Jonas,
O seu relato confirma a menor vulnerabilidade dos búfalos relatada pelo
Sergio no RS e pelo Migliorini no MS. De uma certa forma acho que o Otavio
corrobora essa mesma situação pois aparentemente ele precisou recorrer a
registros de casos apenas ocorridos no exterior.
Raciocinando em cima disso eu fico imaginando se uma pesquisa
cientificamente desenvolvida em relação a não incidência da aftosa em
búfalos inseridos nas regiões atingidas pelos focos de aftosa registrados
nos últimos 5 anos (inclusive os atuais no MS) poderia certificar a sanidade
dos animais do Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná para abate e imediata
exportação para a União Européia e Rússia.
Pode ser meio complicado em termos práticos, mas independentemente da
abertura para a efetivação dessas exportações, o simples anúncio dessa nova
e estratégica vantagem comparativa em termos da sanidade dos búfalos deve
render expressivos resultados na ocupação de espaços no mercado nacional das
carnes e derivados de leite de qualidade com absoluta garantia de segurança
alimentar.
Pode ser apenas um delírio do meu lado "marketeiro", mas se comprovado, vou
ficar muito feliz produzindo campanhas (de marketing digital) que difundam o
búfalo brasileiro, como espécie livre de aftosa "sem vacinação".
Roberto
-----Mensagem original-----
De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome
de Jonas Assumpção
Enviada em: sexta-feira, 21 de outubro de 2005 15:23
Para: [email protected]
Assunto: Re: [bufalos] Aftosa no MS
Roberto,
Após o lamentavel surgimento de focos de aftosa no MS, tive oportunidade de
perguntar a todos nossos 5 funcionários da Boa Vista e mais ao meu filho
veterinário, André, que gerencia nossa fazenda, se algum deles já havia
visto um animal infectado por aftosa.
A resposta foi única : NUNCA !
Em seguida contei-lhes que alí mesmo, em nossa fazenda, até o final dos anos
60, era raríssimo passarmos um só ano sem a incidência da aftosa. Acho que a
última vez que a aftosa visitou a BV foi em 1972. Contei-lhes que a aftosa
em sí não matava, nem causava grandes prejuisos aos animais. Tão rápido como
adoeciam, os animais também saravam em 1 ou 2 semanas após. É verdade que
perdiam peso, principalmente pela dificuldade em caminhar e em pastar, por
conta das aftas nos vãos dos cascos e na boca. Ruim mesmo era quando a
visita da aftosa chegava nos tempos de pastagens secas. Daí a perda de peso
era maior, e se existissem individuos já enfraquecidos, a aftosa poderia
liquidar sua vida.
Mas pior que ruim, muito mais péssimo que a própria aftosa eram as frieiras
resultantes da doença :
As aftas dos pés davam origem a bicheiras de dificeis curas, profundas,
recobertas por um grosso tecido esponjoso. Em razão da dor que elas
provocavam os animais transferiam seus apoios para a parte posterior de seus
membros, e as unhas cresciam, fazendo os animais se achinelarem... Era
desgraça pra mais de metro !
Esses animais incuraveis não engordavam. Quase todas fazendas dispunham de
um piquete pequeno, próprio para alojar esses animais, na espera do dia em
que pudessem ser comercializados para um linguiceiro qualquer, por preço
insignificante.
Pois bem, desde 1960 acompanhava criação de búfalos do meu tio Camarguinho,
e a partir de 1969 também comecei a cria-los. Nestes anos todos, em que
bovinos, bufalos e aftosas "viviam" juntos, me foi dado observar, o que
afirmo a seguir :
1 - Muitas vezes tivemos surtos de aftosa que atingiu apenas parte de nossos
bovinos, poupando totalmente nossos búfalos.
2 - Outras vezes a aftosa atingiu indistintamente bovinos e bubalinos, mas
estes últimos, de forma mais branda.
3 - Apesar do significativo número de bovinos que apresentavam frieiras como
sequela da aftosa, nunca constatei qualquer dessa sequela em búfalos.
( Nossa explicação "cabocla" era de que os búfalos eram imunes às frieiras
por frequentarem barreiros, lagos e lamaçais )
Jonas.
----- Original Message -----
From: "Farming" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Wednesday, October 19, 2005 11:09 AM
Subject: RES: [bufalos] Aftosa no MS
Bom dia, Migliorini.
Dos dois pontos abordados, gostaria de aprofundar um pouco mais a questão da
possível maior resistência bubalina à febre aftosa.
Na verdade eu fiz uma pesquisa na Internet em relação às notícias referentes
aos surtos no país desde 2.000 e não encontrei nenhuma citação a casos de
aftosa em búfalos.
Assim, como parece que a provável origem dos focos atuais venha do Paraguai,
a pergunta que me intriga é se existe búfalos nessa região de fronteira com
esse país? Mais ainda, se existe rebanho de búfalos no lado paraguaio e se
como ocorre com os bovinos, há transporte ilegal de animais vivos ?
Voltando para o surto genérico, apesar de não ter qualquer confiança na
seriedade da exploração pecuária do Paraguai, o mais intrigante para mim é
que aparentemente do lado de lá não há nenhum caso confirmado? Isso é
verdadeiro?
Por último, acho importante que todos os Criadores de Búfalos,
principalmente através das Associações Regionais assumam uma posição
pró-ativa na cadeia produtiva da carne bubalina para a certificação de
origem, garantia de qualidade sanitária e nutricional, como você sugere, não
em conjunto, mas, paralelamente a bovina, explorando principalmente a
condição de alimento funcional com absoluta segurança alimentar.
Talvez aqui uma pequena divergência de opinião, pois acredito que somente a
iniciativa privada (criadores, associações, cooperativas, frigoríficos,
distribuidores e varejistas) está capacitada para implementar ações
objetivas nessa direção.
Um abraço,
Roberto.
-----Mensagem original-----
De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome
de Bubrasil
Enviada em: quarta-feira, 19 de outubro de 2005 06:01
Para: [email protected]
Assunto: Re: [bufalos] Aftosa no MS
Roberto Mesquita, bom dia
Aqui em M.S., quanto o surto de febre aftose, as dúvidas e incertezas
encabeçam as opiniões;
Há certeza apenas em relação a duas questões;
1a.) Se o Governo Federal não tivesse reduzido em mais de 50% a dotação
orçamentária destinada ao agro-negócio, os mecanismos de vigilância
sanitária junto a fronteira do Paraguai teriam impedido a entrada para cá de
bovinos contaminados, bem como, a Embrapa teria como desenvolver
pesquisas, no sentido de detectar a mutação do vírus ou sua resistência para
com as vacinas existentes no mercado;
2a.) É com relação a rusticidade bubalina, pois, aqui até o momento não se
registrou sequer um caso de búfalo com febre aftose.
Enquanto isso, o Lula faz uma piadinha, isto é, declara que os responsáveis
por essa catástrofe econômica e social (milhares de assalariados sem seu
soldo nos frigoríficos) são os pecuaristas.
Será que ELE desconhece o fato de que o produtor rural não tem condições
sequer de botar o preço naquilo que ´produz, quanto mais fiscalizar 800 km.
de fronteira e fazer pesquisas científicas para conseguir novas descobertas
para proteção de nosso rebanho bovino?
Será que ELE não sabe que a produção de alimento é uma questão de segurança
nacional e que não sobrevive sem a tutela do Governo?
Ainda bem que, com a liberação de parte dos recursos, que no passado foram
sonegados pelo Poder Público, o MAPA terá condições de colocar MS. em seu
estado anterior, que por via de conseqüência, a cadeia produtiva da carne
bovina se processará em pleno vapor, adicionando-se a ela a carne bubalina,
de vez que tem sabor e aparência praticamente idênticos.
Isto ocorrerá enquanto o brasileiro permanecer em sua ignorância, no que
tange as propriedades químicas da carne bubalina. Por se tratar de uma
questão de educação pública, cabe ao Poder Publico esclarecer isto a
população. Quando isto ocorrer, a cadeia produtiva da carne bubalina se
processará não em conjunto, mas, paralelamente a bovina, só que com valor
superior a do boi, como já ocorre nos países do primeiro mundo, onde o povo
é mais esclarecido que nossos irmãos brasileiros em relação à importância da
alimentação para a saúde.
Abraço de Migliorini - ACB-ms.
----- Original Message -----
From: "Farming" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Wednesday, October 12, 2005 8:17 PM
Subject: [bufalos] Aftosa no MS
Prezados Otavio e Migliorini,
Gostaria de conhecer a opinião de ambos a respeito do surto de aftosa no MS,
medidas implementadas pelo MAPA e implicações na cadeia produtiva da carne
bubalina.
Abraços,
Roberto Mesquita
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
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