Garibaldi considera desafio presidência do Senado
ALEXANDRO GURGEL
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PARNAMIRIM - Um grande ajuntamento de correligionários foi ao Aeroporto
Internacional Augusto Severo para receber o senador Garibaldi Alves (PMDB), na
tarde de ontem. Pela primeira vez, o senador Garibaldi Alves desembarcou em
Natal como presidente do Senado e encontrou autoridades, amigos e admiradores
na sala VIP do aeroporto, onde foi bastante cumprimentado e concedeu uma
entrevista coletiva à imprensa.
Depois de uma semana tumultuada em Brasília, o presidente do Congresso
Nacional desembarcou no vôo da TAM sem demonstrar cansaço. Ele agradeceu à
receptividade e atribuiu sua indicação para a presidência do Senado à sua
maneira conciliatória num momento de muita polêmica em torno da CPMF. "Quero
dedicar minha vitória ao povo do Rio Grande do Norte, porque ela só foi
possível por causa da fidelidade que os potiguares sempre tiveram para com
minhas candidaturas", ressaltou.
De acordo com Garibaldi Alves, exercer o cargo de presidente do Senado é
indício de um grande desafio, devido ao momento delicado que o Congresso
Nacional atravessa. "De agora em diante os senadores terão que fazer um
trabalho sério para que seja restabelecida a credibilidade da Casa senatorial.
Pelo fato de permanecer somente um ano no cargo, o senador Garibaldi Filho
disse que o trabalho será mais complicado. "Por ser uma situação fora do
normal, os desafios serão bem maiores", disse.
Sobre as discussões do Orçamento Geral da União (OGM), o presidente do
Senado confirmou que a proposta só será votada depois do carnaval, mas disse
que deverá haver um grande debate por causa da derrubada da prorrogação da
CPMF. Garibaldi disse que será necessário fazer grandes remanejamentos de
recursos, aplicados em outras áreas, para compensar os R$ 40 bilhões que o
governo perdeu com a derrubada do imposto.
Sobre as investigações que sofrerá com as acusações feitas pela imprensa
do Sul do País, Garibaldi Alves disse que estava tranqüilo, acreditando que a
imprensa paulista "está requentando notícias que não significam nada". "Não
existe nenhuma denúncia contra mim no STF (Supremo Tribunal Federal) e nem na
Procuradoria Geral da República. Não há absolutamente nenhuma denúncia contra
minha pessoa", afirmou.
ENTREVISTA
Neste domingo, o jornal O Mossoroense publicará na íntegra a entrevista
com o senador Garibaldi Alves, onde ele fala sobre as relações com a oposição e
o governo Lula, os projetos para o Rio Grande do Norte e como deverá ser sua
conduta como presidente do Congresso Nacional durante seu mandato. No final da
tarde, uma grande carreata acompanhou o senador pelas BR-101 até Natal com um
buzinaço e muitos fogos.
Articulista da Folha de São Paulo critica escolha do senador
norte-rio-grandense
O articulista da Folha de São Paulo, Fernando de Barros e Silva, criticou
com veemência a escolha do senador Garibaldi Filho (PMDB) para presidir o
Congresso Nacional.
Fernando de Barros e Silva colocou Garibaldi Filho no mesmo patamar de
seu antecessor Renan Calheiros, referindo-se ao potiguar como um coronel.
"Finalmente abatido em seu vôo (embora absolvido pelos pares), o neopredador
das Alagoas cede espaço ao coronel potiguar, representante do velho
patrimonialismo a que Lula tem rendido tantas homenagens e dado tantas
condições de doce sobrevida", opinou.
O articulista da Folha também tratou Garibaldi de forma jocosa ao fazer
uma comparação entre ele e o folclórico personagem Odorico Paraguassu, da
novela O Bem Amado. "A mim, por exemplo, que não posso fazer nada, Garibaldi
Alves sugere algum personagem cômico qualquer um- de Chico Anysio. Escolha
qual você, leitor, que também não pode fazer nada. Ou estaremos diante de um
novo Odorico Paraguassu, o prefeito da eterna Sucupira de Dias Gomes, alçado ao
topo do Congresso Nacional? "Prafrentemente", apenas suspeitamos no que isso
vai dar, mas "pratrasmente" o currículo de Garibaldi não edifica a vida
republicana", acrescentou.
Ele também lembrou do desempenho de Garibaldi à frente da relatoria da
CPI dos Bingos, conhecida como a "CPI do Fim do Mundo", e a rápida mudança de
postura de Garibaldi em relação ao governo Lula.
Desde que começou a ser cotado para assumir o comando da presidência do
Senado, a imprensa nacional passou a procurar casos de corrupção envolvendo o
parlamentar. Durante os oito anos como governador o mais significativo foi o
"Caso Gusson".
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