Prezado Jonas, acho muito interessante este tipo de relato. Só os mais velhos podem testemunhar fatos antigos como este, tão importantes para enriquecer o conhecimento. Fidencio Maciel
Em (15:23:28), [email protected] escreveu: >Roberto, > >Após o lamentavel surgimento de focos de aftosa no MS, tive oportunidade de >perguntar a todos nossos 5 funcionários da Boa Vista e mais ao meu filho >veterinário, André, que gerencia nossa fazenda, se algum deles já havia >visto um animal infectado por aftosa. >A resposta foi única : NUNCA ! >Em seguida contei-lhes que alí mesmo, em nossa fazenda, até o final dos anos >60, era raríssimo passarmos um só ano sem a incidência da aftosa. Acho que a >última vez que a aftosa visitou a BV foi em 1972. Contei-lhes que a aftosa >em sí não matava, nem causava grandes prejuisos aos animais. Tão rápido como >adoeciam, os animais também saravam em 1 ou 2 semanas após. É verdade que >perdiam peso, principalmente pela dificuldade em caminhar e em pastar, por >conta das aftas nos vãos dos cascos e na boca. Ruim mesmo era quando a >visita da aftosa chegava nos tempos de pastagens secas. Daí a perda de peso >era maior, e se existissem individuos já enfraquecidos, a aftosa poderia >liquidar sua vida. >Mas pior que ruim, muito mais péssimo que a própria aftosa eram as frieiras >resultantes da doença : > As aftas dos pés davam origem a bicheiras de dificeis curas, profundas, >recobertas por um grosso tecido esponjoso. Em razão da dor que elas >provocavam os animais transferiam seus apoios para a parte posterior de seus >membros, e as unhas cresciam, fazendo os animais se achinelarem... Era >desgraça pra mais de metro ! >Esses animais incuraveis não engordavam. Quase todas fazendas dispunham de >um piquete pequeno, próprio para alojar esses animais, na espera do dia em >que pudessem ser comercializados para um linguiceiro qualquer, por preço >insignificante. >Pois bem, desde 1960 acompanhava criação de búfalos do meu tio Camarguinho, >e a partir de 1969 também comecei a cria-los. Nestes anos todos, em que >bovinos, bufalos e aftosas "viviam" juntos, me foi dado observar, o que >afirmo a seguir : > >1 - Muitas vezes tivemos surtos de aftosa que atingiu apenas parte de nossos >bovinos, poupando totalmente nossos búfalos. > >2 - Outras vezes a aftosa atingiu indistintamente bovinos e bubalinos, mas >estes últimos, de forma mais branda. > >3 - Apesar do significativo número de bovinos que apresentavam frieiras como >sequela da aftosa, nunca constatei qualquer dessa sequela em búfalos. >( Nossa explicação "cabocla" era de que os búfalos eram imunes às frieiras >por frequentarem barreiros, lagos e lamaçais ) > >Jonas. > >----- Original Message ----- >From: "Farming" >To: >Sent: Wednesday, October 19, 2005 11:09 AM >Subject: RES: [bufalos] Aftosa no MS > >Bom dia, Migliorini. > >Dos dois pontos abordados, gostaria de aprofundar um pouco mais a questão da >possível maior resistência bubalina à febre aftosa. > >Na verdade eu fiz uma pesquisa na Internet em relação às notícias referentes >aos surtos no país desde 2.000 e não encontrei nenhuma citação a casos de >aftosa em búfalos. > >Assim, como parece que a provável origem dos focos atuais venha do Paraguai, >a pergunta que me intriga é se existe búfalos nessa região de fronteira com >esse país? Mais ainda, se existe rebanho de búfalos no lado paraguaio e se >como ocorre com os bovinos, há transporte ilegal de animais vivos ? > >Voltando para o surto genérico, apesar de não ter qualquer confiança na >seriedade da exploração pecuária do Paraguai, o mais intrigante para mim é >que aparentemente do lado de lá não há nenhum caso confirmado? Isso é >verdadeiro? > >Por último, acho importante que todos os Criadores de Búfalos, >principalmente através das Associações Regionais assumam uma posição >pró-ativa na cadeia produtiva da carne bubalina para a certificação de >origem, garantia de qualidade sanitária e nutricional, como você sugere, não >em conjunto, mas, paralelamente a bovina, explorando principalmente a >condição de alimento funcional com absoluta segurança alimentar. > >Talvez aqui uma pequena divergência de opinião, pois acredito que somente a >iniciativa privada (criadores, associações, cooperativas, frigoríficos, >distribuidores e varejistas) está capacitada para implementar ações >objetivas nessa direção. > >Um abraço, > >Roberto. > >-----Mensagem original----- >De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome >de Bubrasil >Enviada em: quarta-feira, 19 de outubro de 2005 06:01 >Para: [email protected] >Assunto: Re: [bufalos] Aftosa no MS > >Roberto Mesquita, bom dia > >Aqui em M.S., quanto o surto de febre aftose, as dúvidas e incertezas >encabeçam as opiniões; > >Há certeza apenas em relação a duas questões; > >1a.) Se o Governo Federal não tivesse reduzido em mais de 50% a dotação >orçamentária destinada ao agro-negócio, os mecanismos de vigilância >sanitária junto a fronteira do Paraguai teriam impedido a entrada para cá de >bovinos contaminados, bem como, a Embrapa teria como desenvolver >pesquisas, no sentido de detectar a mutação do vírus ou sua resistência para >com as vacinas existentes no mercado; > >2a.) É com relação a rusticidade bubalina, pois, aqui até o momento não se >registrou sequer um caso de búfalo com febre aftose. > >Enquanto isso, o Lula faz uma piadinha, isto é, declara que os responsáveis >por essa catástrofe econômica e social (milhares de assalariados sem seu >soldo nos frigoríficos) são os pecuaristas. > >Será que ELE desconhece o fato de que o produtor rural não tem condições >sequer de botar o preço naquilo que ´produz, quanto mais fiscalizar 800 km. >de fronteira e fazer pesquisas científicas para conseguir novas descobertas >para proteção de nosso rebanho bovino? > >Será que ELE não sabe que a produção de alimento é uma questão de segurança >nacional e que não sobrevive sem a tutela do Governo? > >Ainda bem que, com a liberação de parte dos recursos, que no passado foram >sonegados pelo Poder Público, o MAPA terá condições de colocar MS. em seu >estado anterior, que por via de conseqüência, a cadeia produtiva da carne >bovina se processará em pleno vapor, adicionando-se a ela a carne bubalina, >de vez que tem sabor e aparência praticamente idênticos. > >Isto ocorrerá enquanto o brasileiro permanecer em sua ignorância, no que >tange as propriedades químicas da carne bubalina. Por se tratar de uma >questão de educação pública, cabe ao Poder Publico esclarecer isto a >população. Quando isto ocorrer, a cadeia produtiva da carne bubalina se >processará não em conjunto, mas, paralelamente a bovina, só que com valor >superior a do boi, como já ocorre nos países do primeiro mundo, onde o povo >é mais esclarecido que nossos irmãos brasileiros em relação à importância da >alimentação para a saúde. > > Abraço de Migliorini - ACB-ms. > >----- Original Message ----- >From: "Farming" >To: >Sent: Wednesday, October 12, 2005 8:17 PM >Subject: [bufalos] Aftosa no MS > >Prezados Otavio e Migliorini, > >Gostaria de conhecer a opinião de ambos a respeito do surto de aftosa no MS, >medidas implementadas pelo MAPA e implicações na cadeia produtiva da carne >bubalina. > >Abraços, > >Roberto Mesquita > >[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas] > >___________________________________________________________________ >Lista de discussao sobre bubalinocultura: >Inscrição: envie mensagem para [EMAIL PROTECTED] >(sem assunto nem nada no texto) >Para sair da lista: enviar mensagem para >[EMAIL PROTECTED] (sem assunto nem texto) >Página do grupo: http://br.groups.yahoo.com/group/bufalos > >Links do Yahoo! 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