UFRN LANÇA PRIMEIRA REVISTA SOBRE ESTUDOS GAYS DA AMÉRICA LATINA

      ALEXANDRO GURGEL
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      NATAL - Aconteceu na sexta-feira passada, dia 14, o lançamento do 
primeiro número da "Revista Bagoas - Estudos Gays: Gêneros e sexualidade", uma 
publicação do departamento de Sociologia do Centro de Ciências Humanas, Letras 
e Artes (CCHLA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A revista traz 
artigos e estudos teóricos sobre homossexualidade, sendo a primeira publicação 
de estudos do gênero da América Latina.

      De acordo com o editor de Bagoas, professor Alípio de Sousa, o projeto 
reúne o conhecimento interdisciplinar das ciências humanas, reunindo artigos de 
pesquisadores do Brasil inteiro. Conforme o editor, os artigos do primeiro 
número refletem o debate existente acerca das questões das identidades gays. Os 
diversos textos discutem as concepções correntes sobre a homossexualidade, 
abordam os direitos humanos e problematizam a homofobia.

      Os artigos são de intelectuais como Alessandro Soares da Silva, Alípio de 
Sousa Filho, Ari Lima, Carlos Eduardo Bezerra, Cinara Nahra, Cláudio Paiva, 
Edrisi Fernández, Filipe de Almeida Cerqueira, Luiz Mott, Rogério da Silva 
Martins da Costa, Rogério Diniz Junqueira, Wagner Alonge, David William Foster 
(EUA), Michel Maffesoli (FRA) e Raquel Platero Méndez (ESP). "Nós temos 
pesquisas com fundamentos na filosofia, antropologia, sociologia, história, 
psicologia e muitos outros", afirma o editor da revista.

      Segundo o editor, a revista pretende discutir de maneira crítica a 
questão do preconceito sexual, pois esse tipo de discriminação ainda é muito 
presente nas sociedades latino-americanas. Alípio de Sousa afirma que haverá na 
revista um destacado espaço para os estudos gays, especificamente as reflexões 
sobre o homoerotismo, lesbianismo, transgêneros, conjugalidades e 
parentalidades homossexuais, identidades GLBTT.

      Sobre a escolha do nome da revista, o professor Alípio de Sousa explica 
que é uma referência ao personagem histórico Bagoas, homossexual que representa 
a tradição homoerótica das culturas da Antiguidade. "Se estudarmos o percurso 
de Bagoas, podemos entender elementos da sociedade atual, que classifica e 
julga as pessoas pelo sexo", explica.

      Conforme o editor, Bagoas é igualmente a figura da androginia, das 
possibilidades de gênero, da pluralidade do desejo, das multiplicidades do ser. 
"Ele exprime a idéia que funda a revista: homens e mulheres, como seres 
culturais e de desejo e imaginação, podem ser diversos, podem viver de muitas 
maneiras, podem criar diversificados estilos e modos de vida", afirma. 

      A história de Bagoas

      O título da revista homenageia a figura de Bagoas, eunuco persa, 
dançarino, que pertenceu à corte de Dario III e, posteriormente, à corte de 
Alexandre Magno. Bagoas (ou Bagoi no idioma persa antigo) viveu no século IV e 
acredita-se que faleceu no ano de 336. Descrito como dono de uma beleza 
incomparável e exímio dançarino, andrógino, foi um dos cortesãos e amantes 
preferidos de Alexandre, o Grande. 

      Segundo Boswell, para Alexandre Magno, Bagoas "foi indiscutivelmente o 
centro erótico de sua vida". Bagoas teria influenciado o conquistador macedônio 
em relação aos persas e, portanto, em sua decisão política de tentar integrar 
os povos conquistados ao seu império. 

      "Na nossa homenagem, Bagoas representa a tradição homoerótica das 
culturas da Antiguidade, portanto, uma realidade afastada da tradição moderna 
ocidental que baniu a homossexualidade para o campo das práticas estigmatizadas 
pelos discursos médico, jurídico e religioso", explica o professor Alípio de 
Sousa. 
     

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