Roberto, Apesar de, como relatado pelo Sergio e Jonas, não haver registro (a menos que eu saiba) da não ocorrencia de focos no país, bem como pelas citações da relativa maior resistencia da espécie em alguns países, infelizmente, a espécie é susceptível, como demonstram os trabalhos efetuados no exterior.
Mesmo que o animal possua resistencia à manifestação clínica da doença, mostram tais trabalhos que o animal infectado permanece um portador da mesma por um longo período o que significa que pode dissemina-la para outros indivíduos e outras espécies. Desta forma, creio que comprovada a maior resistencia dos búfalos isto seria de interesse em zonas endêmica pelo menor prejuízo que causariam nos rebanhos mas, duvido muito, que qualquer país livre da doença assumiria o risco de introduzir um animal de uma zona susceptível podendo ele ser um portador do vírus. Acho que o negócio é todo mundo arregaçar as mangas e aceitar as regras do jogo, vacinando seus rebanhos e o governo fiscalizando a qualidade das vacinas e as eventuais fraudes no processo. Vários países já assumiram tal tarefa com sucesso (como a Austrália), erradicando tanto a aftosa quanto tuberculose e brucelose e hoje disputam com vantagens mercados a nós restritos. (a Austrália é o único país que possui quota de exportação de carne de búfalos para a Europa e não é capaz de atendê-la). Otavio ----- Original Message ----- From: Farming To: [email protected] Sent: Friday, October 21, 2005 5:03 PM Subject: RES: [bufalos] Aftosa no MS Jonas, O seu relato confirma a menor vulnerabilidade dos búfalos relatada pelo Sergio no RS e pelo Migliorini no MS. De uma certa forma acho que o Otavio corrobora essa mesma situação pois aparentemente ele precisou recorrer a registros de casos apenas ocorridos no exterior. Raciocinando em cima disso eu fico imaginando se uma pesquisa cientificamente desenvolvida em relação a não incidência da aftosa em búfalos inseridos nas regiões atingidas pelos focos de aftosa registrados nos últimos 5 anos (inclusive os atuais no MS) poderia certificar a sanidade dos animais do Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná para abate e imediata exportação para a União Européia e Rússia. Pode ser meio complicado em termos práticos, mas independentemente da abertura para a efetivação dessas exportações, o simples anúncio dessa nova e estratégica vantagem comparativa em termos da sanidade dos búfalos deve render expressivos resultados na ocupação de espaços no mercado nacional das carnes e derivados de leite de qualidade com absoluta garantia de segurança alimentar. Pode ser apenas um delírio do meu lado "marketeiro", mas se comprovado, vou ficar muito feliz produzindo campanhas (de marketing digital) que difundam o búfalo brasileiro, como espécie livre de aftosa "sem vacinação". Roberto -----Mensagem original----- De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Jonas Assumpção Enviada em: sexta-feira, 21 de outubro de 2005 15:23 Para: [email protected] Assunto: Re: [bufalos] Aftosa no MS Roberto, Após o lamentavel surgimento de focos de aftosa no MS, tive oportunidade de perguntar a todos nossos 5 funcionários da Boa Vista e mais ao meu filho veterinário, André, que gerencia nossa fazenda, se algum deles já havia visto um animal infectado por aftosa. A resposta foi única : NUNCA ! Em seguida contei-lhes que alí mesmo, em nossa fazenda, até o final dos anos 60, era raríssimo passarmos um só ano sem a incidência da aftosa. Acho que a última vez que a aftosa visitou a BV foi em 1972. Contei-lhes que a aftosa em sí não matava, nem causava grandes prejuisos aos animais. Tão rápido como adoeciam, os animais também saravam em 1 ou 2 semanas após. É verdade que perdiam peso, principalmente pela dificuldade em caminhar e em pastar, por conta das aftas nos vãos dos cascos e na boca. Ruim mesmo era quando a visita da aftosa chegava nos tempos de pastagens secas. Daí a perda de peso era maior, e se existissem individuos já enfraquecidos, a aftosa poderia liquidar sua vida. Mas pior que ruim, muito mais péssimo que a própria aftosa eram as frieiras resultantes da doença : As aftas dos pés davam origem a bicheiras de dificeis curas, profundas, recobertas por um grosso tecido esponjoso. Em razão da dor que elas provocavam os animais transferiam seus apoios para a parte posterior de seus membros, e as unhas cresciam, fazendo os animais se achinelarem... Era desgraça pra mais de metro ! Esses animais incuraveis não engordavam. Quase todas fazendas dispunham de um piquete pequeno, próprio para alojar esses animais, na espera do dia em que pudessem ser comercializados para um linguiceiro qualquer, por preço insignificante. Pois bem, desde 1960 acompanhava criação de búfalos do meu tio Camarguinho, e a partir de 1969 também comecei a cria-los. Nestes anos todos, em que bovinos, bufalos e aftosas "viviam" juntos, me foi dado observar, o que afirmo a seguir : 1 - Muitas vezes tivemos surtos de aftosa que atingiu apenas parte de nossos bovinos, poupando totalmente nossos búfalos. 2 - Outras vezes a aftosa atingiu indistintamente bovinos e bubalinos, mas estes últimos, de forma mais branda. 3 - Apesar do significativo número de bovinos que apresentavam frieiras como sequela da aftosa, nunca constatei qualquer dessa sequela em búfalos. ( Nossa explicação "cabocla" era de que os búfalos eram imunes às frieiras por frequentarem barreiros, lagos e lamaçais ) Jonas. ----- Original Message ----- From: "Farming" <[EMAIL PROTECTED]> To: <[email protected]> Sent: Wednesday, October 19, 2005 11:09 AM Subject: RES: [bufalos] Aftosa no MS Bom dia, Migliorini. Dos dois pontos abordados, gostaria de aprofundar um pouco mais a questão da possível maior resistência bubalina à febre aftosa. Na verdade eu fiz uma pesquisa na Internet em relação às notícias referentes aos surtos no país desde 2.000 e não encontrei nenhuma citação a casos de aftosa em búfalos. Assim, como parece que a provável origem dos focos atuais venha do Paraguai, a pergunta que me intriga é se existe búfalos nessa região de fronteira com esse país? Mais ainda, se existe rebanho de búfalos no lado paraguaio e se como ocorre com os bovinos, há transporte ilegal de animais vivos ? Voltando para o surto genérico, apesar de não ter qualquer confiança na seriedade da exploração pecuária do Paraguai, o mais intrigante para mim é que aparentemente do lado de lá não há nenhum caso confirmado? Isso é verdadeiro? Por último, acho importante que todos os Criadores de Búfalos, principalmente através das Associações Regionais assumam uma posição pró-ativa na cadeia produtiva da carne bubalina para a certificação de origem, garantia de qualidade sanitária e nutricional, como você sugere, não em conjunto, mas, paralelamente a bovina, explorando principalmente a condição de alimento funcional com absoluta segurança alimentar. Talvez aqui uma pequena divergência de opinião, pois acredito que somente a iniciativa privada (criadores, associações, cooperativas, frigoríficos, distribuidores e varejistas) está capacitada para implementar ações objetivas nessa direção. Um abraço, Roberto. -----Mensagem original----- De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Bubrasil Enviada em: quarta-feira, 19 de outubro de 2005 06:01 Para: [email protected] Assunto: Re: [bufalos] Aftosa no MS Roberto Mesquita, bom dia Aqui em M.S., quanto o surto de febre aftose, as dúvidas e incertezas encabeçam as opiniões; Há certeza apenas em relação a duas questões; 1a.) Se o Governo Federal não tivesse reduzido em mais de 50% a dotação orçamentária destinada ao agro-negócio, os mecanismos de vigilância sanitária junto a fronteira do Paraguai teriam impedido a entrada para cá de bovinos contaminados, bem como, a Embrapa teria como desenvolver pesquisas, no sentido de detectar a mutação do vírus ou sua resistência para com as vacinas existentes no mercado; 2a.) É com relação a rusticidade bubalina, pois, aqui até o momento não se registrou sequer um caso de búfalo com febre aftose. Enquanto isso, o Lula faz uma piadinha, isto é, declara que os responsáveis por essa catástrofe econômica e social (milhares de assalariados sem seu soldo nos frigoríficos) são os pecuaristas. Será que ELE desconhece o fato de que o produtor rural não tem condições sequer de botar o preço naquilo que ´produz, quanto mais fiscalizar 800 km. de fronteira e fazer pesquisas científicas para conseguir novas descobertas para proteção de nosso rebanho bovino? Será que ELE não sabe que a produção de alimento é uma questão de segurança nacional e que não sobrevive sem a tutela do Governo? Ainda bem que, com a liberação de parte dos recursos, que no passado foram sonegados pelo Poder Público, o MAPA terá condições de colocar MS. em seu estado anterior, que por via de conseqüência, a cadeia produtiva da carne bovina se processará em pleno vapor, adicionando-se a ela a carne bubalina, de vez que tem sabor e aparência praticamente idênticos. Isto ocorrerá enquanto o brasileiro permanecer em sua ignorância, no que tange as propriedades químicas da carne bubalina. Por se tratar de uma questão de educação pública, cabe ao Poder Publico esclarecer isto a população. Quando isto ocorrer, a cadeia produtiva da carne bubalina se processará não em conjunto, mas, paralelamente a bovina, só que com valor superior a do boi, como já ocorre nos países do primeiro mundo, onde o povo é mais esclarecido que nossos irmãos brasileiros em relação à importância da alimentação para a saúde. Abraço de Migliorini - ACB-ms. ----- Original Message ----- From: "Farming" <[EMAIL PROTECTED]> To: <[email protected]> Sent: Wednesday, October 12, 2005 8:17 PM Subject: [bufalos] Aftosa no MS Prezados Otavio e Migliorini, Gostaria de conhecer a opinião de ambos a respeito do surto de aftosa no MS, medidas implementadas pelo MAPA e implicações na cadeia produtiva da carne bubalina. Abraços, Roberto Mesquita [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas] ___________________________________________________________________ Lista de discussao sobre bubalinocultura: Inscrição: envie mensagem para [EMAIL PROTECTED] (sem assunto nem nada no texto) Para sair da lista: enviar mensagem para [EMAIL PROTECTED] (sem assunto nem texto) Página do grupo: http://br.groups.yahoo.com/group/bufalos Links do Yahoo! Grupos ___________________________________________________________________ Lista de discussao sobre bubalinocultura: Inscrição: envie mensagem para [EMAIL PROTECTED] (sem assunto nem nada no texto) Para sair da lista: enviar mensagem para [EMAIL PROTECTED] (sem assunto nem texto) Página do grupo: http://br.groups.yahoo.com/group/bufalos Links do Yahoo! 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