, a briga
>     na conferência em Dubai promete. "As telecom não querem a neutralidade
>     pois desejam oferecer mais banda a quem pagar mais; porém, os produtores
>     de conteúdo pretendem fazer face a elas na conferência".
> 
>     Outra consequência da ausência de neutralidade da internet é o potencial
>     monitoramento das atividades dos internautas por seus provedores, por
>     meio de plataformas polêmicas como a da empresa britânica Phorm, que
>     chegou a ser alvo de processo na União Europeia e cuja atuação no Brasil
>     foi investigada pelo Cade.
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