Estudar o processo de ocupa��o desordenada de �reas (florestadas ou n�o) de encostas �ngremes, de topos de morros, de margens de cursos d'�gua, com esgotos a c�u aberto, com lix�es e seus catadores, etc, em �reas urbanas, pode parecer em princ�pio assunto para as Ci�ncias Ambientais. Ser�?
 
Vale lembrar que o modelo de expans�o urbana que se verifica em nossos munic�pios fluminenses � t�pico de pais subdesenvolvido.
 
Assim � de se supor que todos esses problemas que a gente entende como ambientais adv�m, principalmente, da falta de recursos financeiros dessa popula��o e tamb�m das prefeituras. E, pelo que se v�, parece n�o haver instrumentos p�blicos democr�ticos que consigam frear esse processo.
 
Um par�ntese na contram�o: Veja as mudan�as que est�o ocorrendo nos munic�pios que recebem fartos recursos financeiros do Petr�leo. Esses munic�pios t�m demonstrado condi��es de reorganizar os seus espa�os urbanos, quando assim desejam. E imaginem se, aliado a isso, essa popula��o envolvida tivesse trabalho e renda?
 
Mas a regra geral � que as prefeituras n�o disp�em de recursos financeiros suficientes (ou ent�o n�o conseguem priorizar os recursos escassos de que disp�em) para comprar terras e promover sua urbaniza��o nos moldes do que prev� a Lei Federal 6.766/79 ou mesmo os Planos Diretores, ou instrumentos legais equivalentes, visando atender �s classes menos favorecidas.
 
Da mesma forma, a iniciativa privada que promova a venda de lotes regularizados e com o m�nimo de infra-estrutura obrigat�ria, n�o conseguir� faz�-lo tamb�m para essas classes devido ao pre�o elevado em que resultam, inclusive seus impostos. E essas terras acabam indo parar nas m�os da classe m�dia, e os mais pobres s�o progressivamente empurrados para as �reas perif�ricas sub-urbanizadas.
 
Ent�o, para estes que insistem em permanecer pr�ximos aos centros urbanos s� lhes restam as �reas irregulares e, por isso, impr�prias para uso (de risco). S�o as favelas, as palafitas, os guetos. E o poder p�blico que tenha um m�nimo de pondera��o sociol�gica acaba ficando complacente com essa irregularidade, entretanto sem "for�as" para poder regulariz�-las.
 
N�o estou me propondo aqui a explorar o processo de urbaniza��o brasileiro, mas fica aberta essa proposta.
 
O que quero � for�ar nossa reflex�o para esse assunto que parece estar longe de ser ambiental. Ele, de certo, passa primeiramente pelas quest�es antropol�gicas, econ�micas, sociais, pol�ticas, log�sticas, espaciais, culturais, ideol�gicas, enfim...
 
Estudar o meio ambiente nos moldes atuais, como uma ci�ncia em si mesma ï¿½ estudar somente as conseq��ncias.
 
� vergonhoso, pra mim, assistir a toda essa IND�STRIA AMBIENTAL autof�gica muito bem articulada mas que s� sobrevive alimentada por recursos nacionais e internacionais, produzindo resultados muitas vezes duvidosos, � custa do sangue de nossa gente mais pobre.
 
Est�o a� os Projetos da Bahia da Guanabara e do Rio Para�ba do Sul, com seus esgotos de recursos financeiros rolando a c�u aberto, para "Ingl�s Ver", que n�o me deixam mentir, pra n�o citar outros tantos.
 
O Biguatinga do fundo da Baia da Guanabara n�o pode valer mais do que o Jo�ozinho Negro da palafita do mangue. N�o pra n�s brasileiros.
 
Mauro Zurita Fernandes
Analista Ambiental/Ge�grafo
IBAMA - Nova Friburgo/RJ
 
 
 
======================================================
PROCURE SEGUIR ESTAS REGRAS PARA UM BOM FUNCIONAMENTO:
- Evite enviar mensagens em HTML
- Procure enviar mensagens dentro do tema da lista
- Ao dar "reply", procure apagar da mensagem toda a 
parte que n�o interessa.

Para enviar mensagens: [EMAIL PROTECTED]
Para cancelar sua inscri��o envie email para: [EMAIL PROTECTED]
Duvidas: [EMAIL PROTECTED]
======================================================
            www.projetoeducar.com.br
======================================================


cancelar assinatura - p�gina do grupo

Responder a