JORNAL DO COMMERCIO
Freire muda de opinião sobre 64
Publicado em 11.12.2007

Uma entrevista do presidente nacional do PPS, ex-deputado Roberto Freire, à
revista Isto É desta semana é um documento histórico da maior importância
pelas opiniões que ele emite sobre o movimento militar de 1º de abril de 64,
que os vitoriosos chamam de "revolução" e os derrotados de "golpe militar".
Freire, um ex-militante do PCB cujo comitê central foi quase que
integralmente dizimado pelas forças que tomaram o poder naquela época,
resolveu assumir, publicamente, a mesma opinião que já foi externada
centenas de vezes pelo coronel do Exército Jarbas Passarinho, um dos
principais ideólogos daquele movimento.
Passarinho sempre sustentou que em 1º de abril de 64 não houve golpe, e sim
um "contragolpe", para barrar as pretensões políticas do presidente João
Goulart e das forças esquerdistas que o sustentavam no sentido de implantar
no país uma república de cunho sindicalista. Na entrevista à Isto É, Freire
deixa de lado a retórica esquerdista que era uma de suas marcas principais
durante o regime militar e, pela primeira vez, em público, concorda com
Jarbas Passarinho, que foi ministro dos generais Costa Silva e Garrastazu
Médici e um dos signatários do Ato Institucional nº 5.
Textualmente, disse o presidente nacional do PPS: "O que houve ali foi uma
disputa entre dois blocos que pensavam em regimes autoritários para ver quem
dava o golpe primeiro. Triunfou o bloco da direita". É um reconhecimento
explícito à legitimidade do movimento que depôs João Goulart, algo que a
esquerda jamais tinha feito. Pena que tenha sido feito com 43 anos de
atraso.




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