Voc6e tem razão; talvez não haja um único fator. Talvez o estudo
merecesse algumas considerações a esse respeito. Mas o que me
entristece é que o estudo enviesa demais sobre a tecnologia, deixando
os problemas sociais com pouco ou nenhum peso no contexto.
A mídia, por sua vez, é implacável, e praticamente rotula o resultado
estudo como uma tragédia social anunciada, portanto ajudando em
absolutamente nada a solucionar o problema maior.
Por isso é que eu chamei (no peabirus) o artigo de "Raso e
inconseqüente".
On Feb 14, 2008, at 10:42 PM, alexandre van de sande wrote:
Já li alguns posts da peabirus quando voce mandou anteriormente.
Concordo que o sistema de ensino precisa mudar e se atualizar e que
não deve ser tomado como imutável. Da mesma forma concordamos os
dois, acho, que o computador não deve ser tratado como um
eletrodomestico qualquer, com uso já definido. A cada ano e cada
geracao a funcao da computacao se reinventa.
Mas fico curioso em saber realmente qual o fator que fez na
pesquisa a populacao com acesso a computadores regularmente ficar
pior na avaliacao. Como o proprio estudo aponta, é possivel que
hajam outros fatores de confusao (a populacao que trabalha jovem
tambem coincide com a populacao com acesso a informatica). Valeria
um contra estudo para avaliar esses addos.
On 14/02/2008, at 21:47, Paulo Drummond wrote:
O estudo é sério e a conclusão é coerente. É sério porque levou a
sério as estatísticas e estudou-as seriamente. E é coerente,
porque olha sistematicamente para o umbigo das estatísticas
seriamente estudadas. Mas ele ajuda em alguma coisa para mudar o
triste status quo? Lendo e relendo, você acha que ele contribui
para que alguém possa fazer alguma coisa por:
— alunos pobres?
— computadores nas escolas?
— padrões de aprendizagem?
— políticas públicas?
O problema, Alexandre, é que a essência do estudo leva em conta
tão somente o mal (ou o bem) que um computador pode causar no
desempenho escolar de alunos, pobres ou não, mas em nenhum
momento toca seriamente na Escola em si; na Educação em si.
O estudo trata o computador como um 'gadget' que, segundo as
estatísticas-base, é um bem durável, tal qual uma geladeira, uma
televisão ou um aparelho de dvd. E infere que os alunos pobres —
que tem acesso / usam computador sistematicamente — tem desempenho
pior que os alunos não-pobres que também o fazem.
O erro é tecnológico ou é societal?
Para o estudo, a Escola-Instituição (ou a Educação em geral)
sequer é comentada, que dirá criticada. A Escola é tomada como
âncora, sem parâmetros. Fixa. Irreajustável. Então, presumo eu, o
estudo trata a Escola como certa nos seus métodos e o computador
passa a ser ser caracterizado como vilão, podendo ser um
instrumento que, nas mãos de alunos pobres, só lhes causa mal.
A Escola-instituição preserva os mesmos padrões de ensino de
séculos, mudando marginalmente aqui e alí. À Escola interessa
muito pouco mudar radicalmente esses padrões, porque isso
provocaria uma grande inconveniência organizacional e
administrativa, sem contar as inúmeras reações contrárias por
parte do professorado mais conservador. Mudanças culturais são
demoradas, sofridas até. Mas enquanto não acontecer uma grande
mudança na Escola, os computadores continuarão a ser a 'bola da vez'.
Recomendo a leitura dos dois posts mais recentes em Educarus.
abs,
On Feb 14, 2008, at 8:45 PM, alexandre van de sande wrote:
De certa forma acredito que o estudo é sério e a conclusão
coerente. Um problema similar acontece com pesquisas de opinião
com produtos novos, quando o público rejeita um produto que lhes
é apresentado pois eles o julgam comparando com os hábitos
tecnologicos que eles já tem (pra que alguem vai querer um
aprelho onde guardar 5000 musicas? pesquisas mostram que estao
felizes com os 45 minutos de fita que seus walkmans guardam).
Lançar um produto novo no mercado as vezes significa ter fé em
suas próprias convicções.
Em resumo eu acredito que o computador é uma ferramenta muito
subutilizada. Se hoje formos ver para o que as crianças usam o
computador, 90% é usar orkut e msn. Muito disso se dá em função
da interface atual (que nao estimula colaboracao nem descoberta
de novos programas) e dos programas pré instalados na máquina
(ferramentas de produtividade e browser) e por isso eu acredito
muito não só no XO mas no sugar como ferramenta.
E é bom lembrar que educação não se dá apenas distribuindo
maquinas, mas com programas educacionais que estimulem a
criatividade e o bom uso de computadores e com professores que
inspirem os alunos.
On 14/02/2008, at 19:35, Paulo Drummond wrote:
Fernando e colegas de lista,
Mais uma vez, os sábios de plantão, coadjuvados pela imprensa
marromeno, publicam algo que vai de encontro (contra, mesmo!) ao
temos dito e repetido à exaustão nesta lista. Infelizmente,
ainda são muito poucos os que se dão conta da necessidade de uma
reforma radical na Educação. Não é o computador nem a pobreza
que estão errados: é a Educação que com suas metodologias
mofadas que não muda há séculos.
Leiam o comentário no blog do Jaime Balbino e o post que
publiquei no forum Educarus sobre o mesmo tema.
abs,
Paulo
On Feb 14, 2008, at 12:34 PM, Fernando Norte wrote:
http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL298847-6174,00-
COMPUTADOR+SABOTA+DESEMPENHO+ESCOLAR+DIZ+PESQUISA.html
Computador sabota desempenho escolar, diz pesquisa
Pior desempenho aparece quando máquina é usada para tarefas
escolares.
Pesquisa da Unicamp dá alerta para programas de inclusão digital.
"Idéias como a de dar um laptop para cada criança parecem
péssima opção, principalmente considerando que ele piora o
desempenho escolar entre as crianças mais pobres. Corremos o
risco de transformar a inclusão digital em uma exclusão
educacional", afirmou Wainer. Ainda em 2008, o governo planeja
distribuir 150 mil computadores portáteis em 300 escolas
públicas brasileiras".
Fonte: G1 do GROBO!
A IMPRENSA é uma maravilha mesmo. Pega uma pesquisa feita nos
resultados de projetos TOSCOS e generalizam para tudo.
A pesquisa é interessante e mostra que apenas jogar
computadores para as pessoas é uma péssima idéia. Acredito sem
pesquisa e apenas convivência de que as pessoas estão
acostumadas a copiar e colar sem ler direito o que tem na
internet.
Não vou comentar mais nada sobre isso acreditando ser de senso
comum nessa lista as vantagens do projeto EDUCACIONAL do OLPC /
XO em detrimento do mercado de laptops para estudantes do
governo federal.
--
Fernando G. Norte
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